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4.5.10

Tu Estás Preparado??

Eu já ia dormir, mas não contive a vontade de vir postar.

Outro dia eu ia no onibus com um amigo de mesmo nome que eu conversando sobre as reuniões do nosso grupo na Universidade - chamado Alfa e Omega, de onde ajudo a organizar o blog junto com mais um amigo (aproveita e entra lá).

Agente ia falando sobre as reuniões de oração e estudo, que agente podia tratar desse e daquele assunto. Enfim, acabamos conversando sobre a Graça.

Eu nunca tenho o propósito de expor "convicções teológicas" minhas até porque elas não necessariamente existem. A única certeza que eu guardo, quanto a esse assunto, é a da morte de Jesus, morte de cruz, e que se não fosse Ele eu não seria salvo. De resto, toda a Bíblia pode gerar alguma discussão. Em resumo, só creio no essencial (e naquilo que minha consciencia não me permite não crer - como por exemplo o livre arbítrio). No fim das contas, sobre assuntos "acessóricos", eu tenho opiniões exparsas de qualquer coisa sem me comprometer muito. Acho que sou muito novo [e muito ingênuo, talvez] pra me colocar "de corpo e alma" com essa ou aquela bandeira. Um amigo diz que eu tenho um comportamento típico de se manter sempre "na defensiva" quanto a qualquer coisa. Alguém pode me chamar de pusilânime, que não tenho 'sim sim; não não', mas que seja... sou de me colocar sempre a espera de um ponto de vista melhor.

Feito a minha defesa, digo o que eu penso sobre a Graça.

O crente é acostumado a ouvir que a Graça de Deus perdoa qualquer pecado. Gosta de citar o ladrão que pediu pela memória de Jesus logo antes de morrer crucificado. Gosta de se citar pecador e dizer que só há um Santo que é Deus.

Porém, esse tipo de posicionamento cai por terra quando o próximo cai em pecado que foge do "estatuto inconsciente" que o crente tem em mente.

Digamos o seguinte, por exemplo: eu peco quando minto; peco quando bravejo iradamente contra alguém; peco quando prometo algo e não faço. Para esses pecados o crente tem por certeza que "Jesus advoga". Mas quando meu pecado é usar de alguma droga, trair a esposa ou acessar conteúdo impróprio na internet, o crente entra em terrível escandalo e trata o caído como um perdido, alguém com quem Jesus jamais teria por amigo.

Ora, se Jesus curou no sábado, tocou o leproso, jantou com os publicanos e perdoou a mulher adúltera, bem sabemos que tipo de comportamento temos que ter com o irmão caído: amor. A última coisa que o irmão em pecado (ora, todos? não, naquele específico; pois quem não tem pecado?) é do fardo de seu escandalo.

Porém o nosso sistema de igreja vigente faz o simétrico contrário. Ao invés do "ajudai-vos a suportar o fardo uns dos outros", temos por certo o individualista "você tem que estar preparado!", pregado por muitos, que relativiza a Graça a condição de pecado de cada um.

Pois, temos o seguinte: se o meu conjunto de pecados é "leve" e satisfaz a lista de pecados perdoáveis (intrínseca ao pastor, congregação ou grupo de cristãos), então eu estou "preparado". Contudo, se no meu conjunto de pecados se encontra um daqueles considerados "graves" (pelo mesmo conjunto de pessoas anterior), então eu não estou preparado e corro o risco de não "merecer" (quem merece?) a Salvação.

Segue daí uma resposta comum entre evangélicos quanto a essa pergunta sobre preparação: "Hoje eu to preparado, mas amanha eu não sei", justificando o fato de que, em algum momento, se a pessoa falhar em algum ponto de sua vida, vai ter que "se levantar" em relação àquilo ou corre o risco de não se encontrar com Jesus.

Somado a isso encontra-se algo que, colocado na forma que está, só contribui pra destruição do irmão: a chamada "disciplina".

Explico porque sou contra ela continuando o raciocínio anterior:

O irmão fez algo de convencionalmente errado o suficiente para trazer escândalo a congregação. Talvez seja algo de que ele não consiga se desfazer tão facilmente e terá que lutar com toda sua força de vontade pra se levantar (drogas, por exemplo). Agora com a disciplina esse irmão vai ficar afastado de tudo o que fazia na igreja - coisas que provavelmente o aproximavam de Deus e afastavam dos problemas que o fizeram cair. Acho isso maléfico e uma "punição" impensada e mal aproveitada.

Não sou contra esse irmão não tocar no púlpito da igreja, por exemplo, pois como a congregação se escandaliza, teriamos mais problemas. Mas esse irmão poderia continuar participando de ensaios de grupos, caso tocasse/cantasse; continuar ajudando na obra social, caso o fizesse inicialmente; continuar participando da comunhão de alguma forma (independente do ritual simbólico da Santa Ceia).

Tenho que me explicar no fim das contas: não sou a favor que alguém tire proveito dessa história de "Graça" pra ficar pecando descaradamente contra Deus e dizendo "aah, obrigado por me perdoar" ¬¬ Deus ta vendo a intenção de cada um. Mas é fato que muita gente tem pecados que não consegue se libertar. Vai me dizer que esses não estão "preparados"?

... Enfim. Acho que já escrevi demais e eu sei que nenhuma igreja vai abolir a disciplina por conta do meu texto :P E que quem prega vai continuar perguntando "tu ta preparado irmão?!" xD

Só acho que essas coisas são mais do que confusas quando confrontadas com a Graça, que, conforme o nome, é de presente.

Paztejamos

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