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21.11.10

Pecado, Santidade e Liberdade

[Esse post tem como grande influencia coisas acontecidas comigo ontem e dialogos com alguns amigos (principalmente o Duilio), mas não se limita a isso.]

Segundo o Duilio, que estuda Teologia, uma das partes centrais da religião é aprender a lidar com a culpa. Por isso, talvez, os ateus consideram as pessoas religiosas "fracas", por precisarem "pedir desculpas" a alguém.

Não tinha olhado por esse enfoque ainda. Na verdade, quando esse comentário do Duilio surgiu eu vinha dizendo que, por estar meio afastado do sistema eclesiastico (não estou indo muito a igreja ultimamente, só quando precisa cooperar... até tenho que estudar e etc, mas é principalmente porque não sinto vontade. Só estou participando de coisas que gosto e que são uteis, como a aula de música e ensaios em geral. Enfim, coisas que eu considero que "constroem"), estava aprendendo a viver sem culpa.

Eu vinha comentando que por não ir a igreja tanto, não estava 'envolvido' naquele 'ambiente' cristão em que as pessoas oram, leem a Bíblia e falam "benção", "paz do Senhor" e "amém". Por causa disso não estava lendo muito a Bíblia e não tinha um horário definido pra orar (por relaxume mesmo, o que é ruim). Mas, como esse ambiente define muito bem coisas que devem e não devem ser feitas, sob a pena de ser (ou no mínimo se sentir) 'culpado', estava ficando desacostumado com a culpa: mais livre pra fazer, pensar e agir conforme minha própria cabeça, sem a influencia subjetiva do "não eclesiastico" de sempre.

Mais tarde em outro dialogo, influenciado por coisas que não convém dizer aqui, estávamos falando sobre santidade e de como a igreja tem distorcido a idéia de ser "livre com Jesus".

As vezes escutamos discursos na igreja que nos sugerem que "não nos entregamos o suficiente pra Deus" e que nos dizem que "não sentimos tanto o 'agir do Espírito' em nós por nosso desleixo espiritual".

Como já fiz em um email que mandei pra minha mãe e que ela reenviou para uma lista de amigos dela (o que me colocou em algumas situações 'inusitadas' - cito-o aqui porque ele ficou meio 'publico'), reafirmo a minha opinião de que o "agir do Espírito não se limita ao nosso emocionalismo".

Mas sobre a santidade, queria deixar a minha opinião:

a)O que define a santidade? Existem graus de santidade? Existem pessoas mais 'espirituais' que outras?

- Se a santidade é definida por nossas atitudes, como orar tantas horas por dia ou ler tantos capítulos por dia da Bíblia, nossa santidade é definida por nossas obras e se assemelha a lei. Se é assim, o 'grau de santidade de alguém' é definido com 'o quanto mais próximo da lei alguém pode chegar'. Ou seja, quanto menos pecamos, mais nos aproximamos da lei.

Precisamos então decidir se o que nos afasta do cumprimento da lei é a frequencia dos nossos pecados ou se existe ainda um parâmetro que define a "classe" (ou tamanho) do nosso pecado - como alguns dizem "pecadinho ou pecadão".

Eu gosto de Romanos 7 pra falar do assunto. A lógica de Paulo é bem simples: se não fosse a lei não saberia o que era pecado; vindo a lei, descobri. Mas tento tento tento cumprir a lei e não dá... tem que haver outro jeito... Óbvio, Jesus! =D

Por mais que esse comentário pareça desnecessário, visto que qualquer um para quem eu perguntar na igreja vai me dizer 'religiosamente' que "a lei mata" e que "só Jesus salva", esse mesmo um possivelmente viva no tormento (as vezes personificado) de "eu não oro suficiente", "eu não leio a Bíblia o suficiente", "eu peco assim assim assado" ou "eu não faço isso ou aquilo que deveria fazer".

[exemplo disso é que há algum tempinho atrás os jovens da minha igreja foram obrigados a cancelar o futebol semanal, que juntava jovens de diferentes congregações e que poderia ser 'catalisado' para algum bom ideal - como, sei lá, usar esse interesse por futebol para ensinar esporte para crianças carentes: usando a idéia de que criança que joga bola não vai pro crack -, porque foram confrontados com a lógica "oração primeiro, diversão depois"... como se os dois não pudessem ser conciliados.]

