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30.10.11

Mankiw sobre a Discriminação no Mercado de Trabalho

O livro Introdução à Economia, do N. Gregory Mankiw, professor de economia em Harvard e presidente do Conselho de Assessores Econômicos da presidência do governo de Bush é muito genial. Peguei o livro na biblioteca em função da cadeira de microeconomia, comecei a ler desde a primeira página e não parei mais. Simplesmente fascinante! O cara é super didático, com exemplos muito elucidativos e comentários simples que fazem agente 'ter o estalo' e entender o que ele está querendo dizer.

Na parte 6 do livro, Economia dos Mercados de Trabalho, no capítulo 19, Ganhos e Discriminação (página 407 na quinta edição) ele escreve o seguinte texto que reproduzirei na íntegra (espero não ter problemas de direitos autorais, qualquer coisa eu tiro =D).

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Medindo a Discriminação no Mercado de Trabalho

Em que medida a discriminação nos mercados de trabalho afeta os ganhos de diferentes grupos de trabalhadores? Essa questão é importante, mas responder a ela não é facil.

Não resta dúvida de que diferentes grupos de trabalhadores recebem salários substancialmente diferentes, como demonstra a tabela 2 [que vou reproduzir após o texto]. Nos Estados Unidos, o homem negro mediano recebe 21% menos do que o homem branco mediano, e a mulher negra mediana recebe 8% menos do que a mulher branca mediana. As diferenças por sexo são ainda maiores. A mulher branca mediana recebe 23% menos do que o homem branco mediano, e a mulher negra mediana recebe 10% menos do que o homem negro mediano. Se tomados em seus valores absolutos, esses diferenciais parecem evidenciar que os empregadores discriminam negros e mulheres.

Há, no entanto, um problema em potencial com essa inferência. Mesmo em um mercado de trabalho livre de discriminação, pessoas diferentes recebem salários diferentes. As pessoas diferem no montante de capital humano que possuem e no tipo de trabalho que podem e desejam fazer. As diferenças de salários que observamos na economia podem, em certa medida, ser atribuídas aos determinantes dos salários de equilíbrio que abordamos na seção anterior [seção que não transcreverei aqui, mas que evidencia que os salários de equilibrio variam conforme vários motivos]. A simples observação das diferenças salariais entre grupos amplos - brancos e negros, homens e mulheres - não prova que os empregadores discriminem.

Considere, por exemplo, o papel do capital humano. Entre os trabalhadores homens, os brancos têm cerca de 75% mais chances de obter diploma universitário do que os negros. Assim, pelo menos parte da diferença entre os salários dos brancos e os dos negros pode ser atribuída a diferenças no nível de instrução. Entre os trabalhadores brancos, homens e mulheres têm agora quase a mesma chance de obter nível universtário, porém os homens têm probabilidade cerca de 11% maior de cursar uma especialização ou pós-graduação, indicando que parte do diferencial salarial entre homens e mulheres pode também ser atribuída à instrução.

Além disso, o capital humano pode ser mais importante na explicação dos diferenciais salariais do que sugerem as medidas de tempo de instrução. Historicamente, as escolas públicas das áreas predominantemente negras são de baixa qualidade - em termos de despesas, números de alunos por sala de aula e assim por diante - em comparação com as escolas públicas de áreas predominantemente brancas. De maneira similar, há muitos anos as escolas afastavam as meninas dos cursos de ciências e matemática, muito embora essas disciplinas tenham maior valor de mercado do que algumas das alternativas de estudo. Se pudéssemos medir a qualidade e a quantidade de instrução, as diferenças de capital humano entre esses grupos seriam ainda maiores.

O capital adquirido sob a forma de experiência de trabalho também pode ajudar a explicar as diferenças salariais. Em particular, as mulheres tendem, em média, a ter menos experiência de trabalho do que os homens. Uma razão para isso é que a participação feminina na força de trabalho vem aumentando nas últimas décadas. Por causa dessa mudança histórica, a trabalhadora média é, hoje, mais jovem do que o trabalhador médio. Além disso, existe uma grande possibilidade de as mulheres interromperem sua carreira para criar filhos. Por esses dois motivos, a experiência da trabalhadora média é menor do que a do trabalhador médio.

