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26.5.09

"Os EUA não são uma nação islâmica..."

Ontem de noite eu pedia a Deus que me desse um assunto interessante pra escrever e creio que Ele atendeu minhas orações de uma maneira mais criativa que eu pude imaginar. Cheguei em casa hoje de manhã e entrei no orkut. Vi 4 recados do meu irmão falando sobre um artigo muito tendencioso que ele encontrou no meu blog. Fui ler e, sinceramente, fiquei 'sem palavras'.

Eis o artigo: http://www.overbo.com.br/portal/2009/05/25/obama-declara-os-eua-nao-sao-uma-nacao-crista-mas-foram-moldados-pelo-islamismo-para-melhor/

Quero anunciar que estou tirando agora o feed que tinha do informativo chamado "O Verbo" desse blog. Creio que ele é um veneno para o cristianismo. Não é a primeira vez que leio algo super tendencioso e fundamentalista nele (a outra vez foi sobre socialismo - que além do artigo não saber definir bem o que é socialismo, acabou apoiando o próprio sistema socialista mantendo o nome do capitalismo ¬¬), mas creio que dessa vez o artigo foi 'longe demais'.

Apoiar idéias extremistas e "sanguinárias" (como eles mesmos definem os palestinos) contra os muçulmanos é algo que me deixa muito encomodado e irritado. Não por se tratarem de 'muçulmanos', mas por não compreenderem que ser muçulmano é como ser espírita, ser judeu, ser budista, ou qualquer outra religião. Não dá pra entender por que cristãos tem preconceito com muçulmanos ¬¬

Pois bem. A minha humilde opinião sobre o que escreveu o tal Dom Feder (que eu não faço ideia de quem seja, não conheco e não dou a mínima se é famoso no meio cristão ou não): Aquele texto é um grande lixo. O conteúdo é típico de um 'exaltador patriota radical' que tem uma cosmovisão simplista do tipo "Bem versus Mal" onde o Bem é o Ocidente Cristão e o Mal é o Oriente Pagão. Não sei se o autor é exatamente isso, mas foi a impressão que passou pelo texto. E explico agora porque eu penso isso.

Do principio: Barack Obama não é esquerdista e falava a verdade quando disse que os EUA não são mais uma nação Cristã. Os EUA são uma nação laica. Faço coro com Obama quando diz "Consideramo-nos como uma nação de cidadãos que estão ligados por ideais e por um conjunto de valores". A revista Newsweek pode fazer quantas enquetes quiser sobre a opinião publica achar ou desachar o que considera os EUA, mas o caso é que o povo, na sua grande maioria, nem sabe o que é ser cristão de fato. Esse paragrafo é enfatico:
Contudo, quando foi que o predomínio do Cristianismo na vida dos americanos terminou — com a decisão da Suprema Corte de abolir as orações nas escolas em 1962, com sua decisão Roe v. Wade de 1973 de legalizar o aborto ou com Bill Clinton deixando manchas de sêmen no vestido de uma estudante estagiária, em 1995?
Eu perguntaria "quando foi que houve predominio do Cristianismo na vida dos americanos?". Muito foi feito em nome do Cristianismo pelos americanos. Guerras foram travadas pelo 'nome de Deus'. Os ditos "defensores da democracia e liberdade" invadiram países, esmagaram nações, disputaram quem tem as melhores tecnologias bélicas. Tudo "in the name of God". Eu achei engraçado a citação de vários presidentes... ninguém lembrou de Geroge Bush, dos Republicanos, que cristão nenhum reclama ¬¬ (fala sério). As torturas em Guantanamo, o embargo a Cuba e a invasão do Iraque são alguns bons exemplos dos EUA como 'nação fundamentada na tolerância religiosa, democracia, liberdade e igualdade'. Sinceramente, estou dando gracas a Deus por muitas das atitudes pacíficas de Barack HUSSEIN Obama (grande coisa ele ter o mesmo sobrenome de outro chefe de estado famoso, morto por quem mesmo??).

Engraçado chamarem Obama de esquerdista - talvez assim consigam juntar todos os odiados pelos cristão fundamentalistas num mesmo conjunto. Os EUA nem tem esquerda. Na minha opinião o que eles tem é direita moderada e direita radical. Mas socializar os meios de produção, centralizar e planificar a economia, nem se fala, nunca vi disso por lá.

Segundo ponto: Os erros cometidos em nome de cada religião não podem definir de fato a contribuição da religião para a comunidade como um todo.

