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6.9.10

Sobre as Igrejolas

Abriu uma "igrejola" perto da minha casa. Os cultos que se realizam lá, dos mais pentecostais, têm seu som propagadado por toda a área atravéz de um microfone ligado no máximo. É óbvio que incomoda todo mundo.

Bem, mas o que vem a ser uma igrejola? Eu tenho uma dedução para essas mini-instituições evangélicas, quase sempre radicais e pentecostais ao extremo: uma fusão entre o saudosismo pentecostal, o coronelismo tupiniquim típico e a fúria evangelical.

As Assembléias de Deus, que formam ao redor da Convenção Geral a maior igreja pentecostal do Brasil(da qual o eu sou membro), por muito tempo se manteve num regime fechado de costumes excêntricos (os famigerados "usos e costumes") e de cultos pentecostais dos mais extremados. Atualmente, as coisas estão mudando, embora haja não poucos focos de resistência dos pentecostais mais conservadores.

Mas essa mudança de paradigma, que felizmente já percebo onde congrego, tem deixado revoltados grandes grupos de pentecostais conservadores, que acabam por fim desvinculando-se da AD e formando sua própria instituição eclesiástica. Essa é uma das origens das igrejolas.

É interessante notar que tais mini-instituições eclesiásticas costumam ser um pequeno grupo de pessoas em torno de um ou mais líderes carismáticos. Sem os orgãos de uma instituição tradicional, eles se vêem livres para exercer uma verdadeira autoridade despótica, reclamando para si o título de "ungidos". É claro que não são só as igrejolas que apresentam isso, já que vemos essa característica até aqui dentro. Esse é o coronelismo, tendência comum no Brasil de autoridades despóticas e locais controlarem as coisas.

A fúria evangelical parece ser mais um igrediente nesse fenômeno. O Evangelicalismo está seguindo uma tendência iniciada no século XIX, mas que atualmente parece estar no ápice: a corrida pelo evangelismo. Métodos empresarias, que objetivam números mais do que qualquer outra coisa, têm assolado a estrutura das igrejas no Brasil. Evangelismo é fim em si mesmo, não importa o meio para tal, seja transmissões abusivas na TV aberta, seja alianças políticas, seja artistas gospel. E as igrejolas, em virtude disso, são vistas com bons olhos. São forças a mais no evangelismo, não importa suas características.

Mas que ninguém se engane: igrejolas significam grupos isolados de pessoas presas em costumes excêntricos e nas mãos de líderes despóticos. Eles dificilmente misturam-se com as outras pessoas, e possuem um linguajar poluído de religiosidade. Pergunto-me se isso vale o evangelismo. Pergunto-me, se deixar grupos de pessoas escravizadas é o preço para "ganhar almas" para Cristo. Pergunto-me se a existência de mini-instituições eclesiásticas francamente envolvidas na poluição sonora, e portanto na perturbação de uma sociedade, é um realmente ganho para o Reino do Eterno.

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