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30.10.11

Mankiw sobre a Discriminação no Mercado de Trabalho

O livro Introdução à Economia, do N. Gregory Mankiw, professor de economia em Harvard e presidente do Conselho de Assessores Econômicos da presidência do governo de Bush é muito genial. Peguei o livro na biblioteca em função da cadeira de microeconomia, comecei a ler desde a primeira página e não parei mais. Simplesmente fascinante! O cara é super didático, com exemplos muito elucidativos e comentários simples que fazem agente 'ter o estalo' e entender o que ele está querendo dizer.

Na parte 6 do livro, Economia dos Mercados de Trabalho, no capítulo 19, Ganhos e Discriminação (página 407 na quinta edição) ele escreve o seguinte texto que reproduzirei na íntegra (espero não ter problemas de direitos autorais, qualquer coisa eu tiro =D).

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Medindo a Discriminação no Mercado de Trabalho

Em que medida a discriminação nos mercados de trabalho afeta os ganhos de diferentes grupos de trabalhadores? Essa questão é importante, mas responder a ela não é facil.

Não resta dúvida de que diferentes grupos de trabalhadores recebem salários substancialmente diferentes, como demonstra a tabela 2 [que vou reproduzir após o texto]. Nos Estados Unidos, o homem negro mediano recebe 21% menos do que o homem branco mediano, e a mulher negra mediana recebe 8% menos do que a mulher branca mediana. As diferenças por sexo são ainda maiores. A mulher branca mediana recebe 23% menos do que o homem branco mediano, e a mulher negra mediana recebe 10% menos do que o homem negro mediano. Se tomados em seus valores absolutos, esses diferenciais parecem evidenciar que os empregadores discriminam negros e mulheres.

Há, no entanto, um problema em potencial com essa inferência. Mesmo em um mercado de trabalho livre de discriminação, pessoas diferentes recebem salários diferentes. As pessoas diferem no montante de capital humano que possuem e no tipo de trabalho que podem e desejam fazer. As diferenças de salários que observamos na economia podem, em certa medida, ser atribuídas aos determinantes dos salários de equilíbrio que abordamos na seção anterior [seção que não transcreverei aqui, mas que evidencia que os salários de equilibrio variam conforme vários motivos]. A simples observação das diferenças salariais entre grupos amplos - brancos e negros, homens e mulheres - não prova que os empregadores discriminem.

Considere, por exemplo, o papel do capital humano. Entre os trabalhadores homens, os brancos têm cerca de 75% mais chances de obter diploma universitário do que os negros. Assim, pelo menos parte da diferença entre os salários dos brancos e os dos negros pode ser atribuída a diferenças no nível de instrução. Entre os trabalhadores brancos, homens e mulheres têm agora quase a mesma chance de obter nível universtário, porém os homens têm probabilidade cerca de 11% maior de cursar uma especialização ou pós-graduação, indicando que parte do diferencial salarial entre homens e mulheres pode também ser atribuída à instrução.

Além disso, o capital humano pode ser mais importante na explicação dos diferenciais salariais do que sugerem as medidas de tempo de instrução. Historicamente, as escolas públicas das áreas predominantemente negras são de baixa qualidade - em termos de despesas, números de alunos por sala de aula e assim por diante - em comparação com as escolas públicas de áreas predominantemente brancas. De maneira similar, há muitos anos as escolas afastavam as meninas dos cursos de ciências e matemática, muito embora essas disciplinas tenham maior valor de mercado do que algumas das alternativas de estudo. Se pudéssemos medir a qualidade e a quantidade de instrução, as diferenças de capital humano entre esses grupos seriam ainda maiores.

O capital adquirido sob a forma de experiência de trabalho também pode ajudar a explicar as diferenças salariais. Em particular, as mulheres tendem, em média, a ter menos experiência de trabalho do que os homens. Uma razão para isso é que a participação feminina na força de trabalho vem aumentando nas últimas décadas. Por causa dessa mudança histórica, a trabalhadora média é, hoje, mais jovem do que o trabalhador médio. Além disso, existe uma grande possibilidade de as mulheres interromperem sua carreira para criar filhos. Por esses dois motivos, a experiência da trabalhadora média é menor do que a do trabalhador médio.

Já outra fonte de diferenças salariais está nos diferenciais compensatórios. Homens e mulheres não escolhem os mesmos tipos de trabalho, e esse fato pode ajudar a explicar algumas das diferenças nos ganhos entre eles. Por exemplo, as mulheres mais provavelmente serão secretárias e os homens mais provavelmente serão motoristas de caminhão. Os salários relativos das secretárias e dos motoristas de caminhão dependem, em parte, das condições de trabalho de cada ocupação. Como é dificil medir esses aspectos não monetários, é também dificil avaliarr a importância prática dos diferenciais compensatórios para explicar as diferenças salariais observadas.

No fim, o estudo das diferenças salariais entre grupos não estabelece nenhuma conclusão clara sobre a existência de discriminação nos mercados de trabalho americanos. A maioria dos economistas acredita que parte dos diferenciais salariais observados pode ser atribuída à discriminação, mas não há consenso a respeito de quanto. A única conclusão sobre a qual há consenso entre os economistas é negativa: como as diferenças entre os salários médios dos grupos refletem, em parte diferenças no capital humano e nas características dos empregos, elas, por si sós, não nos dizem nada a respeito de quanta discriminação há no mercado de trabalho.

Naturalmente, diferenças no capital humano entre grupos de trabalhadores podem, elas mesmas, refletir discriminação. Os currículos menos rigorosos tradicionalmente oferecidos às estudantes, por exemplo, podem ser considerados uma prática discriminatória. De forma similar, as escolas de qualidade inferior historicamente disponíveis para os estudantes negros também podem ser atribuídas ao preconceito das câmaras municipais e dos conselhos de ensino. Mas esse tipo de discriminação ocorre muito antes de o trabalhador ingressar no mercado de trabalho. Nesse caso, a doença é política, ainda que o sintoma seja econômico.

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Em sintese, agora tenho um bom argumento contra anúncios tipo os dos onibus com mulheres brancas e negras comparando seus salários.

Paztejamos

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