Já outra fonte de diferenças salariais está nos diferenciais compensatórios. Homens e mulheres não escolhem os mesmos tipos de trabalho, e esse fato pode ajudar a explicar algumas das diferenças nos ganhos entre eles. Por exemplo, as mulheres mais provavelmente serão secretárias e os homens mais provavelmente serão motoristas de caminhão. Os salários relativos das secretárias e dos motoristas de caminhão dependem, em parte, das condições de trabalho de cada ocupação. Como é dificil medir esses aspectos não monetários, é também dificil avaliarr a importância prática dos diferenciais compensatórios para explicar as diferenças salariais observadas.

No fim, o estudo das diferenças salariais entre grupos não estabelece nenhuma conclusão clara sobre a existência de discriminação nos mercados de trabalho americanos. A maioria dos economistas acredita que parte dos diferenciais salariais observados pode ser atribuída à discriminação, mas não há consenso a respeito de quanto. A única conclusão sobre a qual há consenso entre os economistas é negativa: como as diferenças entre os salários médios dos grupos refletem, em parte diferenças no capital humano e nas características dos empregos, elas, por si sós, não nos dizem nada a respeito de quanta discriminação há no mercado de trabalho.

Naturalmente, diferenças no capital humano entre grupos de trabalhadores podem, elas mesmas, refletir discriminação. Os currículos menos rigorosos tradicionalmente oferecidos às estudantes, por exemplo, podem ser considerados uma prática discriminatória. De forma similar, as escolas de qualidade inferior historicamente disponíveis para os estudantes negros também podem ser atribuídas ao preconceito das câmaras municipais e dos conselhos de ensino. Mas esse tipo de discriminação ocorre muito antes de o trabalhador ingressar no mercado de trabalho. Nesse caso, a doença é política, ainda que o sintoma seja econômico.

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Em sintese, agora tenho um bom argumento contra anúncios tipo os dos onibus com mulheres brancas e negras comparando seus salários.

Paztejamos

23.10.11

A Lei

O conceito de pós-modernismo é confuso e estrábico - normalmente usado pra fazer críticas ao sistema egoísta e hipócrita de hoje em dia ou pra difundir previsões apocalípticas sobre determinada ação do governo, do povo ou de alguma celebridade - mas tem determinadas coisas que todo mundo concorda. Uma delas é de que vinculado ao pós-modernismo existe um certo relativismo: cada um entende o que lê conforme lhe convém, conforme lhe está na cabeça.

Na igreja a Bíblia é interpretada de todo jeito. Tem igreja que prega prosperidade, tem igreja que prega uma infinidade de regras e tem, inclusive, igreja que não prega nada.

Uma série de acontecidos me fizeram pensar na Lei. Não a Bíblia como um todo, ou o pentateuco, ou os 10 Mandamentos, mas especificamente aquilo que eu preciso fazer pra ir pro céu.

Os luteranos - e os assembleianos normalmente, apesar de na Assembleia de Deus não haver doutrinamento firme - pregam que a lei foi vencida e abolida por Jesus e que, se eu quiser ser salvo, basta a Graça de Deus. Porém, conforme os desdobramentos de Paulo, é necessário que exista uma 'santificação' pra que sejamos aptos a entrar no céu: tanto é que na carta aos Gálatas ele cita um número bem grande de atitudes que certamente não conduzem ao céu (prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas... e assim por diante - não me preucuparei com as definições estritas desses conceitos e, sinceramente, acho que nem Paulo estava preocupado). Paulo chega a dizer assim: "vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então, da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade.". Conforme o Duílio, um amigo que estuda teologia, Lutero preveu isso... mas como os luteranos normalmente não leem Lutero, existe um tipo de 'distorção da doutrina'.

Santificação é um conceito bem simples e que todo mundo concorda que é "ir passando a se comportar com cada vez menos pecados", apesar de todo mundo saber que sem pecados, só Jesus. Porém, o conceito de pecado fica um pouco 'embassado' nessa história. Se abolimos a Lei, como sabemos o que é pecado?

A Lei, a de Moisés, parece ser um desdobramento temporal para os judeus em seus primeiros anos de povo, para que não houvesse muita discussão sobre o que era e o que não era certo. Isso porque acho que qualquer um deve concordar que 10 axiomas - os 10 Mandamentos - dariam espaço pra muita discussão se Moisés não houvesse intervido.

