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11.4.11

Sobre os desenhos e os moralistas

Me impressiona até onde vai a estupidez de certas pessoas. No caso, a estupidez moral-saudosista, vinda da boca de pretensos adultos, que imputam para si mesmos o dever de defensores dos bons costumes.

O leitor já deve ter ouvido, vez ou outra, sobre os "desenhos de hoje e sua violência", por exemplo. "Que desenhos violentos e demoníacos, esses de hoje!", "Querem incutir valores depravados nas crianças!", "Não podemos deixar nossas crianças assisti-los".

Pensam que podem fugir do mundo. Em vez de criar seus filhos para enfrentá-lo, os ocultam da realidade o máximo que podem. E, obviamente, não conseguem por muito tempo.

Os tais adultos, parecem que se esquecem da má fama que tiveram os desenhos antigos.
Parecem ignorar a imagem de um Pica-Pau completamente insano, de feitio doentio, desafiando policias e quebrando as leis de trânsito.

Parecem fazer vista grossa a inegável violência da perseguição entre gato e rato vista em Tom & Jerry. Uma perseguição onde não ganha o bem ou o mal. Na verdade, não existe "bem e mal" lá; a vitória é do mais esperto.

Parecem fingir que não existe alusões fragantes de racismo nos velhos desenhos da Warner. Que dizer de Pernalonga e Hortelino, com as faces tingidas de preto, cantando "The Camptown Races" (música popular norte-americana, cuja letra faz chacota ao sotaque dos escravos africanos)?

"Ah, os desenhos antigos eram tão bons e inocentes..." me engana que eu gosto...

Não estou, que fique claro, detratando os antigos desenhos, os quais ainda aprecio. Mas quero que fique bem claro: não existe algo "inocente". Tudo é tendencioso, para bem ou para mal.

Que esses "adultos" cresçam um dia.

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