Pesquisa neste blog =D

27.9.10

Perspectivas 7: A Vila e A Banda

Há algum tempo eu vinha procurando um lugar para dar aulas de música. Pensei que poderia tentar o Cônego Scherer (o colégio onde estudei meu ensino médio e que gosto muito), mas como ainda planejo "tirar" a escola de música da igreja para um colégio (minha luta que eu fico enxendo o saco do Alex sempre) eu idealizei esse lugar para isso.

Mas ... andei pensando bastante sobre o Vale. Pra contextualizar (caso alguém não conheça):

O Vale é o Campus da UFRGS onde eu estudo. Ele fica retirado do Centro da cidade e fica na divisa com Viamão (uma cidade visinha de Porto Alegre). No lado do vale fica "A Vila". A vila oficialmente se chama "vila Santa Isabel" e é um lugar relativamente "precário". Existem MUITOS estudantes morando lá por ser próximo do Vale e ter relativamente "tudo que se precisa".

Há alguns dias andei caminhando lá na Vila porque imaginei que o lugar ideal poderia ser uma igreja. Infelizmente me frustrei porque encontrei igrejas sem 'expediente' e eu teria que ficar até de noite pra poder quem sabe conversar com alguém no horário do culto. Além disso, tinha a questão "doutrinária": as igrejas que tinham lá (que eu encontrei) eram daquelas "de fogo" que as irmãs não se depilam nem cortam o cabelo e que o culto (provavelmente) é uma gritassaiada. Se eu fosse dar aula de música lá tenho medo que pudesse haver alguma repressão a forma como eu me visto ou como qualquer aluno pudesse vir a se vestir (ou pensar - é proibido nesses lugares -... desculpa não devia ter dito isso :X).

Enfim, eu já tinha avistado (num dos meus passeios pela vila) aquilo que se autodenominava (no letreiro) um "lar de crianças". Como eu não sabia o que era, pensei que fosse privado, talvez uma creche ou sei lá. Esse lugar era bem na entrada da vila e me pouparia horrores de esforços "de logistica" (só eu caminhando daqui pra lá de lá pra cá é complicado xD).

Hoje fui nesse lugar. Conversei com a diretora e ela pareceu "maravilhada" (falo assim porque quando eu falei em música ela disse que o sonho da escola era ter uma banda) com a idéia. Eu não sei se vou alcançar as espectativas (tanto dela quanto minha ou de qualquer outra pessoa envolvida), mas eu quero tentar. Acho que dá tempo e vai ser interessante.

Quinta feira eu vou lá conversar direitinho com ela e com as outras pessoas da escola que provavelmente devam estar envolvidas na definição do "cronograma" da escola. Eu tenho que organizar as minhas idéias pra apresentar lá e tenho que organizar minhas perguntas - porque eu não conheço a escola, os alunos, as condições, etc. Já pesquisei os preços das flautas doces, agora só falta definir tudo e começar. Já postei uma vez a minha visão sobre o que é "começar".

Agora mudando um pouco de assunto, quero falar dA Banda.

A Banda é a Banda Mensageiros de Cristo, que é Banda, é Orquestra, é Banda Sinfônica, Filarmônica... cada lugar que agente vai recebe uma denominação diferente, mas a que eu mais prefiro é simplesmente "A Banda".

A Banda é a coisa mais legal do envolvimento com o departamento de Música. Agente toca em vários lugares, em diversas formas, desfila, toca sentadinho, toca em lugares espaçosos e apertados, é aleatório. E com isso tudo agente conhece pessoas e lugares diferentes. Não que os outros grupos não façam isso, mas com A Banda as músicas são mais legais :P

Esse fim de semana nossa banda foi tocar na vila Bom Jesus, por convite de um irmão. Esse irmão (o Marcos) nos convidou porque conheceu o Alex e o Alex convidou ele pra tocar com a gente. Ele toca trombone, bombardino e tuba. Ele veio, gostou e participou de várias funções já. E com todo esse envolvimento acabou convidando agente pra ir lá. Quando agente chegou lá, se agregaram mais dois: uma clarinetista que conhece a Abilene porque faz aula na extensão da UFRGS com ela; e o irmão do Marcos, que também toca trombone.