Jesus veio e resumiu a Lei em dois princípios: 1)amar a Deus acima de todas as coisas; 2)amar ao próximo como a si mesmo. Mas isso não quer dizer que os Mandamentos estivessem abolidos: na verdade os Mandamentos eram a forma mais precisa de como as pessoas poderiam crumprir esses dois princípios.

Paulo, quando escreveu Romanos, foi bastante minucioso em relação a Lei - outro dos apóstolos até chegou a advertir a Igreja contra aqueles que distorciam suas palavras, visto que eram bastante complexas. Quando eu estava estudando filosofia cheguei a ter a descrição do meu perfil no orkut com o texto de Romanos 7, do verso 7 ao 25. Mas o caso é que provavelmente eu nunca entendi 100% do que ele quis dizer em Romanos. A parte que me encomodava especificamente era o versículo 31 do capítulo 3: "anulamos, pois, a Lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a Lei."

Como meu pensamento de leitura era voltado ao ideal luterano de anulação da Lei, essa passagem me saltava como "surpreendente". Tipo "como assim?! anulamos a Lei sim senhor!" era o que eu pensava. O caso é que a Lei, mais especificamente os 10 Mandamentos, são aquilo que definem o pecado. Como Paulo diz na passagem que eu usei como descrição no meu perfil, "eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. [...] Assim a lei é santa; o mandamento, santo justo e bom".

As referências aos Mandamentos não ficam só por aí. Assim como Paulo, João diz em suas cartas a Igreja que o Mandamento que ele dá é o mesmo de sempre, o antigo; Davi exalta a Lei em vários de seus salmos e Jesus, ora vejam só, cumpre a Lei.

Uma distinção importante para essa questão, e que eu não posso deixar de comentar é a distinção da lei de Moisés e da Lei maior, os Mandamentos. Como eu disse antes, a lei de Moisés parece ser um desdobramento temporal mais específico para os judeus. Tanto é verdade - ou pelo menos me parece verdade - que no livro de Atos (que eu sinceramente gostaria de chamar de Lucas 2) os cristãos entram em debate sobre o que os gentios convertidos deveriam guardar acerca da lei (capítulo 15). A conclusão: "abstenham-se das contaminações dos ídolos, da prostituição, da carne sufocada e do sangue. Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue e, cada sábado, é lido nas sinagogas."

Dá pra ver que os mandamentos, a que eles se referem como "Moisés" nesse caso, eles tinham quem ensinasse... o problema era entender o que precisava ser cumprido e o que não era. Se Moisés significasse a Lei de Moisés (as 500 e poucas leis do pentateuco), eles teriam que se circuncidar, porque Moisés colocou isso em sua Lei, e foi isso que criou a discussão. Assim, ficamos entendidos que os Mandamentos devem ser cumpridos, e o cumprimento da Lei de Moisés fica resumida a aquelas indicações do parágrafo anterior.

O grande inconveniente dessa discussão toda está num dos mandamentos, o guardar o Sábado. Os Mandamentos são a Lei que Deus escreveu com Seu próprio dedo (ou Sua caneta Divina, tanto faz). Portanto, pelo menos certo "peso" deve haver em guardar o Sábado, visto que não Moisés, mas Deus, sugeriu esse feito.

Alguns avulsos argumentam que Deus estava na verdade dizendo que certo dia, seja lá qual for, deveria ser dedicado a Ele. Os católicos, baseados nas palavras de Justino, um dos "pais da igreja Cristã", do século II depois de Cristo, guardam o Domingo, visto que Cristo ressucitou nesse dia. Conforme Justino:


“Reunimo-nos todos no dia do Sol [o primeiro dia da semana era denominado de dia de Sol no Império Romano até o século IV], não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Crucificaram-no na véspera do dia de Saturno; e no dia seguinte a este, ou seja, no dia do Sol, aparecendo aos seus apóstolos e discípulos, ensinou-lhes tudo o que também nós vos propusemos como digno de consideração” (Justino I – Apologia Cap. 66-67 : PG 6,427 - 431).
[retirado da wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Justino]

Os evangélicos, acho que até pela falta de firmeza estrutural de algumas denominações, simplesmente abominam quem guarda o sábado por ser "coisa de adventista" (alias, abominam os adventistas também) e ignoram que guardam o domingo. Inclusive, acho que muitos dos evangélicos não sabem que o sábado está nos Mandamentos - e isso não é um insulto e sim uma constatação, visto que eu também faço parte dos evangélicos.

