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20.12.10

Confissões de um ex-iconoclasta

Há uma porção de "apóstolos" por aí. Na TV, nas revistas, nos prédios enormes de mega-igrejas. Talvez nunca tenham sido tão abundantes. E, nessa época, eles devem estar espalhando seus "abençoados" estudos sobre o "verdadeiro significado" do Natal por aí, pelos quatro cantos do país.

Árvores de natal já não serão montadas em vários lares; os presentes perderão o sentido; e o Papai Noel, coitado, será perseguido feito herege blasfemador, acusado de querer tomar o lugar de Cristo. Ainda bem que ele tem um treinó voador.

Eles condenam o Natal. Eu também já condenei o Natal.

Há algum tempo atrás, fiquei obsecado pela idéia do cristianismo primitivo. Estudei muito sobre aquele amanhecer da fé, dos apóstolos e dos primeiros mestres. Queria abolir e perseguir tudo que não dissesse respeito àquele amanhecer. Que houve meio-dia, entardecer, anoitecer, novo dia, não queria saber! Queria apenas o amanhecer.

E, por essa obseção, que me fazia jogar fora quase dois mil anos de história, vi no Natal um potencial obstáculo à fé que queria defender. Por não encontrar nem àrvore de natal, nem bom velhinho de treinó na Bíblia, os considerei conspiração pagã do tio Constantino.

Esqueci-me de minha infância, dos presentes que recebi. Esqueci-me das fábulas. Esqueci-me dos sonhos. Esqueci-me de viver.

Meus amigos, entretanto, perseberam minha doença, e me alertaram sempre que se deparavam com minha iconoclasta loucura. Mas ainda não surtiam efeito suas admoestações em mim.

Até que um dia, assistindo ao filme "As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa", vi as quatro crianças heróicas receberem a inusitada visita de ninguém menos que o Papai Noel, que como sempre aparece distribuindo alegremente seus presentes. Não sei como descrever o que senti, mas só sei que lá estavam somente crianças e Papai Noel. O domínio das fábulas de seu contexto que C.S.Lewis fez, a ponto de com eles dialogar com o expectador, convenceu-me que estava errado.

O Natal, tal como muitos outros elementos, foi gradativamente sendo construído, ao longo da história do Cristianismo. Vários povos e várias culturas foram dando a sua contribuição, para que essa grande cultura se formasse.

No momento em que a atacamos, estamos atacando toda a história e vivência que ocorreram até aqui. Insistimos sempre que os passos só foram certos no período inicial, sendo depois só passos tortos foram dados, até que finalmente tiveram a luz de fundar minha denominação e os passos certos foram dados...

O uso abusivo do título de apóstolo por líderes empresariais-religiosos dos dias de hoje só vem confirmar o quadro: ao se dizerem apóstolos, parece que estão dizendo que toda a história do Cristianismo, até agora, foi errada. E que, a partir de agora, eles irão reconstruir-la sem tradição, sem história. Somente com sua "iluminação do Espírito", que os fará interpretar as Escrituras da maneira correra, sem nenhuma influencia externa. E enquanto essa tolice prevalecer, o Natal irá perder.

E, a propósito, feliz natal a todos!

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