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30.6.11

Quem matou Jesus?

Em pleno período da Páscoa arqueólogos apresentam um pergaminho com outra versão sobre o comportamento do personagem Judas. Figura essa de quem se carreou a identificação com os judeus milenarmente associados à acusação de deicídio. Essa era uma das questões mais importantes do documento Nostra Etatae (Nossa Época) articulado sob a liderança de João XXIII e que revia as relações católico-judaicas em suas questões mais básicas. E nada mais básico do que a identificação do judeu com o traidor, o desleal e o infiel.

As teologias têm normalmente a função de responder perguntas iniciadas por "por que": o porquê da vida, da morte, das tragédias e das injustiças. No entanto, qualquer teologia produzida a partir do pronome interrogativo "quem" exige cautela. Isso porque para tal pronome a única resposta sagrada e madura é a que evoca os sujeitos "eu" ou "nós".

Quando da destruição do Segundo Templo e da devastação de Israel pelos mesmos romanos que torturaram e executaram Jesus, a teologia judaica se perguntou: "Quem é responsável por tanta destruição?" E para responder a um "quem?" de forma madura tiveram que corajosamente reconhecer: nós mesmos. Foram as próprias iniqüidades e perversidades do povo que trouxeram as destruições e agruras das quais eram vítimas. Em absoluta afinidade com a mensagem profética que cobrava tudo da própria consciência humana, os rabinos lavaram as mãos dos romanos para evitar uma teologia de demonização que só serve para evadir-nos do verdadeiro processo espiritual que é o aperfeiçoamento e o crescimento humano. Não o fizeram como um ato magnânimo e ingênuo de perdão, mas por perceber que não haveria forma saudável de traduzir a tragédia que não fosse assumindo a responsabilidade e evitando a busca da culpa de terceiros.

O pecado original humano é não ter entendido a pergunta que o Criador fez a Adão após comer do fruto proibido. Em vez da pergunta "onde estás?", Adão imerso em culpa pensa tratar-se de uma admoestação iniciada por "quem?". Como uma criança incapaz de assumir a si mesma e seus atos, ele aponta para Eva e esta para a serpente como culpados. Mas a serpente não está fora, muito menos no outro, mas em si. Essa é a função messiânica principal: resgatar-nos a responsabilidade que advém da habilidade de responder sem recorrer a outros culpados, a "quem?".

É chegada a hora de selar essa pergunta a não ser que ela seja respondida de forma teológica. Quem matou Jesus? Nós. Muito em particular todos os cristãos. Quem são os sacerdotes colaboracionistas? Os do Templo, mas em particular todos os cleros que para salvar suas instituições sacrificaram indivíduos que pregavam liberdades religiosas, ideológicas ou científicas. Essa é e sempre será a mensagem messiânica: o fim da segregação e da discriminação que nascem na pergunta "quem?". O culpado dos males do mundo não é o outro, seja o ladrão, o bastardo, a prostituta, o general ou o sacerdote. Quem Jesus perdoa em seu martírio por não saberem o que fazem não são indivíduos ou grupos específicos, mas o ser humano, a humanidade como um todo.

Um bom cristão que quiser confrontar essa pergunta milenar terá que se reconhecer entre aqueles que não permitem a chegada destes tempos utópicos sonhados pela cultura judaica de Jesus. Terá que se responsabilizar mais do que culpar. Terá que resgatar o Adão que pensava a serpente estar no "outro", quando era parte de si.

Há pouco, num debate na PUC, perguntaram-me como seria o Messias dos judeus. Eu então respondi: seria parecido com Jesus. Afinal é justamente um grupo de judeus que há dois mil anos o identificou como tal. Porque o Messias se traduz por um ser amoroso que não precisa culpar para se redimir, que prefere ser ele mesmo o bode expiatório ao invés de ludibriar sua própria consciência achando que o mal está nos outros.

O Messias para os judeus será alguém como Jesus que virá num dia onde as pessoas não terão que culpar esse Messias e matá-lo. Nesse dia, quando não mais se levantar a insidiosa pergunta "quem?", o Messias de cristãos e judeus (e de todos) terá a mesma essência. Afinal, Jesus morre com a única pergunta santa possível. Ele morre com um "por que?" e não com um "quem?".