Se de fato definissem, eu nunca seria cristão. Por causa da minha religião colonizaram-se países; escravizaram-se nativos e negros; fizeram guerras; queimaram 'bruxas'; destruiram conhecimento dito "profano"; inquiriram; fizeram todo tipo de atrocidade.
Se eu me deixasse levar pela história do Cristianismo, com certeza consideraria os cristãos tão (ou mais) terroristas que os islamicos. Motivo pelo qual esse paragrafo não é um argumento válido:
Moldar o mundo para melhor? De que jeito? Propagando pela espada seu credo? Estabelecendo o conceito de dhimmitude — de que os descrentes são obrigados a se converter para o islamismo ou se submeter ao governo islâmico? Transformando mulheres em propriedade? Subjugando os Bálcãs, a Grécia, a maior parte da Espanha e parte da Europa Oriental por centenas de anos? Destruindo Constantinopla e Bizâncio, o Império Romano Oriental, apagando as glórias de um milênio? Promovendo o fanatismo sanguinário do xiitismo e do wahabismo e monopolizando o terrorismo internacional desde pelo menos a década de 1970?
O Cristianismo tem coisas bem parecidas na ficha. Ou o autor esqueceu Genesis 3.16 (onde Deus disse a Eva "e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará")? A lei em Levítico e a carta aos Corintios (além de diversas outras passagens) também tem determinações bem interessantes que, vistas sobre uma ótica fundamentalista, dão a entender que a mulher é propriedade do homem no Cristianismo também. Mas é obvio que não é isso que se passa no islamismo (tanto quanto não o é no Cristianismo).

Engraçado o autor reclamar a destruição das 'glórias de um milênio'. Não adiantaria nada se os islamicos mantivessem as ditas 'glórias' em pé... vindo as Guerras Mundiais (protagonizadas por povos ditos CRISTÃOS) elas cairiam da mesma forma.

O autor fala do tal Dhimmitude como se não existissem relativos semelhantes na história do cristianismo, como nos princípios do protestantismo onde muitos 'convertidos' foram perseguidos e mortos.

Terceiro ponto: o seguinte trecho:
À medida que a população muçulmana nos Estados Unidos (agora estimada em 1 milhão) cresce, os americanos cada vez mais encontrarão a rica herança religiosa e cultural que os seguidores de Maomé estão trazendo para os EUA — como os assassinatos de honra.
Essa frase pra mim é o simbolo da intolerancia religiosa. Se isso não é ser preconceituoso e fundamentalista, então não sei o que é. Desse trecho em diante me parece que o autor fica sem argumento, pois começa a escrever sobre pessoas avulsas, como se isso 'induzisse' a conclusão de que todos os muçulmanos são assim. Os muçulmanos citados ali são aberrações, tanto quanto existem aberrações no meio do cristianismo. Não é necessário ir muito longe para encontrar alguma. Por exemplo, a Gretchen se diz evangélica apesar de fazer filmes pornôs. Muitos pastores são condenados por roubarem dinheiro das ofertas (é soh lembrar do cidadão que estava escondendo dinheiro na cueca, ou dos bispos de uma igreja X que fugiram para o exterior por causa de dinheiro não declarado).

Estranho o autor falar da decepação do clitóris de uma menina. No Antigo Testamento a circuncisão era obrigatória e constava na Lei.

As escolas também não induzem conclusão nenhuma. O próprio autor fala dos escandalos com padres. E se isso não reflete a idéia do Cristianismo em si, como refletiria a idéia do Islamismo?

Até agora não entendo o apoio a Israel. Na real, é soh pra manter uma base de aliados de frente pro 'inimigo islamico terrorista'. Não sei daonde que é Bíblico apoiar Israel. Como se, soh porque tem o mesmo nome, Deus vai abençoar da mesma forma. Israel é um país de judeus... só isso. Se Deus abençoasse o país que se chamasse 'Israel', alguem já tinha feito uma plebiscito aqui pra chamar o Brasil de "Israel Brasil"... mas o Cristianismo não tem nada a ver com isso ¬¬

Obama pode ser um bom presidente. Até agora está sendo N vezes melhor que Bush. Está governando, cumprindo o seu papel e fazendo o que considera correto. Posso não concordar com políticas como aborto, casamento de casais do mesmo sexo, pesquisas com células embrionárias, etc. Mas concordo com várias outras políticas, como algumas que citei antes. Governos são assim, carregam consigo pacotes de medidas que nunca vão agradar a todos. Se nem Jesus agradou a todos, nunca esperaremos isso de Obama. Mas é importante frizar que ele tem potencial, assim como qualquer presidente cristão, de governar o país de uma maneira coerente, independente de religião.

Enfim... a frase do Dep. Joe Cannon acabou se aplicando muito melhor ao autor do texto do que ao Obama.

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