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24.11.12

Moralmente encurralados

Essa semana peguei o ônibus com um amigo - por motivos diversos creio ser sábio não mencionar o nome - e discutimos sobre uma coisa que me parece ser sempre a mesma discussão sobre roupagens diferentes. Falávamos sobre os extremos carnais da libertinagem ou do legalismo e, como a forma como o assunto se desenvolveu pareceu frutífera para uma discussão ampla (não só cristã) sobre comportamento ético, achei o tipo de coisa que poderia colocar aqui.

A carne humana no cristianismo é algo como o 'instinto' ou a vontade decorrente do prazer. É aquilo que nos incita a fazer algo que vai nos dar prazer, independente de algum valor moral. Nesse aspecto, podemos dizer que a carne, por exemplo, é a responsável pela nossa vontade de comer picolé no verão (moralmente sem problemas), tanto quanto a responsável pela nossa vontade de matar alguém que nos faz algum mal (moralmente inaceito). Esse é um conceito que extrapola o cristianismo, porque qualquer um pode conceber essa ideia sem precisar levar em conta qualquer ideal ou valor cristão. A carne é a responsável pela "busca do prazer", em síntese.

Dado isso, os dois extremos ligados a esse conceito são: "aceitar todos os prazeres da carne" ou "negar todos os prazeres da carne". São o que chamamos no começo de "libertinagem" e de "legalismo". Esses são apenas nomes, mas o necessário é conceber a ideia. Aceitar todos os prazeres significa ceder a todas as vontades, fazer tudo o que deseja, viver a vida 'sem limites'. Geralmente se associa esse tipo de comportamento no meio cristão a, sei lá, "sexo, drogas e rock and roll", mas isso implica também comportamentos mais destrutivos a si mesmo e ao próximo. De qualquer forma, é instintivo ter esse extremo como prejudicial, destrutivo, não saudável.

Do outro extremo, ao contrário, temos os comportamentos ligados a negação absoluta da carne. São coisas como viver como um monge, ou, como é mais comum no meio cristão mainstream, "orar X horas por dia", "fazer jejum X vezes por mês" ou "ler X capítulos da Bíblia por dia", além de (como são nas igrejas mais esquisitas/engraçadas) "saia, cabelo cumprido e zero maquiagem" :P Esse é um extremo ligado a um terrorismo santificador, uma prisão, uma tortura chamada de religião. Pra qualquer um que não viva dessa forma, esse comportamento é exagerado, destruidor, maléfico de qualquer forma.

[Postos os dois extremos, fica a ressalva cristã: dada a soberania divina, Deus não é obrigado a operar no segundo caso, assim como proibido de operar no primeiro. Qualquer um dos dois tem livre acesso a Deus pela vontade dEle. Isso não sou eu que 'afirmo', é uma ideia, aceita consensualmente, chamada Graça, explicitamente mencionada por Paulo em suas cartas.]

Dado que tanto um quanto outro extremo moral é prejudicial, deve haver algum 'meio termo' onde se possa estar. Aparentemente, no contexto cristão, foi o que Jesus sugeriu: "um caminho do meio" ético, onde se possa "ponderar todas as coisas e escolher a melhor forma de lidar com cada uma". Bom, mesmo que não se seja cristão, há de se convir que nenhum dos dois extremos parece conveniente e, assim, um caminho do meio parece ser a melhor escolha.

O caso é que, para qualquer caminho do meio, em qualquer ponto intermediário entre extremos, somos igualmente hipócritas. Essa é uma conclusão extra-cristã. Digo, Por mais que desejemos ser coerentes em nossas escolhas, não conseguimos ser plenamente éticos quando expostos a análises mais profundas. Por que alguém pode matar insetos e plantas, mas não animais? Por que é aceitável que alguém roube pra comer, mas não pra comprar cachaça? O que diferencia a pena de morte a uma criança da pena de morte a um criminoso - nesse caso, ainda mais, por que condenamos à morte crianças e não criminosos? Não estou promovendo a discussão, e por mais que alguém se ache com respostas aceitáveis a essas questões (o que eu duvido muito), sempre haverá outras sobre as quais haverá silêncio. E o motivo é que somos moralmente movediços, porque relativizamos determinados conceitos, e extremamos outros, conforme nossa conveniência. Algum cristão pode relacionar essa conclusão à menção bíblica que afirma que a justiça humana é "como trapos de imundícia". Eu não posso concordar mais.

