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10.3.11

Crente pode fazer terapia?

Muitos se questionam por que um cristão, alguém nascido de novo, regenerado pelo Espírito Santo, precisaria de terapia; afinal de contas, a obra de Jesus não é completa? O sacrifício dEle não é suficiente?
Gostaria de aproveitar este espaço para esclarecer algumas dúvidas referentes a este assunto, e espero que isso seja libertador para muitas pessoas. É certo que a obra de Jesus é suficiente, no entanto, ela não acontece da mesma forma em todos, e nem ao mesmo tempo em todas as dimensões de uma mesma pessoa. Somos um ser trino (corpo, alma e espírito). Ao nos aproximarmos de Deus e aceitarmos a salvação em Jesus, reconhecendo assim que somos pecadores, nosso espírito, que estava morto, volta a viver. Quanto a nossa alma, porém, a restauração não é instantânea. Trata-se de um processo. Se tomarmos uma das definições de alma, como sendo a sede de nossas emoções, perceberemos que há muitos cujas almas estão aflitas, tomadas por emoções como culpa, mágoa, ódio, inveja, entre outras. Nossas igrejas estão cheias de salvos feridos, que têm o melhor de Deus, mas que não podem usufruir disso por conta de problemas emocionais. Pessoas que sofrem e que o fazem em silêncio, porque têm medo de falar de suas feridas e serem rejeitadas. Outras, talvez, pensem que não são tão salvas assim, porque não conseguem vencer as dificuldades. Parece que a igreja aceita a saúde espiritual - a salvação pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo; também aceita a saúde física - por meio do médico ou pela cura divina; no entanto, quando se fala em saúde emocional, ou a falta dela, e a necessidade de se buscar ajuda especializada (psicólogo ou psiquiatra), muitos alegam que a pessoa precisa orar mais, ler mais a Bíblia ou que precisa ter mais fé. Não há dúvida de que tudo isso é necessário, porém nem todos conseguem lidar sozinhos com essas dificuldades. Somos seres de relacionamento, e se é nos relacionamentos que somos feridos, é também nos relacionamentos que somos sarados. Além de nosso relacionamento com Deus, precisamos também nos relacionarmos com "pessoas de carne e osso", precisamos sentir o amor e a aceitação delas, precisamos de orientação e escuta, que podem ser encontrados em uma terapia. Se oramos por médicos para que Deus os guie em suas intervenções, por que não orar por psicólogos para que eles tenham palavras de sabedoria para nos auxiliar?
No relato da ressurreição de Lázaro, Jesus opera um milagre surpreendente. Um morto de quatro dias, em decomposição e cheirando mal, ressurge da sepultura. A ordem de Jesus fez com que ele aparecesse vivo, mas não o soltou de suas ataduras. Esse detalhe aparentemente curioso ilustra a realidade de muitos. Gente que recebeu a vida de Cristo, mas continua envolta em panos de morte, sufocadas pelas amarras do passado e reféns de memórias que oprimem e esmagam a vida. Estas pessoas que um dia ouviram a voz de Jesus estão à espera de alguém que as ajude a se libertarem, de alguém que seja capaz de ouvir e cumprir a ordem de Jesus: "Desatai-o e deixai-o ir".


Miriam Ávila, psicóloga

Extraído do informativo "Expressão Cristã", da Assembléia de Deus de Guaíba.

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