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12.11.10

Cidadania e o Texto de André Silveira

André Silveira é um jurista e escritor no jornal Folha Guaibense, um dos três jornais que circulam na nossa querida cidade de Guaíba. Conversei a primeira vez com ele quando pedi ajuda para fazer "alarde" dos meus olhos grandes na câmara dos vereadores. Na ocasião entrei no blog dele: transcendenciajuridica.blogspot.com. Outro dia fui surpreendido com o comentario dele num post falando que seu texto na Folha dessa semana era sobre política.

Como não estou lendo os jornais de Guaíba ultimamente por estar morando em Porto Alegre, nunca ia saber sobre o assunto atual da coluna dele se ele não me avisasse. Mas como ele disse, prontamente comprei o jornal para dar uma olhada.

Aqui fica meus comentários, que não são só comentários sobre a coluna, mas comentários sobre o assunto em geral, que podem ser [os comentários] inclusive mais abrangentes.

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Quando agente visita uma cidade turística [Gramado, por exemplo] não vê ninguém botar lixo nas ruas. Quando alguém vai a Europa é a mesma coisa. Quando alguém visita um lugar limpo, bonito, agradável, sente vontade de preservar, cuidar, fazer com que permaneça nesse estado de limpeza e paz.

Esses mesmos alguéns, quando saem de Gramado e voltam para suas cidades natais [Porto Alegre, por exemplo], largam bitucas de cigarro e papel de bala no chão, mesmo estando com a lixeira do lado. Gente pouco instruída, que faz desordem onde todos fazem desordem, mas que se sente intimada a contribuir para a ordem de um lugar de ordem por perceber que todos contribuem.

Meu irmão, num post há algum tempinho no blog dele, comentou sobre um cara que soltou com naturalidade um papel de bala no chão. Nesse mesmo post ele fala de um caso que eu presenciei de uma mulher que, estando ao lado da lixeira pública, não foi capaz de colocar o cigarro na lixeira, largando-o no chão.

Outro exemplo desse tipo de comportamento 'bipolar' de um mesmo grupo de pessoas: aqui em Guaíba temos a rodoviária na beira. A rodoviária é talvez o lugar mais vergonhoso que existe no centro da cidade. Um prédio velho, caindo aos pedaços, fedendo a mijo, recantado (e não requintado) ao lado dos camelôs (que talvez seja o segundo lugar mais vergonhoso do centro da cidade), isolado e abandonado. Como é de se esperar, na rodoviária pega-se ônibus e viaja-se principalmente pra Porto Alegre, Barra do Ribeiro e Sertão Santana.

Contrastante com isso existe o terminal do Fátima: um terminal de ônibus bonito, bem cuidado, moderno, que tem até aquelas geladeiras da Coca-Cola em que tu põe umas moedas e tira uma latinha (alguém sabe o nome daquilo?). Os mesmos vândalos que deterioraram a rodoviaria (e deterioram hoje: não duvido que aquele lugar imundo, podre e escuro sirva de refúgio para usuários de drogas e afins) são os "cidadãos" que, conhecendo o terminal do Fátima, não o destroem, mas deixam-no intacto, como que com uma áura anti-marginais.

Mas, por que alguém destroi isso e deixa aquilo intacto? Qual a relação entre o vandalizado daqui e o bem cuidado de lá?

Ao que me parece (e isso é uma tese, uma teoria), as pessoas são sugestionadas a destruir aquilo com que não se identificam. É a história classica dos dois significados do "público": pode ser "de todo mundo" ou pode ser "de ninguém". Se é "de todo mundo" significa que é meu, e como eu gosto das minhas coisas, não destruo. Se é "de ninguém" significa que 'to cagando pra essa bosta' e posso quebrar tudo.

Gramado é uma cidade turistica e ninguém quer que deixe de ser. Quando as pessoas vão lá, admiram o ambiente e 'se identificam com ele'. Portanto não destroem. Mas, o que dizer de Guaíba? Aaah, 'grandes coisa, não tem nem Mc Donald's', já ouvi gente dizer ¬¬

Por esse tipo de comportamento que eu sou a favor da volta de uma disciplina que os militares fizeram o favor de colocar em nossos curriculos escolares: educação moral e cívica. Sou a favor também de que nossos alunos cantem o Hino Nacional no início de cada aula, estudem em tempo integral e, caso não cumpram esse período, sejam detidos por 'vadiagem'.

Tá, alguém vai dizer "utopia!". Discordo. A única dificuldade é a de se ter escolas em turno integral. Tirando isso, o resto é facil de implantar =D

Só com patriotas, ou seja, pessoas identificadas com o ambiente, a cidade, o estado e o país, teremos um futuro descente. Podemos ter patriotas mal instruídos, mas, como patriotas, não deixarão de ao menos tentar fazer o melhor na hora de escolher os políticos, na hora de participar de alguma atividade social em favor ao próximo, na hora de lutar pela utopia de suas mentes.

A minha utopia é essa. Que todos tenham oportunidades semelhantes e estejam interessados no futuro do próximo. É o mínimo que eu posso esperar dos meus políticos.

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 Especificamente sobre o texto do André:

Concordo contigo no ponto central. Político que é político tem que fazer valer a Constituição. Não só fazer valer letra por letra, como alguns fazem, aproveitando as 'lacunas' para se beneficiarem; mas pegando o sentido real das leis e aplicando-as para o bem do Povo [foco principal].

Cara, como diz o gaucho, 'não podemos se entregar pros homens'; não desmerece teu poder de transformação que tu tens nas mãos como colunista de um dos únicos jornais da cidade. Tua investida é mais forte que a de qualquer outro guaibense pois o que tu fala ecoa nas páginas para todo mundo ler. É mais do que eu ou qualquer outro pode fazer para lutar contra o poder dos encastelados.

Quanto o guaibense pode ganhar se houver um poder de mobilização em favor da barca, por exemplo, ou de um meio de transporte mais eficiente que os "maravilhosos" ônibus da Guaíba. E isso é só um exemplo.

Mostra a cara, vai a luta, mete bronca, que tua voz vai longe e com certeza pode ser ouvida pelos leitores da Folha.

Enfim, eu queria de novo, mostrar o vídeo sobre o sistema da Suécia, onde os políticos ficam em condições mais "equiparadas" às dos cidadãos comuns. Clique "aqui" para ver. Queria ver se algum vereador de Guaíba se dispõe a trabalhar nessas condições (que não são nada surreais).

Paztejamos
e eu vou dormir que já é uma da manhã

Um comentário:

  1. Boa tarde Jean, gostei muito do que escreveu, inclusive dando tuas opiniões, é isso que move o país, a participação e fiscalização de todos, com opiniões de vários tipos, não podemos nos deixar guiar pela mídia apelativa.
    Sobre a política pode ter certeza que sempre darei meus toques, sou um grande defensor da ética em qualquer esfera da sociedade, é disso que precisamos.

    Obrigado pela atenção e continue me acompanhando!

    Um grande abraço.

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