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3.6.09

Talvez - a duvida

Estive no cardiologista ha alguns dias atras. Tenho alguns problemas no coração: as vezes sinto meu coração bater mais forte e mais rápido que normalmente bate. Fala-se em arritimia, mas é dificil definir porque ataca em momentos aleatórios e é muito dificil que ocorra no exato momento do exame.

Enquanto esperava para ser atendido peguei uma revista, daquelas antigas que se tem em consultórios médicos e servem para entreter os pacientes antes da consulta. Acabei pegando uma revista Época de alguma semana de Agosto de 2008, antes da crise financeira, que dizia na capa que a classe média brasileira tinha atingido mais da metade da população. Lembro que a revista tinha capa amarela e que meu primeiro impulso ao pegar a revista foi ler a reportagem da capa, que parecia bastante interessante. A reportagem da capa estava, se nao me engano, na página 92 (se alguem tiver a revista em casa, por favor confira =D), mas fui folhando a revista e antes de chegar lá passei pela página 88 onde havia uma entrevista e dizia em letras garrafais "Ateísmo está relacionado a QI alto".

Obviamente o confronto de idéias e a constatação que eu sou uma excessão à dita regra (sou crente e meu QI é de 138 conforme antigo teste; a média é entre 90 e 100; não estou me achando ¬¬) falaram mais alto e me fizeram ler a tal entrevista, mesmo sob possivel pena de não ter tempo suficiente de conseguir ler a reportagem da capa (que me era bem interessante).

O entrevistado era um tal de Richard Lynn: um 'entendido' em psicologia, professor em lugares importantes e responsavel por 5 decadas de estudos cientificos sobre inteligencia humana (inclusive autor de livros centrais no estudo da area). Segundo ele, nos diversos países analisados, os mais crentes eram geralmente os detentores de QI mais baixo (desculpem se os dados estão vagos, eu nao me recordo deles muito bem; só os li uma vez). O tal cientista era autor de várias afirmações controversas como "homens tem QI mais alto que mulheres" e "os negros dos EUA tem QI mais alto que negros africanos; consequencia dos 25% de DNA branco que os negros americanos possuem", mas relacionar religião a QI, na minha opinião, era algo muito estranho. Pode a ciência definir coisas como essa? Posso tomar como válida essa afirmação?

É engraçado como as pessoas acreditam na ciência... e eu não sou hipócrita, acredito também. Minha família acredita, meus visinhos acreditam, o pessoal da igreja acredita, todos acreditamos. Tudo (ou quase) que passa no Discovery Channel é real. As séries sobre vida animal que passa no Fantastico são realidade. Não duvido de nada... a principio acredito em tudo, de fato.

E é engraçado como ninguém contesta. Digo, ninguém participou dos estudos, ninguém esteve junto para tirar suas próprias conclusões, todos recebem tudo 'mastigadinho' e aceitam com a maior naturalidade do mundo. Aceitamos tudo de bandeja, nem nos preucupamos em conferir, 'tirar os noves fora', a 'prova real'.

Mas o mais engraçado é uma capacidade que nós, cristãos, desenvolvemos de ativar o sinal vermelho quando uma determinada doutrina científica intercepta valores cristãos. Quero dizer, acreditamos nas leis de causa e efeito e confiamos que pessoas que dedicaram suas vidas analisando "causas e seus efeitos, efeitos e suas causas" sejam as melhores e mais indicadas para definir as causas das nossas doencas, os motivos pelos quais nossa geladeira não está funcionando direito, se vai chover amanhã, etc. Mas não aceitamos que os tais estudiosos possam explicar causas maiores como a origem do Universo ou das Espécies, por exemplo. Confiamos na ciência até que ela nos traia. Ou até que ela traia nosso conceito de Deus.

Um professor de literatura que eu tive dizia que "está cientificamente comprovado que quando dizemos que está cientificamente comprovado todo mundo acredita". Para nós cristãos isso parece bem evidente. Mas o que não percebemos é que as vezes existem expressões equivalentes para o nosso meio. Ditos como "tá na Bíblia", "é Bíblico" ou "A Bíblia diz que", que fazem o papel de "o diabo quando tentou Jesus" e distorcem o contexto original, fazendo as passagens darem a entender qualquer coisa que se queira. Grande parte disso é sinal de 'abitolamento' em preconceitos. Muito em nossa vida depende de 'em que acreditamos' e essa variavel nao pode ser definida pelas analises de outros. Nós mesmos devemos fazer nossos exames e nossas escolhas (não digo exames para coisas do tipo "o que estragou meu fogão?" ou "por que estou com tosse?", mas sim aquelas mais importantes, grandes, essenciais).

Sinceramente, eu admiro pessoas que não engolem qualquer teoria .Pessoas não necessariamente cristãs mas que não engolem, por exemplo, que o homem seja parente do macaco ou que o universo tenha nascido numa explosão (pra mim esses são ótimos exemplos). Admiro porque elas se reservam o direito de 'nao acreditar', de 'se manter em duvida', de dizer "não sei". Essa dúvida é muito importante, porque é a partir dela que se pode analisar tudo o que se ve e tirar uma conclusao final, sem preconceitos, definitiva... ou não tirar conclusão nenhuma.

Eu sou cristão como esse blog e todo este post testemunha. Acredito em Jesus Cristo e que um dia Ele, sendo Deus, tomou a forma de homem e morreu pelos pecados do mundo. Mas eu nem sempre acreditei em tudo isso. Minha trajetória de conversão até adquirir essa convicção foi longa. Nunca fui abitolado a uma idéia X; desenhei minhas convicções conforme minhas análises sobre "o que é verdadeiro" e quando olho para minhas experiências passadas não consigo me ver tomando outro rumo. Deus se revelou para mim e tomar outro rumo, diferente deste que acredito, seria lutar contra mim mesmo e o que acredito.

Seguir a Jesus deve ser uma escolha coerente, segura e convicta. Podemos observar e analisar tudo o que implica ser cristão sem nos envolvermos com isso (sociologos e antropólogos fazem isso o tempo todo). Eu creio que quem não tem suas convicções justificadas e está baseado no preconceito deve dar uma chance a tudo que está a volta e observar se pode - e quer - estar convicto de que as coisas são da maneira X ou Y ou Z. A conversão ao cientificismo é tão baseada na fé quanto a conversão ao cristianismo.

A Bíblia diz (confira se diz mesmo) que Deus não é um Deus de confusão. O Espirito Santo quem se encarrega de nos dar a certeza de que estamos no caminho certo. Se alguém se dispor a conhecer O Caminho do Senhor de verdade, sem preconceitos, baseado na razão, mas permitindo a hipotese de que de fato exista um Deus que mandou Seu Filho para morrer pelos nossos pecados e salvar a humanidade, eu estou certo de que esse alguém vai ser tocado por Deus e ao longo do processo de conhecimento Deus mostrará que essa é A Verdade.

A dúvida é central para o cristianismo. Deus traz a convicção.

Eu espero sinceramente que hoje você esteja em dúvida.

Paz tejamos :P

(ps: desculpa o problema com pronomes ¬¬ eu to escrevendo de madrugada)

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