Se o leitor guarda o domingo baseado na afirmação de que foi o dia em que Jesus ressucitou, não há contradição nenhuma em seu pensamento... apenas um problema de 'ortodoxia': essa atitude não consta na Bíblia e não é ensinada por nenhum apóstolo ou escritor do novo testamento (pelo menos até onde eu sei). Já eu, se me permite, estou cada vez mais inclinado a acreditar que Deus, ao se referir ao Sábado, estava falando do Sábado mesmo, da mesma forma que estou inclinado a acreditar na literalidade do dilúvio, acreditar na criação em sete dias, acreditar que as espécies têm cerca de 10.000 anos, etc. Isso porque as conclusões da ciência sobre esses assuntos normalmente são controversas, indutivas, com muitas extrapolações teóricas de modelos que podem com muita chance não estarem corretos... enfim. Para mim, e para um número cada vez maior de gente, as conclusões científicas parecem sofrer variações de cunho ideológico/político que comprometem as verdades por trás dos dados. Porque o que é ciência? uma coisa são os dados que se obtem através dos experimentos, o que ninguém discute; outra coisa são as conclusões que se tira desses experimentos, o que é extremamente controverso. Como disse Pascal, "quase que invariavelmente as pessoas formam suas crenças não baseadas nas provas, mas naquilo que elas acham atraente".

Enfim, voltando ao Sábado. O Sábado traz outro tipo de discussão: dado que é Lei guardar o Sábado, o que exatamente seria esse "guardar"? O Sábado começa ao anoitecer ou a meia noite de sexta? Boa parte dos sabatistas consideram que é ao anoitecer e, assim, apressam ou otimizam seus trabalhos durante a semana para que sexta não sobre serviço e se possa entrar Sábado para Deus. Mas guardar o Sábado é se envolver em um sem-número de não-podes ou tirar esse dia especialmente pra ficar com a família, passear, ler um livro, descansar, meditar, ler a Bíblia? Não sei quanto ao leitor, mas eu gosto mais da segunda opção, até porque sou averso a idéia limitadora que alguns cristãos têm de colocar etiquetas de "não" em quase tudo por aí.

Mas e se houver uma prova, um concurso? ou se trabalharmos como médicos, que não tem hora pra fazer plantão? ou se alguma circunstância nos coloca em necessidade da fazermos alguma atividade no Sábado. Alguns dos sabatistas abrem mão de diversas atividades por estarem contidas no Sábado. O vestibular da UFRGS, por exemplo, começa no domingo para que os adventistas possam participar - apesar de ser o dia sagrado dos católicos, eles parecem não se importar. No ENEM, ao que me disseram, alguns sabatistas entraram no sábado para fazer a prova junto com os outros mas ficaram na sala esperando um 'horário especial', na noite de sábado (que, lembre-se, para eles já é domingo), para começar a prestar o exame.

Sinceramente, eu acho isso complicado. Como diz a Bíblia, o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado. Pra mim envolve muito uma questão de religiosidade. Eu, por exemplo, estou cogitando o guardar o Sábado faz algum tempo mas, como peguei uma cadeira esse semestre sexta de noite, vou continua-la até o fim. Semestre que vem eu não pego nada sexta de noite, ou faço o meu Sábado valer a partir da meia noite só. O importante acho, pra Deus, é meu interesse de guardar o dia dEle. A Bíblia é cheia de conceitos não extritamente definidos acho que em parte porque Deus quis permitir que nossa própria consciência, moldada pelo Espírito Santo, delimitasse-os.

Ficar o dia todo dentro de uma sala esperando chegar de noite pra poder fazer a prova sábado de noite parece mais perda de Sábado do que fazer mesmo a prova no Sábado. Esse comportamento em muito se assemelha com o daquele casal de crentes, que namora só alguns meses e já casa logo, para poder fazer sexo. Poxa, então faz sexo de uma vez... porque esse casamento tem muita chance de dar errado mesmo. Parece ser tapar um buraco com terra de outro. Acho que Deus é razoável o suficiente pra entender que, não havendo oportunidade de fazer a prova outro dia, a pessoa não teve muita escolha.