Nilton Bonder

27.6.11

Marina Silva me Encanta


Estava 'foleando' o Pavablog quando me deparei com um texto que falava sobre o novo código florestal e o programa Roda Viva do dia 13.06, quando Marina Silva foi entrevistada. Não me interessa muito o texto - que era bom, bonito, interessante e explicativo - mas sim os vídeos de Marina.

Toda vez que vejo essa mulher falando me encanto. Outro dia conversando com uma amiga 'de ocasião' no onibus - dessas que agente vê pouco mas quando vê fala coisas a toa - falamos sobre como Marina deveria ter ganhado essas eleições. De fato, fico imaginando como seriam as coisas se, nesse meio ano ao invés da Dilma, tivéssemos a Presidenta Marina. Essa mulher tem uma história tão legal, bonita e é tão inspiradora quando fala e tão coerente e sincera, tão cheia de honestidade, que chega a parecer mentira que existe gente assim na política.

Como dizia o texto que eu citava no começo, vale super a pena abrir um espaço na rotina e assistir o Roda Viva da Marina que pode ser acessado nesse link. Até eu, cuja internet estava superproblemática, tirei um tempo pra ver.

Paztejamos

26.6.11

Não tem sabor de mel!

Em 1740 Jonathan Edward pregava e os cristãos se agarravam aos bancos com medo de cair no inferno.
Em 2010 a Teologia da  prosperidade faz os crentes saltarem dos bancos para tomar posse das bençãos.

19.6.11

O infortúnio da especialização

Guardo, sim, rancor. Uma das decisões mais injustas que tive de enfrentar me apertou quando, concluído o que hoje se chama Ensino Médio, tive de escolher um único curso com o qual me ocupar na faculdade. Aquele bendito manual de inscrição da UFPR, a ficha que preenchi e paguei no Banco do Brasil da Rua XV, exatamente no canto onde se postava a mulher que adverte tão sensatamente olhe a cobra.

Eu era um jovenzinho muito certo da minha indecisão: se há algo que eu não queria fazer era me especializar em alguma coisa, cair de cabeça numa única “carreira”, por mais promissora que se mostrasse.

Não que eu não me interessasse por nada; era exatamente o contrário. Meu sonho era encontrar alguma universidade renascentista que continuasse a me ensinar literatura, física, biologia, matemática e educação física ao mesmo tempo. Escolher uma única área de conhecimento me parecia ao mesmo tempo injusto, difícil e estúpido.

A humanidade demorou muito antes de adotar a idéia infeliz, sugerida por alguma comissão, de departamentalizar o conhecimento. Os gregos especulavam com o mesmo ardor sobre a geometria, a música, a física nuclear, a pintura, a matemática, a retórica, a filosofia e a química. Nos milênios que se seguiram a pluralidade de interesses sempre caracterizou o homem de conhecimento. A meros dois passos do nosso próprio tempo, durante o Renascimento, não ocorreria a ninguém que se desse o respeito cair na armadilha da especialização. Sensato era Leonardo Da Vinci, que percorria com a mesma facilidade os terrenos da pintura, da biologia e da engenharia.

Hoje em dia, como se sabe, tudo que há é especialistas. Não é à toa que quando estamos juntos só nos resta bater papo furado, já que fugimos apavorados diante da possibilidade de encarar qualquer coisa que não diga respeito à nossa estreitíssima faixa de terreno. Somos tão especializados que levaria mais tempo para explicar ao nosso interlocutor sobre o que estamos falando do que ele ou nós estamos dispostos a gastar conversando. E, como se não bastasse, o alvo de cada especialista é especializar-se ainda mais.

Está dito: no que me diz respeito nada há de menos interessante do que a especialização, e o paradoxo está em que é com ela que ocupamos toda a nossa vida – ou nossa vida profissional (que é, naturalmente, a mesma coisa).

Apesar de tudo, é fácil explicar a moderna paixão universal pela especialização: ela é o único caminho mais ou menos seguro para a contratação, e ninguém quer acumular o tremendo risco de não ser contratável. Buscamos ser especialistas porque é apenas com especialistas que, idealmente, queremos lidar. Gostamos de pensar que vivemos num mundo em que “você sabe do que está falando?” vale mais do que “você sabe com quem está falando?”

Por outro lado, gastamos tanto tempo com as facilidades da vida moderna (como o trânsito), que sobra-nos pouco tempo para algo que não seja a especialização – e somente a nossa.

