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4.4.11

Retomando o Folego: Quase Pronto pra Retornar

Escrevi há algum tempo sobre o que sentia sobre a igreja, reclamando de como sua burocracia eclesiástica me sufoca. De fato, isso não é novo e nem mudou. Me debati, revirei e sacudi, mas ... isso não é algo que se possa vencer.

Passei por um período meio chato, incomodador (não existe palavra boa para definir isso). Não sabia muito bem em que estava encaixado. Não me sentia bem dentro da igreja, mas não podia (e nem queria) deixá-la, o que me fazia pensar em alternativas. Bom seria trocar para alguma outra placa onde as pessoas supostamente me entenderiam melhor. Ou melhor ainda, convencer a meia dúzia da minha igreja com quem eu concordo a abrir uma placa nova, "perfeita", onde todos os problemas seriam resolvidos.

É óbvio que essas idéias não eram boas. Meu problema surgiria em qualquer outro lugar onde eu tivesse que conviver com gente. O problema é exatamente esse: gente.

Pessoas são diferentes. Ninguém da geração da minha vó acreditaria que jovens cristãos de hoje em dia ficariam em casa assistindo o culto pela internet em vez de se reunir num templo. Jovens, em contrapartida, não sabem como seria o mundo sem televisão, celular e internet. Esse conflito, esse choque de culturas, é terrível de conciliar. Tentamos sempre impor a nossa cultura ao próximo como se tivéssemos a plena razão. Na igreja, por exemplo, os mais velhos acham que tem que cumprimentar os outros com a paz do Senhor e gritar glória a Deus; os mais jovens, por outro lado, querem tocar rock e usar distorção na guitarra.

Nesse ponto preciso agradecer a Deus por algo que eu agora estou considerando importante para minha 'formação cristã': sou assembleiano. Não estou exaltando a placa, estou concebendo que talvez se tivesse me convertido numa placa mais alternativa (como Bola de Neve ou até mesmo a Batista Filadelfia) não conseguiria conviver com os costumes dos mais antigos. Por outro lado, apesar de ter nascido luterano, talvez se tivesse permanecido lá não conseguisse ver com naturalidade os uso dos dons do Espírito Santo. Estou aprendendo agora a compreender e aceitar aquilo que as gerações passadas criaram e convencionaram como tradicional e que, apesar de não implicar na salvação e ser acessórico, deve ser tolerado e incluido no conselho Bíblico de "suportar uns aos outros".

Tolerar, enfim, está entrando no meu vocabulário de maneira mais ampla. Tomei algumas medidas que agora se apresentam muito convenientes (apesar de drásticas) para o meu convívio eclesiástico. Aboli o terno: agora que não estou na banda/orquestra não preciso usar esse maldito traje que tanto detesto e que usava quase todo o fim de semana por ter que cooperar. Estou portanto mais do meu jeito de vestir. Estou tentando encontrar um meio termo entre 'fazer com que os outros se sintam bem com minha presença dentro da igreja' e 'me sentir bem dentro da igreja' - o segundo já não acontecia praticamente por causa do sufocamento burocrático eclesiástico.

Esse fim de semana esteve um pregador do Rio de Janeiro na nossa igreja por ocasião da "Escola Bíblica do Centenário": um tal de pastor Lauri - não lembro o sobrenome, mas parece que era alguma coisa como "Vilas Boas". Esse cara era impressionante: tinha um conhecimento bíblico absurdamente grande, fazendo DE COR citações bíblicas lógicas, consistentes com seus argumentos, de tudo quanto é lado da Bíblia, sempre acompanhadas de suas referências - capítulo e versículo. Além disso ele era gente boa, simpático e conseguia fazer um balanceamento perfeito entre 'ter bastante conhecimento bíblico' e 'tolerar os costumes eclesiásticos'. Ele dava 'glórias a Deus' e 'aleluias', mas não fazia emocionalismo. Pregava a Bíblia sem dizer mais do que está nas Escrituras, sem jargões como "receba" e "vira pro teu irmão ao lado", sem fiasco excessivo e sem arrogancia de quem tem mais conhecimento.

Foi o que eu disse pro Miguel ontem ao término do culto: quando agente começa a aprender mais a Bíblia começa a torcer o nariz pras contradições da igreja e dizer "ta tudo errado". Mas nós somos a igreja e tolerar as contradições dos irmãos com amor faz parte do nosso compromisso. Aprender isso é dificil, mas parece que o pastor Lauri já tinha prática no assunto. E é isso que eu estou começando a tentar entender agora.

