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26.1.11

Em Crise

Fico triste com a minha falta de futuro. Sou inteligente, bonito, saudável e pobre. Pobre por, talvez, opção. Ou por não saber o que fazer da vida. Só sei que estudo e acham que de mim vai sair alguma coisa. Que decepcionante.

Minha namorada diz que eu tenho que achar alguma coisa que me dê prazer. Pra ela é ler. Por ela, passa o dia lendo. Lê um livro numa sentada. Lê durante a noite e até de madrugada.

Eu passei pela filosofia, com cadeiras na economia, no direito, na matemática, na computação até cair na física. Eis a física. Um 'caminho', alguma coisa de que eu talvez goste, mas que ache cansativo e frustrante. Pelo menos aprendi sobre a ciência e de como ela pode ser 'porca'. Fazem cada coisa, enjambres máximos. Aprendemos a 'acochambrar' os cálculos, os pontos experimentais, desde as primeiras cadeiras.

A Física pode me dar algum futuro, talvez. Quem sabe ser professor é bom. Mestrado talvez, mas com o meu desempenho e esforço durante a graduação, muito pouco provavel. Talvez improvavel.

Ser professor me dá alguma perspectiva, me interessa porque me ajuda a pensar que estou construindo um futuro melhor. Que estou sendo útil, mudando o mundo, essas coisas. Gosto muito MUITO da idéia de ser professor. Mas os meus mais próximos me dizem que eu não tenho cara de professor... tenho cara de que então?

Ela - minha namorada - disse que trocaria e trocaria de curso até encontrar o que eu gosto e tenho prazer pra fazer. Mas não funciona assim, tenho que terminar alguma coisa. Já comecei coisas demais. Tenho que tomar um rumo, um sentido, seguir o fluxo, me formar pra ser alguma coisa.

Diploma de físico é o meu futuro, mas trabalhar com música seria o máximo. Não sou o melhor músico do mundo, mas adoro ADORO dar as aulas de música. Garanto que meus alunos também não me acham o máximo, devem me achar um crianção dando aula pra outras crianças, como se eu tivesse a idade deles. Não tenho, cresci, mas só de corpo, a mente continua enjaulada no amplo e vago mundo das infinitas possibilidades, de onde talvez eu não saia, fique em transe, até conseguir alguma coisa que me mantenha existindo pra poder fazer aquelas coisas que de fato eu goste de fazer - mas que não dão sustento nenhum.

Exemplo desse tipo de coisa é discutir. Como eu gosto de discutir, debater, conversar. Minha namorada disse que inveja minha criticidade. Deveria ser político. Mas se não administro minha vida, quem dirá a dos outros. Talvez a dos outros seja mais facil por não haver tanta pressão. Mas só com pressão pra eu chegar lá, destronar as familias encasteladas. E a vanguarda sempre será vanguarda. Aqueles que me apoiarem hoje vão me esculhambar amanhã. Melhor não. Como diz Raul "pode ser que eu seja eleito e alguém pode querer me assassinar".

O caso é que, no ambito 'vida real', eu sou um fracasso. Tenho tudo pra me apoiar, menos a mim mesmo. Tenho uma familia bem constituida, uma namorada perfeita, uma condição de vida razoável (não falta nada aqui em casa e ainda sobra algum). Só não tenho meu próprio empenho em me virar bem. Tomara que algum dia eu cresça, ou alguma moda que eu inventar vingue. Porque das minhas modas eu também gosto, mas só eu, mais ninguém.

Enquanto o tempo passa passo o continuar da minha vida escrevendo nesse blog. Quando ele tiver 10 anos vou ver esse texto e rir. Ou me lamentar por continuar sendo um nada.

Paztejamos

Um comentário:

  1. O engraçado é ver que aparentemente isso foi despertado em nós dois da mesma forma, sendo a faculdade um catalisador. Para mim, que sempre gostei do rigor dos cálculos, vejo que Engenharia Química era uma coisa tão inimaginável quando eu tinha 7 anos quanto agora.
    Num primeiro momento pensei em escrever algo que te confortasse e desse ânimo, mas... Acho que você precisa passar por isso. Esse misto de desilusão, cansaço e confusão faz parte de todo processo de amadurecimento (e quando digo isso, é bom que fique claro que passamos por vários durante toda a vida). É nessas horas que devemos deixar tudo no "piloto automático" e parar de planejar tanto as coisas. Isso é positivo, ao contrário do que parece, pois nos abre novas perspectivas.
    Desejo-te o melhor.

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