Em retrospecto, todos os meus esforços foram e permanecem canalizados na minha luta pessoal e profissional contra a especialização – e incluo nesses esforços, perceberá o impenitente leitor, esta Bacia. Já me informaram que um blog que se preza não pode querer abracar o mundo; pelo contrário, garantem-me a única maneira de escapar da invisibilidade na internet é a mesma em vigor fora dela: a especialização. Escreva por favor sobre qualquer coisa, mas não escreva sobre tudo – conselhos que me apresso, visivelmente, a desobedecer.

Ao fim dos meus trabalhos, terei reivindicado talvez o direito inalienável de não ser rotulado. As pessoas que mais me intrigam (como o Ivan, como o infame Oliver Sacks, como o inesgotável Farah) são inescrutáveis, lisas como peixes, impossíveis de se classificar com alguma propriedade.

Há aquela história de um homem que foi abordado na praça e alguém lhe perguntou o que ele era. Ele respondeu sou um homem. O interlocutor insistiu, perguntando o que ele fazia, de que se ocupava, o que ele era, e o sujeito apenas reiterou sua posição.

– Você não diz de um pássaro que ele é um cantor. Ele não é o seu ofício; ele é o que é. Um pássaro é um pássaro. Eu sou um homem.


Paulo Brabo

Fonte: A Bacia das Almas

17.6.11

Dor e contemplação

Dói-me de pensar
Que não posso contigo falar
As vitrais te protegem, qual escudo
E eu aqui a admiro, mudo

Dói-me de a contemplar
E não poder te tocar
De não sentir tua realidade
E condenar-me à saudade

Dói-me de na pele sentir
Os pingos da chuva aqui fora
Ela apenas percebe o tinir
Das gotas que batem na vitrine, cada hora.

Dói-me de perceber
A brancura da porcelana, a que chamas “pele”
Essas negras pérolas (seus “olhos”), a resplandecer
A tudo iluminam,a tudo espantam, a tudo ferem

Dói-me, novamente, de pensar
Se alguém possui a chave da vitrine
E tu, a rir de mim, a tudo esnobar
Se por acaso um outro a fascine.

16.6.11

O que a Record e a 4Kids sempre escondeu de nós

O tema original da primeira abertura de Pokémon:



Não sei quanto aos senhores que me lêem, mas prefiro muito mais do que a baladinha "Esse é o meu jeito de viver, quem nunca foi igual..." :D

15.6.11

Uma lição que não se deve esquecer

Animes + Apresentadoras infatis(?) de TV = TOTAL FAIL

Veja o que a Eliana fez com Pokémon:



E a Angélica, com Digimon:




Que jamais nos esqueçamos disso...

10.6.11

Liberdade de escolha versus plano divino

Sinto muito a quem pensa que sua vida está "segura", que crê num "plano de Deus" para sua vida, ou propósito, ou sei lá que nome mais se pode dar, mas isso vai de encontro a liberdade de escolha que nós todos deveríamos ter.

É óbvio que logo se vem com o papinho de que "sim, eu posso escolher; mas vou escolher o melhor de Deus pra minha vida..." e blá, blá, blá. Mas, se já há algo certo, determinado sobre o que se fazer, eu tenho escolha? O livre-arbítrio se torna uma liberdade fingida, onde nós simulamos uma escolha. Não, não dá, me desculpem...

Há tempos atrás, ingressei numa faculdade que nem sabia direito do que se tratava, e matei minhas paixões por meninas da escola. As idéias que eu tinha na época - que Deus desejava que eu tivesse um curso superior, fosse qual fosse, e que eu não devia me relacionar com moças que não pertenciam a minha agremiação religiosa - governaram-me a tal ponto de estudar algo que simplesmente eu não gostava, ao mesmo tempo em que mortificava o meu corpo, não me permitindo relacionamento que não fosse com a "pessoa certa". Não preciso dizer que só quebrei a cara com essas idéias esdrúxulas.

Não pense ninguém que eu superei de todo. Ainda hoje, vivo as consequências de minhas escolhas. Escolhas ruins, que eu joguei para a Divindade, já que eu as chamava tolamente de "plano de Deus".

Não tenho tempo para construir um relacionamento com uma garota. Na verdade, não tenho garota alguma de que goste. Justamente quando estudo e trabalho, ou seja, o tal "tempo certo".