Não estou criticando levianamente quem fica lá esperando até de noite. Admiro a determinação do cara. Por Deus, que não é pouca coisa, ele aguarda hoooooooras de tédio (e é chato ficar olhando pras paredes a tarde toda) pra fazer uma prova. Só acho que é um esforço semelhante ao daquelas irmãs que não cortam o cabelo (baseados numa má interpretação do livro de Coríntios): uns fazem, outros não: quem faz, faz pra agradar a Deus, e Deus aceita; que não faz, faz porque tem liberdade em Deus, e Deus compreende (conforme Paulo em Romanos).

Enfim. Admito que já me estendi demais. São duas horas da manhã e eu estou com sono. Essas são reflexões incompletas e é muito provável que daqui a um mês eu já esteja pensando bem diferente. Quem me conhece um mínimo sabe quão volátil são minhas idéias. Mas pelo menos não me submeto a nada que minha consciência condene, que é como Lutero faria.

[o que me dá mais nos nervos é citar essa imensidão de filósofos, teóricos e personagens Bíblicos e fazer pouquissimas ou nenhuma referência a Jesus... até pareço com aqueles outdoors de igrejas neopentecostais sobre cultos de vitória com pastor XYZ - nunca vi o nome de Jesus escrito ali, nem que seja num pequeno letreirinho.]

Paztejamos

22.10.11

Qualquer coisa

Meus pensamentos não andam muito bem ordenados. Eu tenho uma infinidade de pequenas meditações que não chegam a conclusões definitivas (para serem postadas aqui) que acabam ficando perdidas no limbo da minha cabeça ou esquecidas. Daqui há, sei lá, 20 anos quem sabe eu chegue a alguma visão mais completa de mundo.

Enquanto isso, acho que vou postar elas incompletas mesmo, ordenadas da forma como me veio a memória conforme escrevo.

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Acho que exames como esse ENEM, que tem no fundo o objetivo de fazer com que os pobres cheguem a universidade (e ninguém venha me dizer que o objetivo é só avaliar porque todo mundo sabe que quem faz o ENEM quer mesmo é alcançar o ensino superior), deveriam limitar o número de vezes que os estudantes podem fazer em um. Assim o estudante ia aproveitar o ensino que teve na escola, levar a sério o que está estudando, além de que os pais iam fazer mais esforço pra matricular seus filhos em escolas boas e exigir da escola uma boa educação. Claro, num mundo ideal, eu estou dizendo. Mas o fato é que da forma como é, ninguém que saia do ensino médio leva a sério o ENEM. As pessoas saem da escola e ficam alguns anos a mais estudando antes de fazer o Exame 'as ganha'.

Um livro que eu estou lendo, de microeconomia, diz que existe uma teoria chamada "teoria da sinalização" que sugere que o estudo que a pessoa tem não interfere na sua produtividade. O diploma dela, ao contrário, sinaliza que ela tem talento para área e predisposição a ficar mais tempo estudando para ter um salário melhor. Esse talento sim interfere na sua produtividade.

Não duvido que o diploma seja um bom 'sinalizador', mas não acredito que o tempo que a pessoa passou a mais estudando não ajudou ela a ser mais produtiva. Seja como for, conforme essa teoria, se o ENEM desse uma oportunidade só as pessoas com melhores notas 'sinalizariam' o talento obtendo uma nota maior do que a média da escola em que estuda, mesmo que não obtivessem uma nota boa o suficiente pra concorrer a uma bolsa no PROUNI. Com essa nota, as empresas (ou sei lá mais quem) poderiam enchergar esse 'sinal de talento' e aproveitá-lo pra contratações futuras ou algo parecido.

É claro que esse ponto de vista aplicado ao extremo é um bom argumento para a não aplicação do ENEM e a não distribuição de bolsas de estudo, já que o candidato que tiver talento vai sinalizá-lo de qualquer forma 'dando um jeito' de se formar qualquer que seja a condição (pagar universidade ou entrar na pública)... mas, só estou propondo uma perspectiva diferente.

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Meu comentário sobre as cotas raciais (um dos ultimos posts) foi conduzido com uma amostra muito pequena. Conversando com meu professor de economia sobre elas, ele disse que, pelo menos na Universidade do Rio (UFRJ) - ele é carioca - o desempenho dos cotistas tem sido semelhante ao desempenho dos não cotistas. Eu não sei quais as fontes dele, mas é interessante ouvir um ponto de vista 'estatístico' contrário ao meu. Apesar disso, minha 'análise' não fica de fora, é razoável (pelo menos na minha cabeça) pensar da forma como propus e, como disse Lutero, é errado ir contra a própria consciência.

