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9.8.11

Dos que precisam de peixe aos que não são bons em ensinar a pescar

Como bem disse Bono Vox, cristianismo sem socialismo não existe. Mas socialismo num sentido amplo, naquele do tipo 'tornar social', 'socializar', fazer com que todos possam, todos tenham acesso - o mesmo que rege os ideais Open Source. Aquele mesmo socialismo dos primeiros cristãos que os que tinham mais repartiam o que tinham com os que tinham menos. Aquele mesmo de quando Jesus se preucupou com os discípulos e, como não tinham o que comer, multiplicou pães e peixes por mais de uma vez.

Mas sempre que alguém tenta ajudar ao próximo alguém salta com um maldito ditado que ressoa na boca de todos quanto não querem ajudar ninguém: "não se dá o peixe; ensina-se a pescar". Ora, como se o aprendiz de pescador não precisasse de peixe antes de terminar seu aprendizado. Como eu queria que essa crítica fosse digirida a Jesus: assim teríamos uma pronta resposta - de regra, genial - de como essa crítica não procede.

Ora, quem faz essa crítica em geral está dizendo, nas entrelinhas, que não está interessado em ajudar e que, principalmente, não está interessado em ver o próximo sendo ajudado. Isso porque esse maldoso comentário não vem acompanhado de uma sugestão, uma idéia, uma tentativa de como "ensinar a pescar", mas ao contrário, vem simplesmente como forma de desvalorizar o trabalho daqueles que não sabem ainda como ensinar a pescar, mas querem pelo menos compartilhar o peixe.

Ah se Jesus tivesse, naquele momento da multiplicação, levado a multidão a um rio e resolvido dar um curso de pescaria, com Pedro Tiago e João como monitores. Seria um momento único e, de tão bizarro, certamente não o conheceríamos por agora como filho de Deus, mas simplesmente como a pessoa mais desnaturada do mundo. É como disse Tiago: se lhe disserem "Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos", e não lhes derdes as coisas necessárias para o vosso corpo, que proveito virá daí? E daí sim procede que a implicação para aqueles que creem é a obra que fazem por intermédio da caridade. Como alguém pode desvalorizar, inferiorizar um espírita, um gay, um macumbeiro, um SAMARITANO se estiverem a fazer a obra que o Evangelho devia operar em nós?

Não que eu defenda qualquer interpretação, filosofia ou crença diferente do cristianismo - o que de fato não acontece - mas o caso é que as vezes esses são os verdadeiros doadores de peixes e professores de pesca. E, enquanto nos preucuparmos mais com a filosofia daquilo que fazemos do que com fazer de fato - não importando se é peixe ou curso de vara de pescar que estamos dando - seremos os gritadores ridiculos que ficam a tomar goles de vinho e comer pedacinhos de pão numa comunhão disfarçada, com medo de que vamos para o inferno se não seguirmos tal procedimento.

E assim aqueles que verberam o maldito ditado seguem com suas vidas, que em não se importar com o próximo se tornam vazias e insípidas, vivendo seu bom samaritanismo pra si e acumulando patrimônio sem fim, sem objetivo. Louco! hoje te pedirão a tua alma e o que darás em troca?

Que possamos não ser dessa gente. Que possamos principalmente nos preucupar com o próximo, esquecendo da filosofia besta de se ajudar por meio de X ou de Y é a forma correta, pensando principalmente em ajudar de alguma forma. Que possamos não desvalorizar quem dá o peixe, mas somarmos a eles, tanto no dar quanto no ensinar. Porque nem todos tem aptidao para ensinar a pescar, mas todos quanto tem podem dar no mínimo um pedaço de seus peixes. Porque todos precisamos de peixe, e principalmente do Peixe.


Paztejamos

Um comentário:

  1. A fé cristã, em sua essência, é algo simples - conforme demonstrado no ICTUS - e a gente tende a complicar, criando por sistemas de cursos de pescaria, amontoados em pilhas, desusados, irrelevantes.

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