ESSE TEXTO NÃO SE RESUME AO ÚLTIMO PARÁGRAFO!! (essas letras garrafais em cores vibrantes são necessárias pra evitar que interpretem meu post de maneira fechada, como fizeram em outro post)

Essa lista de "designios atormentadores" é o que a religião faz e o que eu, como disse no começo do texto, estou conseguindo gradativamente me libertar.

Chegamos enfim a conclusão de que precisamos nos livrar desses conceitos de "graus de santidade" e "santidade de X > santidade de Y". Os santos são os crentes, os que creem em Jesus e o aceitam como Senhor e Salvador. Essa é uma conclusão importante, porque as vezes temos o pastor, ou o lider da mocidade, ou o obreiro A ou B, uma pessoa mais santa que agente, com uma espiritualidade desenvolvida, que é necessário estudar a Bíblia e orar muito tempo para alcancar aquele nível, mas que na verdade são gente como agente, com seus conflitos, desconfianças e erros.

Concluindo com um comentário que pode deixar muito crente encomodado comigo: ficar orando 8 horas por dia de joelhos pode ser PERDA DE TEMPO! Como eu vi um bom comentário de ateu outro dia, não existe nada mais construtivo no mundo que parar de ficar ajoelhado pedindo pra Deus fazer X ou Y e ir lutar de verdade por isso. É fato que algumas coisas não estão dentro do nosso controle, mas se abster das coisas que estão sob nosso controle é burrice.

Paztejamos

3 comentários:

  1. Oii, amigos do Entrada Proibida
    Achei o texto maravilhoso, e sendo espírita, tenho uma visão parecida com o que escrevestes sobre a Igreja Católica e seus afins.
    Deus, o Senhor, está nos nossos atos de bondade e solidariedade com o próximo, não apenas nos momentos que oramos pedindo auxílio.
    Ele gosta muito mais de ver nossa bravura, lutando pelos nossos sonhos, do que ver um de seus filhos orando o dia todo pedindo ajuda Divina. Fé é algo que se tem para o bem, para o amor, para a igualdade, não para cobranças e ordens, sentir-se culpado. A fé não está no seu cabelo comprido, na sua saia até o tornozelo. Deus não se importa com isso. Quer que a gente cresça com nossos atos, espírito e mente.
    Continue questionando sua religião, não aceite tudo, apenas veja se aquilo realmente é necessário para que se tenha uma vida digna.
    E o que significa pastejamos? :)
    Boa semana.
    Equipe Blog Erva Mate.

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  2. Oi Érica =D
    Legal te ver por aqui.

    Na verdade não estou falando da Igreja Católica e sim da minha, a Assembléia de Deus, igreja evangélica pentecostal a que faço parte.

    Mas é estendível para todo o conjunto cristão eu acho [não é um argumento específico].

    Eu na verdade não entendo muito bem de espiritismo, então não sei até onde concordamos (meu pai é espirita, mas não temos muito contato pra eu ter aprendido alguma coisa).

    Sobre o 'paztejamos': esse blog é (por questão de estatistica, não que seja uma regra os membros serem assim) composto apenas de assembleianos. Nas nossas igrejas o pessoal tem o costume de se cumprimentar com "Paz" que é uma contração de "a Paz do Senhor": uma forma de 'saudação'.

    "Paztejar" é uma fusão comica das palavras "Paz" e "ter". Significa "ter paz"... mas de uma maneira cacofonica que fica parecida com "pastar". É besta e caipira, por isso eu gosto xD

    Por isso, sempre termino os posts assim :P

    Paztejamos

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  3. Ai Jean, faz tempo que eu via esse texto e não lia. Agora que finalmente consegui ler, noto que estamos pensando cada vez mais próximos XD

    Eu também estou um tanto afastado da vida eclesiástica, e estou vivendo assim, sem o neura da culpa de não ter orado o suficiente, de não ter lido a Bíblia o suficiente, de não ter ido na reunião o suficiente, etc. A nossa fé deve transcender essas coisas. Já que não cremos em uma ideologia escrita mas numa Pessoa, Cristo.

    E quanto a Érica Tomazi, sintimos prazer em sua visita aqui, e felizes de termos encontrado pontos comuns nas idéias.
    Um grande abraço

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