Essa história sempre acaba remetendo a discriminação. Eu tenho um trecho, uma 'seção' inteira do livro do Mankiw (o autor - esse de economia que estou lendo) pra citar aqui sobre discriminação. Eu achei ótimo, e uma maneira bem objetiva de explicar as coisas. Em outro post eu escrevo o texto inteiro aqui.

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Bom, acho que vou dormir... to escrevendo alucinadamente aqui, sem pensar muito e to pescando já. Vo lá.
Paztejamos

14.10.11

Matemática Financeira e Cotas

Definitivamente matemática financeira é uma área inferior da matemática.

Eu aprendi os princípios de matemática financeira no cursinho pro concurso do Banco do Brasil. Em suma, juros simples se resume a regras de 3; juros compostos se resumem a uma equação exponencial - como não se pode usar calculadora no concurso, eles optam por te dar uma tabela com os calculos exponenciais, já que ninguém vai calcular qualquer número elevado na 9, por exemplo -; a unica coisa mais complicadinha se chama "anuidades", que é minha modesta preucupação pra quem estuda um dia antes da prova [mesmo assim, acho que com um ou dois exercícios já entrou na minha cabeça].

Ainda assim, os cursos de administração, economia, ciências contábeis e ciências atuariais da UFRGS destinam uma disciplina inteira (UM SEMESTRE!) pra aprender essa matemática. E pior que tem um livro texto inteiro (pequeno, admito) escrito por um professor da UFRGS pra tratar desse assunto. Sinceramente, acho que em um mês dava pra esgotar esse conteúdo. Esse é um dos pontos determinantes pra eu chegar a minha conclusão de que os cursos do campus centro são muito inferiores em exigência do que os cursos do vale (pra quem se quebrou estudando física, as cadeiras da atuária são piada... não estou me gabando, estou comprovando algo MUITO real).

Voltando a matemática financeira: estou tão decepcionado com essa cadeira* (cadeira, caso alguém não sabe, é um sinônimo histórico de disciplina, matéria... não sei se esse termo é regional) que em todas as aulas eu saio imediatamente depois de assinar a chamada. A única aula que assisti até o final foi ontem, que era revisão pra prova sábado.

Pois bem. Nos primeiros dias de aula, quando o professor ainda chegava antes do horário de aula e eu esperava ter uma aula boa, eu chegava cedo e sentava no fundo (agora eu sento perto do professor pra chamada passar mais rápido por mim). Por isso acabei conversando com um colega, que fazia contabilidade. Durante nossa conversa ele fez a seguinte observação: "Bah, o problema dessa cadeira são as muitas fórmulas! tu viu aquelas fórmulas que ele deu na ultima aula?! muito dificil, tá loco!".

A fórmula a que ele se referia é a fórmula da taxa e do período, ambas para juros compostos. Na verdade a fórmula é uma só, "M=C(1+i)ᵗ", só que, isolados a taxa "i" ou o período "t", elas ficam um pouco mais feias. Apesar disso, a única coisa que te pedem é que isole os componentes e coloque os valores dados na fórmula a fim de achar o valor calculado. Se tu não sabes isolar esses termos, por favor, volte pro ensino médio.

O detalhe importante - e é o que me fez contar essa história - é que esse colega era negro. Não que a cor o torne mais burro. É que ser negro e não entender algo trivial nos conduz a uma suposição bem típica do estudante UFRGSense: ele é cotista.


Conheci alguns cotistas durante minha estada na UFRGS. É certo que as cotas aumentaram a 'diversidade acadêmica' - agora se vê muito mais negros do que há alguns anos atrás -, mas o preço disso foi nivelar 'por baixo' a excelência dos alunos. As cotas para estudantes de escola pública tem o mesmo efeito das cotas raciais nesse sentido, mas até aí ainda tem aquela coisa de "ah, o cara não teve oportunidade". Mas quando colocam as raças na história o negócia vira um racismo que não estamos muito acostumados: contra os brancos.