Todo esse envolvimento com A Banda é, pra mim, um reflexo do que deveria acontecer com a Igreja inteira. As vezes na nossa igreja não temos todo esse entrosamento que deveriamos ter como irmãos uns com os outros. Em vez disso somos arrogantes ou simplesmente não gostamos desse ou daquele irmão por causa de alguma coisa que agente se lembra que ele fez.


Na Banda não temos isso. Ou, se temos, é infinitamente menor. A Banda não é só um conjunto de pessoas da nossa igreja. Ela estrapola distancias a medida que já veio gente de "lugares longínquos" pra participar conosco. Ela excede denominações a medida que pessoas que, por preconceitos burocratico-religiosos, não poderiam participar conosco na igreja, se enfiam no nosso meio e são acolhidas de bom grado, como irmãos, sem distinção.

É essa a minha idealização quando estou dando aula: a de que os alunos vão fazer parte de uma Banda assim =D

[Pena que esse texto não está traduzido: http://en.wikipedia.org/wiki/El_Sistema é o artiguo da wiki sobre o programa de música em bairros pobres na Venezuela. Vale a pena procurar pelo filme deles. Se chama "Tocar y Luchar".]

Paztejamos

2 comentários:

  1. Bah amado, sou leitor do teu Blog. Eu li esta postagem o ano passado e hoje acordei de madrugada lembrando deste texto. A Igreja Brasa de Porto Alegre tem um trabalho com crianças muito carentes em Viamão.Temos um projeto esportivo lá. Mas o Pastor Hudson tem comentado que gostaria de ter um projeto para dar aulas de música para aquelas crianças. Li uma frase que mexeu comigo ontem "até quando ficaremos somente de mãos levantadas". Se isto tocar no teu coração como projeto de Deus vamos tentar por em prática isso. fernandoxavier4@hotmail.com

    ResponderExcluir
  2. Opa, nossa, um leitor! xD as vezes eu sinto como se não houvessem.

    Cara, só em falar Igreja Brasa já lembrei em pelo menos 3 pessoas que conheço dessa igreja e que de imediato poderiamos fazer contato e já se empenhar nisso.

    Mas deixa eu contar a história: eu fui nessa escola e resolvemos que eu iria lá em fevereiro pra resolver quantas aulas eu daria por semana e em quais horários. Voltei, e tive que voltar de novo porque o cronograma não estava pronto, no meio de março. Aí tive que voltar numa terça feira (um dia na contramão) pra conversar com a coordenadora pedagógica e ela me pediu pra fazer um 'projeto' com tudo que proponho - e preciso - pra apresentar para a mantenedora da creche. Parei aqui.

    Não fiz o projeto ainda. Estou sem perspectivas agora :X Minha conversa com a coordenadora me fez ter medo de encarar o desafio. Elas propuseram coisas para eu fazer que eu sinto que extrapolam minha capacidade, fiquei acuado. Preciso retomar o fôlego ou ter um 'apoio'.

    Não estou reclamando da escola, o pessoal lá foi muito gente boa ao me receber. Só estou dizendo que tive medo.

    Além disso, há um agravante. Estou planejando sair do Vale, estudar no Centro. Dessa forma, meus planos foram "adiados".

    Enfim. Em contraste com o post, estou 'sem perspectivas' agora. O que é bem triste de certa forma. Reorganizei minhas prioridades de maneira a focar num alvo específico (passar num concurso) e só depois pensar em outra coisa.

    E, pra demonstrar que isso é fato, não estou mais nA Banda (citada acima). Saí em março agora exatamente pelo mesmo proposito. Pretendo voltar assim que passar nesse concurso, mas enquanto isso não acontece, minha vida está 'em suspensão'.

    ResponderExcluir

Dá um apoio moral pro blogueiro aqui.
Comenta aí ó: