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6.3.11

Sobre a minha vida na igreja - considerações e constatações

Atualmente me encontro parcialmente desligado da vida da igreja. Isto quer dizer que, em suma, frequento dois cultos por semana, sem me envolver em atividade nenhuma.
Mas, houve tempos - a alguns anos atrás - em que a minha vida praticamente girava em torno das atividades e eventos da igreja.

Desde os 15 anos, época em que fui batizado e me integrei à comunhão da Assembléia de Deus de Guaíba, procurei com certo empenho participar da "Obra" (as atividades da igreja), querendo fugir do esteriótipo do "crente de banco", o indivíduo desocupado na igreja, tão condenado por sermões vários de pregadores inflamados.

Logo de início, participei do coral misto da congregação, onde servi como baixo. Com o passar do tempo, realizei os ofícios de porteiro, de entregador de panfletos evangelísticos, de discipulador e de auxiliar da liturgia, trazendo as chamadas "palavras introdutórias". Faltar uma reunião me pesava a conciência.

Sempre fui - e ainda sou - um tanto tímido e tipicamente anti-social, o que muito me atrapalhava para o "evangelismo pessoal". Mas de vez em quando, arriscava alguns sermões entre colegas de escola, encontrando resultados variados.

Desliguei-me da "música secular", passando a me contentar com a música gospel, acompanhando com entusiasmo os lançamentos de CDs dos assim chamados "ministérios de louvor".

Tudo isso é o que basicamente o Evangelicalismo professa como vida do crente: que se integre na vida de sua igreja local. Que tenha seu círculo principal de amigos entre os membros da igreja. Que se desligue gradativamente do entretenimento "secular", a começar pela música. Que "fale de Jesus" para seus amigos fora deste círculo.

Entretanto, o que o sistema evangelical parece não prever - e que parece longe - é que todos nós temos uma vida lá fora. Querendo, ou não.
Todos nós precisamos trabalhar, estudar, relacionar-se. E isto não cabe nas quatro paredes. Uma vida presa ao contexto denominacional, às atividades e eventos da igreja local, leva ao emprobrecimento da nossa vida pessoal. Fui aprender isso da pior forma.

É quando tu não sabes mais falar de outra coisa que não seja a igreja e a liturgia. Quando o assunto é música, só lhe vem a mente os "ministérios de louvor" e seus intermináveis "faz chover" e "vêm com teu rio". Falam a ti de livros, de filmes, de narrativas de povos diversos, e você compara com o mundo dos 66 livros da Bíblia.

Eu trazia comigo preocupações naturais com no que trabalhar e com quem namorar, e era aconcelhado pelo sistema a "envolver-me com a Obra", que tudo isso seria resolvido no "tempo certo". Acabei por entrar numa faculdade de Engenharia em Sistemas Digitais, mas como não combinava comigo, quis sair. Fui aconcelhado a continuar, que não era para eu desistir, que Deus abrira aquela porta, e continuei por mais de um ano.

Por fim, resolvi por desobedecer aos concelhos dos líderes, e saí da Faculdade. Hoje, não me arrependo nem um pouco.

Foi me dito a me envolver com as atividades da igreja, a fazer a "Obra", que no "tempo certo" Deus traria a mim a "pessoa certa". Fiz o que me mandaram e, na boa, estou solteiro até hoje. Quando for aconcelhado a "esperar pela pessoa certa" da próxima vez, convidarei o meu concelheiro a sair do pileque.

Comecei a cursar a Faculdade de História. Voltei a desenhar, a ver animes e a jogar videogames - coisas das quais sempre gostei, mas evitara por tanto tempo por julgar "perda de tempo, quando podia estar orando, lendo a Bíblia, indo a reunião, etc". Voltei a escutar a "música secular", a princípio timidamente; até finalmente constatar a minha ilusão com a música gospel, que me cegava para sua pobreza artística. Percebi, aos poucos, que haviam pessoas como eu (o Jean e a Hell, por exemplo).

Fui perceber - talvez um pouco tarde - o quanto estava perdendo. Que não estava vivendo de fato. Meus sonhos, meus planos, tudo estava preso à igreja, a denominação, as suas atividades, as quais tanto ocuparam as minhas preocupações.
Já basta. Já estou cansado de tudo isso. Já estou cansado de lutar pelos sonhos da igreja, da denominação.
De agora em diante, vou atrás de meus próprios sonhos.

Um comentário:

  1. Felipe, essa semana recebi um email que tem muito a ver com esse teu texto:

    http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=02361

    um escrito do Caio Fabio =D o Gilberto me mandou.

    Na tua pequena lista de (dois) 'iguais a ti' podem ser acrescidos muitos, muitos mesmo! Eu to aprendendo a achar eles. São discordantes entre si (já que pensam), mas são relevantes e é bom que possamos procurá-los. Não pretendo citar nomes aqui, mas tenho 'esperança' que o 'envolvimento congregacional'possa deixar de ser a prioridade das pessoas, abrindo espaço pra Jesus e o que Ele pode ser/fazer no nosso dia-a-dia comum (que é o nosso maior testemunho).

    Paztejamos

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