Essas cotas dão um tom estético pra UFRGS: "agora estamos todos misturadinhos", mas só baseado numa coisa: estatística. Como diz um amigo, pro estatistico se eu der dois tiros num pássaro, um 2cms a direita e outro 2cms a esquerda, na média eu acertei o alvo. Claro, porque, se no individual ficou mais dificil para cada branco entrar na Universidade, no total, o branco, que tinha 'mais facilidade na média' acabou ficando nivelado com o negro. Porém, se antes para todos individualmente a dificuldade de passar era a mesma, agora, além de ficar mais dificil para todos os brancos, pros negros ficou tão facil entrar na UFRGS em cursos comuns quanto se não houvesse prova. E essa conclusão pode até ser válida para os cotistas de escola pública também, mas é especialmente válida para os negros porque as médias dos negros são, praticamente sem excessão, inferiores as médias dos de escola pública, dada a pouca concorrência entre eles mesmo.

Qual o desfecho sinistro dessa história? gente mal preparada no ensino médio chegando ao ensino superior sem saber nada. Sabe onde essa gente se dá bem? nessas universidades privadas por aí onde o professor dá a matéria bem mastigadinha e se os alunos não aprenderem fazem abaixo assinado, entregam pro reitor e tiram o professor... isso, lógico, depois de terem feito 3 recuperações, uma para cada área da matéria. Na UFRGS o professor concursado entra lá e não tem quem tire, pode dar a pior aula do mundo e presentear os alunos com a prova mais ralada, mas não tem pra quem chorar. E os cotistas sem firmeza na educação de base vão ter que rebolar em dobro pra conseguir avançar. E é por isso que o meu colega lá acha as fórmulas difíceis, porque provavelmente entrou de cotas e não aprendeu a usar logarítmos e funções exponenciais pra isolar as variáveis.
 
E é evidente, preciso deixar claro aqui, que existem negros inteligentes da mesma forma que índios, árabes, judeus e etc. E quem ler esse texto sem tentar subentender o que eu não disse vai perceber que não estou atacando raça nenhuma. Estou falando que, praticamente sem excessão que eu conheça, tem muito cotista rodando muito até se encaminhar na UFRGS haja vista a falta de educação de base e hábito de estudar que o ensino público (do qual eu também sou filho e conheço) sofre.

Paztejamos

10.10.11

Quando meu Jesus voltar

Os cristãos têm uma Grande Esperança, a maior de todas, que por ser tão fascinante é as vezes escrita em letras maiúsculas: a volta de Jesus nas núvens pra levar os santos pra Glória.

Muitos são os versículos Bíblicos que prenunciam isso. Jesus dizendo que vai nos preparar lugar, o Apocalipse, o livro de Daniel, Jeremias, Isaias, o sermão profético de Jesus, Paulo na carta aos Tessalonicenses... mas, no fundo no fundo tem uma grande divergência entre a interpretação de cada crente em relação a cada texto.

Eu particularmente não me detenho a interpretações específicas: gosto de saber uma gama delas e acreditar que Deus vai fazer o que tiver planejado para o fim. Ele que sabe, não muda muito minha vida saber o processo certo, contando que eu creia e aplique o que Ele ensinou para agora. Como diz uma passagem muito conveniente: "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus".

Mas, e no céu, como vai ser?

Mesmo a Bíblia explicitando que "nenhum olho viu e nenhum ouvido ouviu o que Deus tem preparado para nós", Paulo (ou João, me corrijam aí, to desconfiado que li isso no Apocalipse agora) tentou dar um palpite de como talvez fosse o céu. Ele se conceitrou no ambiente, com ouro e pedras preciosas... beleza, mas não é o mais importante. O mais importante é a nova situação em que vamos nos encontrar, isto é, em Deus.

A glória, o corpo incorruptível, a ausência de pranto ou dor, essas coisas não são o mais importante do céu. Como diz uma música do Arautos do Rei "O céu é aqui se aqui Jesus está". O mais mágico de toda o fim é estar com Deus cara a cara, poder conviver com o idealizador de todo o universo, conversar com Ele assim como converso com um amigo, assim como Adão conversava no Éden, saber que a ordem, criação, estrutura, é dEle, e poder prestar homenagem a quem realmente merece méritos por tudo que houver.

Além disso, o mais maravilhoso é saber que nós que estaremos com Ele no céu nada fizemos pra merecermos estarmos lá. Ele quem providenciou todo um esquema e inclusive sofreu horrivelmente pra que nós desfrutemos de paz e alegria eternas.