Portanto, não me venham com essas asneiras de "plano", "propósito", ou o que mais vier. Aprendi que, o que faz de um adulto um adulto é a independência em todas as áreas de sua vida. Eu estou recém aprendendo isso, de uma maneira das menos agradáveis.

2 anos do Namoro Mais Incrível do Mundo

[ Incrível - que não se pode crer. É... as vezes consigo acreditar mesmo =PP ]

Como perdi o hábito de postar aqui acabei deixando passar o dia. Foi 5 de junho de 2009 quando eu e a Pri começamos a namorar.

Fala sério, baita sorrisão bonito agente tem :P

Agora sejamos francos: desconheço casal tão "em perfeita harmonia" quanto agente. Modestia a parte (e bota a parte nisso), nos considero um exemplo de bom casal, com parceria, sem ciumes (sem MESMO), com respeito mútuo, que sabe brincar (e se arriar um ao outro) sem perder a amizade.

Essa é a guria com quem eu quero casar; viver junto o resto da minha vida; ter filhos, cachorro, gato, peixinho e papagaio; e comer bergamota no sol no frio do inverno no resto dos meus anos.

E se, por algum motivo, em algum momento, sobra algum espaço pra insegurança um pra com o outro, por alguma coisa mal espressada ou mal compreendida, um EU TE AMO resolve todas essas questões =D

Esse blog conta minha vida (entre outras coisas) e é indiscutível o amor que eu tenho por ele (independente de estar mais relapso por conta de outros compromissos)... e a cada ano que passa eu venho aqui dizer a mesma coisa, pode conferir aqui e aqui.

E, sabe, é tão incrível ler os textos dos anos passados e ver que o sentimento é cada vez maior. Basta ver que eu ainda continuo querendo ficar velho e comer bergamota no sol com ela - coisa que, alias, eu escrevi sem lembrar que tinha escrito ano passado.

Quero portanto repetir a frase do ano passado: "Obrigado Deus por um namoro tão perfeito! =D"

É isso =D
Paztejamos

7.6.11

Disney e Disney Channel


Isto é Disney


Isto é Disney Channel

Estava eu revendo a abertura da série animada Darkwing Duck, da Disney, dessas que davam na TV na década de 90. Após ver o vídeo no Youtube, notei um cometário, em inglês, que me chamou a atenção. Dizia mais ou menos o seguinte:

"Disney Channel não é mais Disney para mim."

Bati palmas diante da tela do PC na hora.

5.6.11

A menina do ônibus

Uma manifestação pura
Da universal beleza
Uma simplória, madura
Emanação da gentileza

Sob a forma de menina
Toda feita de porcelana
Comigo sentou-se, pequenina
No ônibus, de gente insana

Ao meu lado, sim, sentou-se
A pura princesa do SENAI
A ler um livro, então, pôs-se
Sem notar quem entra ou sai

Oh tolos, todos,não percebem
A gloriosa presença dela
Suas falas inúteis não procedem
Sua ignorância não faz juz a ela

Com suas alvas mãos
Folheia o livro de Assis
Seus olhos correm os vãos
“Quincas Borba” a capa diz

As feições do rosto me espantam
É a beleza de que fala Tolstói
Onde até os detalhes cantam
A sinfonia sagrada que me dói

Sim, por que a beleza pode doer
Como a verdade pode desfazer
Os homens não foram feitos p´ra ver
Diretamente a ambas, sem desfalecer

Mas, inconsequente, ainda insisto
Em olhar para tamanha graça
Em meio a luz cegante, havia visto
A esperança que embala a vida

Pessoas e formalidades

Vejo um monte de pessoas. Pessoas velhas, pessoas novas, das vestimentas mais variadas.
Não, não são pessoas, que vejo.
Parecem pessoas. Se movimentam como pessoas. Mas não agem como tal.
Juntam-se em pequenos grupos. Dão risos e cumprimentos artificiais.
Artificialidade. Essa é a lei que eles seguem.
Não, não vejo pessoas. Vejo membros de um grande esquema. Atores de um grande teatro.
A formalidade os prende, suas teias sutis os sufocam. Quando com um deles converso, não é com uma pessoa, mas com um conjunto de formalidades.
Não quero ser um deles. Quero continuar uma pessoa.