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14.9.11

Minha Análise sobre Serviços Voluntários

Os serviços voluntários se diferem de qualquer outro serviço por serem desempenhados por alguém que não ganha nenhum retorno efetivo para aquilo que presta. Por exemplo: ao voluntariamente limpar uma praça, tocar numa banda da igreja ou dar aulas de reforço, a pessoa está perdendo seu tempo de oportunidade que poderia estar aplicando em outra coisa 'rentável'. Assim, quem o faz, deve fazer por sua conta e risco, além de fazer somente até o ponto que está disposto.

Frequentar uma igreja não é prestar serviço voluntário - se assemelha mais a participar de um clube - mas, prestar qualquer serviço não remunerado na igreja é, sim, fazer trabalho voluntário. Os que o fazem têm a motivação de agradar a Deus, mas devem fazer com alegria e dedicação unicamente desempenhada pela voluntariedade.

O maior desafio para quem lidera esse tipo de serviço é o de estar disposto a aceitar que nem todas as espectativas podem ser preenchidas pelos membros de um grupo voluntário. Isto por várias razões.

Alguns podem até querer participar de um grupo voluntário mas o fazem parcialmente por terem determinados horários tomados por outro compromisso (como trabalho, estudos, etc). Outros, se sentirem desconfortáveis em determinadas situações, optam por não participar de determinado evento ou ação.

Normalmente as lideranças tem duas formas de encarar esse tipo de problema. Uma delas é pressupor que os membros de um grupo estão sempre disponíveis e, assim, exigir que eles dêem o máximo de si pelo grupo. Dessa forma, todo compromisso marcado pela liderança é dado por certo pelo grupo, independente da opinião do mesmo. Caso um ou outro discorde, dependendo da situação, terá que se expor a tamanha pressão de contrariar o lider. Esse lider é conhecido nos livros de administração como "Autoritário (ou Autocrático) Benevolente", ou seja, diz "faça-se minha vontade", mas com um vocabulário sempre 'amigável' para não criar inimizades.

Normalmente os membros do grupo que discordam desse lider não se opõem, acabando por ou 1)fazer o que ele determina; ou 2)abandonar o grupo; ou 3)permanecer no grupo, faltando ao compromisso sem aviso (o que posteriormente o deixará numa situação de 'represálias').

A outra forma de encarar o problema do não comprometimento total do grupo voluntário é fazer apenas o que a maior parte do grupo concorda. Em administração, esse lider é conhecido como Democrático. Ele consegue conciliar as vontades do Grupo como um tudo e dos indivíduos. Normalmente nesse caso, os membros se interessam em se dedicar por alguma coisa que não os agrada por saberem que a maior parte do grupo está em sintonia com essa coisa. Além disso, é compensatório participar de um grupo onde eu faço o que não gosto apesar de saber que mais adiante vou fazer o que gosto.

Trazendo tudo da teoria para prática: Gosto de cantar no coral X (esse é o nome do coral). Gosto de cantar, e no coral X eu canto ao lado do Duílio. Quando o coral foi formado, sabíamos que cantariamos em determinados eventos que eu não gostaria de participar. Na relação custo-benefício, porém, ensaiar músicas boas cantando ao lado do Duílio me agrada muito e eu participo. Há alguns dias o coral foi convidado pra cantar em Cidreira. O nosso regente, antes de confirmar, perguntou num ensaio se o grupo se interessava. Como o grupo disse que sim, fomos e cantamos. Ele é alguém que eu consideraria Democrático.

Em contrapartida, toco na Banda. A banda é legal, e toca em vários lugares. Na maioria dos eventos, quando a Banda toca, o nosso regente define arbitrariamente se a banda vai ou não com base nos que podem e não podem ir. O detalhe importante nessa questão é o 'poder' e não o 'querer'. Ele pressupõe que, se todos estão no grupo, estão dispostos a ir. Como eu estudo durante a semana, supostamente posso sempre estar em todos os compromissos marcados aos fins de semana. Porém, estudar não é simplesmente ir a aula, e os fins de semana são bons horários de estudo. Assim, eu POSSO ir nos eventos da Banda marcados nos fins de semana mas eventualmente não QUERO porque isso pode prejudicar meus estudos.

Eu normalmente aviso que não vou, mas sou extremamente pressionado a ir [ano passado cedia facilmente a essa pressão, o que contribuiu para o meu baixo desempenho na faculdade]. Isso porque eu tenho outras prioridades e estou disposto a dar somente o meu tempo livre não ocupado com coisas superiores a Igreja (tais como estudos, normalmente). Esse é meu 'nivel de voluntariado', o quanto estou disposto a dar.

Outros de nós são mais dispostos a dar praticamente o sangue pelo grupo. Vamos dizer que o Jair (um cidadão hipotético) é desse tipo. Ele é o agente perfeito aos termos de um lider Autocrático. Ou seja, o nível de voluntariado tende a 100%.

Partamos agora para um evento acontecido nos ultimos dias. Houve um concurso, o qual eu e o Jair prestamos. Como meu nivel de comprometimento não é de 100%, eu me afastei do voluntariado para fazer valer meus estudos e passar no tal concurso. Porém o Jair permaneceu trabalhando no grupo e, apesar de ter estudado, não teve tanto tempo disponível. Meu desempenho, assim, foi bastante superior ao dele.

Esse exemplo prático demonstra como o voluntariado em nível desproporcional pode ser um desastre e levar a pessoa a uma situação ruim. Provavelmente nosso regente da banda estará mais contente o Jair do que comigo, mas eu estou mais contente comigo mesmo do que o Jair com ele mesmo [nesse aspecto, estou dizendo, não tornem gerais as coisas específicas].

Conclusão: Por mais tentador que possa ser para um lider coordenar um grupo voluntário de forma Autocrática, é muito prejudicial para o grupo enchergar o grupo como um conjunto e esquecer que as pessoas tem características únicas e próprias. Alguns trabalham, outros estudam e outros simplesmente não querem se comprometer ao máximo. É importantíssimo que um lider consiga exigir dos membros na medida de cada membro, e do grupo na medida do grupo, sem tornar o feedback dos membros algo desconfortável de se fazer.

[tentei não colocar nomes, na medida do possível. No original os textos citavam os nomes reais, mas pra não criar interpretações apressadas sobre o texto a tipico estilo "Jean é rebelde e vive reclamando" retirei eles. A idéia desse texto é expor uma coisa que andava na minha cabeça desde que sai da banda e que veio a tona ontem de novo... não criticar pessoas, atitudes ou me revoltar publicamente contra alguém. Essa é uma forma de expor um pensamento crítico, não revoltado e me expresso muito melhor escrevendo do que falando... então...]

Paztejamos

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