Enfim. E quando agente chegar lá, que que eu vou fazer? eu sei que eu vou deixar a multidão de salvos conversar o quanto quiser com o Mestre, e nem posso imaginar com o que vou poder me ocupar lá durante a eternidade... devem haver inúmeras diferentes possibilidades que nem posso imaginar para tornar o céu infinitamente mais maravilhoso que essa existência limitada pela física. Mas quando o Senhor estiver disponível eu quero dar um abraço nEle e chamar Ele pra tomar uma boa chícara de café. Claro, café vai ter no céu, é uma bebida divina. Aí agente vai conversar, vou chamar o Duílio também pra conversar junto com nós, tirar nossas dúvidas, fazer todos os questionamentos possíveis, e existem muitos. O céu é a esperança ingênua do crente por um mundo melhor... mas por ser ingênuo não quer dizer que não exista: como Jesus disse, pra entrar no Reino dos Céus temos que ser como as criancinhas.

As vezes eu vou no ônibus ouvindo a Novo Tempo e quando eu olho pras árvores, céu azul, rios... uma beleza natural maravilhosa. Mas o céu é muito mais que isso, em Deus.

Que essa esperança em mim possa inspirar mais alguém a crer e esperar também por Jesus, e possa transmitir força para viver segundo Cristo, por mais falho que cada um de nós seja. E que esse texto consiga sugerir para aqueles que lêem uma perspectiva diferente do mundo em que vivemos, baseada na fé de que Jesus volta e não vai demorar.

Ora vem, Senhor Jesus.
E enquanto esse dia não chegar, nos dê o amor dos irmãos.

Paztejamos

[o café divino deve ser maravilhoso, sem dúvida]

Não há Misticismo na Realidade?

Há algum tempo conversando com meu irmão, ele estava reclamando que não vê misticismo de fato na realidade tal como é. Ele dizia "como seria legal se a terra fosse plana mesmo e nos extremos houvessem cascatas que desses para o fim do mundo"... coisas desse gênero, coisas que se vê nos jogos ou na Idade Média (ou ainda nos contos a estilo Senhor dos Anéis).

Eu tentei demonstrar que ainda existe misticismo. Apesar dos argumentos não terem sido válidos pra ele, resolvi colocar aqui alguns, e outros que me vieram na cabeça depois.

Primeiro, a Terra é uma grande bola mineral vagando no meio do vazio. Vazio não é bem a palavra, porque existem outros corpos celestes, mas mesmo assim é uma palavra válida porque a densidade de matéria ocupando o espaço é menor do que qualquer vácuo que cientistas tenham conseguido no laboratório.

Segundo que a Terra, em especial, tem algumas peculiares "coincidências". Era de certa forma engraçado quando na cadeira de introdução astronomia o professor dizia que determinados fatos não teriam motivo predeterminado, sendo algum tipo de excentricidade do acaso. Eu e um amigo, o Benhur, sempre nos olhávamos e diziamos "aham, coincidência, sei...".

Por exemplo, o fato de que no céu, para quem olha, a Lua e o Sol tem o mesmíssimo tamanho relativo, mesmo que suas distâncias e tamanhos de fato sejam completamente diferentes, dando a idéia de que os astros se colocaram de maneira precisa nos lugares onde estão. (isso é especialmente evidente nas poucas possibilidades de eclipse total que tivemos, onde a lua faz sombra no sol e tapa ele completamente.)

Outra coisa é as temperaturas médias do verão nos dois hemisférios: no verão do hemisfério sul a Terra está no Periélio, o ponto da órbita em redor do Sol mais próxima do Sol, o que teoricamente deveria tornar o nosso verão mais quente que o do hemisfério norte. Porém, como no hemisfério sul temos mais água, o calor é mais refletido pela maior quantidade de águas, o que deixa o verão do hemisfério sul equilibrado com o do hemisfério norte.

Ainda tem um absurdo de eventos não físicos em que se baseiam crenças de todo tipo; os sonhos, em que a psicologia precisa se aprofundar muito ainda (além de se livrar de maluquices freudianas como interpretações sexuais envolvendo quanquer coisa que tenha formato cilíndrico); além das maluquices experimentais envolvendo água, luz ou fósseis, assuntos em que sempre tem gambiarra/dilemas.

Enfim... esse post foi escrito meio num momento sem tempo e sem muito interesse de escrever bonito, tolerem o autor, ele está com azia, tem umas provas aí, e está escrevendo enquanto conversa com a namorada e assiste a alguns vídeos.

Paztejamos