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25.2.11

Retiro de Carnaval OMG


[Se tu és um crente fundamentalista com pensamento cerrado naquilo que o regulamento interno da tua denominação estipula, peço que não leia isso. Adverto que vai encomodá-lo muito. Qualquer passo a frente é por conta própria - e, como tu dirias pra mim sem pestanejar, "todas as coisas me são lícitas mas nem tudo me convém"]

Qual o objetivo de ir num Retiro de Jovens? Qual o objetivo da igreja ao promover esse tipo de evento?

Devo eu criar uma "expectativa" para a "ação do Espírito Santo" no Retiro? Nesse caso, devo considerar que o Espírito Santo age de maneira "especial" no Retiro? Devo esperar que a "ação do Espírito Santo" no Retiro faça de mim diferente, melhor, ou mais 'divinamente inspirado para alguma coisa' durante o ano, ou depois do Retiro?

Pretendo, com esses posts, expor a minha idéia quanto a toda essa lógica de idéias.

Em primeiro lugar: retiro de carnaval é um retiro de jovens, local para a gurizada se divertir, estar entre amigos e, como o retiro é um retiro cristão, aprender da Bíblia. Não sou contra gincanas, mas não gosto muito delas. E a vantagem das gincanas é que de alguma forma pode-se usa-las para que aprendamos da Bíblia (além de que ganhar é sempre legal... apesar de perder nem sempre ser).

Eu pessoalmente sou da ala da bagunça. Então não gosto de nenhum excessivo controle (como 'determinar a hora de dormir', por exemplo). Sempre burlei essas regras junto com a minha "gurizada" - um pessoal que não está mais unido, foi disperso entre várias congregações e igrejas por diversos motivos.

Na primeira vez que fui num retiro, foi na Luterana, gostei de um sistema que na Assembleia de Deus nunca foi adotado, infelizmente. Trata-se de definirem-se equipes, com número igual de membros, e cada equipe ficar responsável por determinado serviço. Então, por exemplo, a Equipe Amarela fica responsável pelo almoço, a Equipe Azul pela janta e a Equipe Vermelha pela limpeza. Depois vai alternando e todo mundo faz uma coisa pelo menos uma vez.

Segunda coisa é sobre o objetivo da igreja: acho que o objetivo da igreja ao fazer um retiro é proporcionar uma atividade prazerosa para integrar os jovens e abrir espaço para discussão da Bíblia. Mas não para aí. O espaço do retiro pode ser preenchido com palestras, por exemplo, que ensinem coisas práticas para os jovens, não com a pretensão de "comunicar uma verdade indiscutivel" mas com o objetivo de incitar que os jovens pensem sobre suas próprias atitudes.

Nosso retiro, apesar de algumas discordanças minhas em relação a conclusão, é bem rico nesse aspecto (de palestras). Tem bastante palestras e os jovens tem espaço aberto pra contrapor e perguntar o palestrante (apesar de só os caras-de-pau terem efetivamente essa chance xD).

Quanto a 'integrar os jovens', existe um problema meio 'político' entre as lideranças eclesiasticas locais (os "encarregados das congregações") que aparentemente barra essa tentativa de integração. Por causa disso, cada setor tem o seu retiro, o que é algo horrivel. Sinal bem claro disso é que esse ano ao invés de a congregação Sede fazer um retiro junto com algum setor da cidade, resolveu integrar com jovens láááá de Gravataí, coisa muito mais homérica.

Agora sobre a questão que eu considero mais importante: o retiro não é um evento de que se "crie expectativa". O Espírito Santo não faz "mágica" conforme a expectativa dos retirantes e mesmo que haja 'rebuliço', ele provavelmente não vai mudar o comportamento das pessoas 'magicamente'.

E eu provo isso com o que chamamos em lógica como "prova por absurdo": pressupõe-se que essas coisas sejam verdadeiras e demonstra-se como isso implica em contradição.

Eu vou fazer a minha profecia e descrever o que vai acontecer no retiro de jovens esse ano. Não é preciso ter dons espirituais para conceber o que eu vou dizer. Basta ter frequentado dois ou mais retiros para tirar essa conclusão. Funciona assim: pessoas são 'incitadas' a terem 'espectativa' quanto ao retiro. Aí chegam lá esperando alguma 'ação divina especial'. [acho, aliás, isso bizarríssimo, na medida que isso acaba por fazer com que o crente tenha uma fé que 'viva de evento', já que não se sustenta de maneira uniforme, constante, necessitando de um 'baque impactante' periódico.]

No primeiro ou no segundo culto já acontece o esperado: depois da pregação as pessoas se emocionam, vão a frente chorando e orando, começam a falar em linguas (cada um por si), vira uma barulhada, uma choradeira, um emocionalismo e eventualmente até rola umas profetadas do tipo "Deus ta levantando jovens aqui nesse retiro" ou "Deus vai fazer milagre em 2011" ou "Essa é a geração eleita, os jovens de valor que Deus ta trazendo". Bla bla bla e quando todo mundo voltar pra casa vão dizer "Deus fez muito por nós nesse retiro", mas continua tudo igual. As pessoas podem até ficar uma ou duas semanas mais "crentes fortes" (significa que se enganjaram na luta religiosa de "fazer aquilo que esperam que se faça"), mas como é muito rigoroso e conscienciosamente prejudicial ser assim (o fardo de "não conseguir fazer aquilo que se espera que se faça" é grande demais e muito pesado), logo elas voltam ao normal.

Chegamos a conclusão: todo mundo acha que Deus agiu no retiro, mas não consegue ver na prática a suposta ação de Deus. Claro! Porque não é assim que Deus age.

[Não duvido que hajam excessões porque Deus é soberano e bem humorado o suficiente pra tratar individualmente com cada um e conceber que talvez um ou dois de nós precise de um 'evento especial' pra tomar um rumo mais santificado, mas essa não é a regra.]

Deus deve ser tratado de maneira mais 'mistica', como alguém que nos ensina valores dia após dia, nos faz crescer com nossos erros e acertos e nos faz mais constante, virtuoso, sério, conforme temos experiências cotidianas onde conseguimos, através delas, vÊ-lo. Ele não é um artista de circo que tira "coelhos da cartola" ou "crentes santos do retiro". Jovens que brigam com os pais podem facilmente participarem de orações e choradeiras e, ao voltar pra casa, continuarem a brigar com os pais, porque o problema não foi combatido. Viver nessa 'anestesia' religiosa que chamam de 'unção' parece uma tentativa de fugir da realidade e tentar, dentro dos não-pode religiosos, participar de uma 'diversão santa'.

Por fim, por muito tempo fui um gurizão chato que criticou o retiro, não por questões teológicas, mas porque achava o preço muito caro, ou as camas ruins, ou que não valia a viagem, ou que isso ou que aquilo. Era chato mesmo, só por implicancia. Algumas das coisas de que eu falava ainda valem [como por exemplo questionar o porquê de os líderes, apesar de pagarem o mesmo valor que o resto, ter um lugar 'privilegiado' nas instalações - se é lider tem que estar no meio do resto, não 'montado no cavalo' acima dos outros], mas hoje meus questionamentos são mais sobre a essência do evento, coisas que podem de fato serem melhoradas (apesar de as minhas demandas de guri também poderem, de certa forma, serem atendidas).

Não quero que me odeiem, não critico de pirraça, não tenho medo de dizer o que penso, não sei ser puxa-saco, não adoto comportamento institucional cego e não me importo de pagar as consequencias pelo que digo.

Paztejamos

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