Não condenar o maior barulho dos nossos cultos; não condenar um ou outro desvio teológico de uma música cantada ou tocada; não condenar uma interpretação 'engraçada' de determinado versículo que o pregador usou; não condenar as falhas e quedas dos irmãos em determinadas áreas de suas vidas; não contradições e 'esquisitices' em organizações de eventos da igreja. Esses são exemplos de coisas que estou tentando rever.

Estou aprendendo que se queremos mudanças elas podem vir de nós, mas não precisam vir pra já. Temos que levar em conta a contradição daquela irmã antiga menos instruída, que não tem muito conhecimento sobre o contexto Bíblico, mas que leu lá em Corintios que não devia cortar o cabelo e, com toda a força de vontade que Deus lhe deu, guardou seu cabelo contra a tesoura por anos e anos, até que seu cabelo atingisse a altura dos joelhos. Dizer pra ela que seu esforço é bobagem é uma violência contra ela e só vai criar problemas. Se ela faz isso pra Deus, Deus recebe seu esforço de bom grado. Ninguém precisa discutir e brigar por isso.

Outra coisa que me deixou 'intrigado' (e essa é a palavra mesmo) foi o retiro de jovens. Eu não fui e tenho a tradição de contrariar as atividades que acontecem lá. Isso porque de fato tenho lá minhas ressalvas, críticas, 'complicações' em relação ao que é pregado e à metodologia com que é pregado. Mas o que me surpreendeu foi a alegria e satisfação com que um amigo que não frequentava nossa igreja, o Heryk, voltou de lá. Desde o retiro ele tem frequentado nossa igreja, além de ter feito um post no blog dele declarando como foi bom ter ido no retiro. Senti determinada inveja dele. Porque noutros tempos eu era menos preucupado com frescurices ideológicas e estava mais interessado em passar 4 dias me divertindo no carnaval com meus amigos. Dane-se se eu discordo do modelo de culto ou se eu não acredito em tudo que vai ser pregado. É bom as vezes estar desarmado de questionamentos e 'só aproveitar o momento'. É bom as vezes estar de mente aberta para o que há de bom em vez de ficar procurando os defeitos. Aliás, parece que é muito mais dificil encontrar qualidade naquilo onde já se conhecem os defeitos.

O pessoal de Gravataí, com quem eu me abstive de socializar por faltar ao retiro, certamente tem suas próprias contradições - algumas iguais outras diferentes das nossas -, mas também tem potencial para coisas boas: no blog deles, por exemplo, tem uma série de vídeos - na verdade só fizeram 2 até agora - onde os próprios jovens gravam meditações de maneira bem produzida, o que eu considero um alto potencial de evangelismo. Deixo logo abaixo um exemplo desses vídeos:



Enfim. Esse é um texto-balanço. Esse é o resumo do que passou na minha cabeça nos últimos tempos em relação a igreja. Estou aprendendo a tolerar. Aprendi muito, errei bastante e estou aprendendo ainda. Não tenho medo de errar, pensar, mudar de idéia... Estou aprendendo a tolerar. Espero também ser tolerado na minha sinceridade e aprendizado.

Paztejamos

5 comentários:

  1. "se algum dia tu encontrares uma igreja perfeita, não congregue lá, pois você certamente a vai estragar" Minha professora da EBD a pelo menos uns 10 anos...

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  2. Camila, nem Jesus quis os perfeitos, que que eu quero congregando com eles né xDD HEUAHEUAHE

    Ruben, faço coro, glórias a Deus =D por mais que eu não tenha o hábito de dizer isso em voz alta nos cultos, é o meu sentimento sempre =D

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  3. É incrível com às vezes não só pensamos parecido, como também nosso pensamento se desenvolve de maneira similar.
    Estou também aprendendo a tolerar. A perceber que, na verdade, todo esse "sistema" de ritos e tradições consiste na maneira que a igreja encontrou para viver e se manter. Há muito do que se aproveitar do Pentecostalismo.
    Entretanto, não me vejo mais com ânimo neste momento para participar das ativadades eclesiais. Abracei a vocação do "crente de banco".

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  4. Pois é, mas eu acho que é questão de tempo até tu achar que tem que 'ser útil' de alguma forma. Até porque, pelo menos na minha cabeça, cristianismo não existe sem 'obras'.

    O caso é que talvez as 'obras' mais conhecidas - tocar, cantar, ou distribuir panfletos - não te agradem. Eu larguei dessas pra simplesmente ajudar na aula de música, o que eu acho mais 'útil'.

    Eu queria era que a igreja voltasse com madrugadas de sopões ou cafés nas filas do hospital. Quem sabe no futuro agente possa fazer algo assim =D

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