E, se não conseguimos justiça por nós mesmos, se estamos moralmente encurralados, se não há lógica humana que permita justificação, então só podemos apelar para justiça divina. Essa sim, posso afirmar, é uma conclusão cristã. Qualquer não cristão pode adotar o destrutivo comportamento de assumir que essa é a realidade pessimista em que nos encontramos, e nisso não há contradição. Mas nós cremos, e temos absoluta confiança, de que Jesus é a nossa justiça. A única que pode salvar o homem caído e pecador, o qual nenhum comportamento moralmente aceito e não-destrutivo consegue justificar.

19.11.12

Sobrestimado Livro

Nunca fui de ler muitos livros. Se lia dois ou três por ano, era por obrigação da faculdade e sempre empurrando com a barriga até a leitura se tornar inevitável. Como eu gostava de dizer - e até pouco tempo dizia, antes de entrar numa onda de estudos pra concursos - não gostava de nada que tivesse mais do que 50 páginas. Mesmo assim, nunca me considerei mais ignorante que meus colegas, ou mais estúpido, burro, entravado... pelo contrário, sempre soube desenvolver meus argumentos de igual pra igual em discussões (talvez porque eu adore discutir). Aliás, talvez o leitor se identifique, porque, por menor que seja a bagagem literária de alguém, qualquer adolescente consegue bons argumentos pra sair à noite ou posar fora de casa.

Só que, e de uns tempos pra cá tenho reparado nisso, tem sempre uma "superioridade amistosa" em quem lê livros, quando comparado a quem não tem esse hábito. É como se dissessem "ah, meu amigo burrinho que não lê, eu não me importo que tu seja burrinho; sou superior a essa nossa diferença cultural, apesar de que tu seria muito mais inteligente se lesse o que eu leio, que é o caminho certo pra chegar ao nirvana intelectual".


E o meu palpite sobre o motivo pelo qual isso acontece é que livro e leitura se confundem: quando alguém fala em ler, sempre pensa em ler 'livros', o que torna o livro o representante-mor da leitura, a leitura por excelência, o que implica dizer que quem não lê livros, não lê, e quem não lê - e esse é um ponto de vista bastante moralizante - é um ignorante, bocaberta, estúpido. Daí que, sob tons alterados de discussões na internet, alguém se autoafirma mestre sobre certo assunto dizendo "tu diz isso porque não leu XYZ!", onde XYZ é algum livro de alguém que só pode ser um "guru" sob o qual a verdade se dobra. Claro que, nesses casos a 'amistosidade' do parágrafo anterior já foi pro brejo e sobrou só a 'superioridade'.


Mas o caso é: qual a diferença do livro pra outras mídias? Sei lá, eu (e muitos jovens da nossa época), as vezes, aprendo muito mais assistindo a vídeos tutoriais do que lendo um manual chato; me interesso muito mais na "leitura" de um filme do que de um romance - aliás, detesto romances -; e as vezes assimilo muito mais informação ou fantasia ouvindo um rádio ou mesmo ouvindo uma pessoa me contar uma história ou lendo um mangá. (A propósito, questão filosófica: mangá é livro?)

E também: tem gente que lê pra caramba, mas não entende o que lê - inclusive quando lê as mesmas coisas mais de uma vez. Eu conheço crente que lê a Bíblia 5 vezes ao ano e ainda continua com as mesmas neuras sobre cabelo, saia, barba e terno. Isso porque não lê mais livros sobre o assunto, ou as vezes até lê, mas não os certos, ou não entende o que lê... Mesmo assim, num confronto com quem não lê, essa leitura é "autoridade", mesmo que esse que não lê tenha assistido muitas horas de vídeo ou ouvido e participado de muitas discussões sobre o assunto.

Nesse aspecto o livro é implacavelmente sobrestimado: só se derruba um leitor com outro leitor, o que é uma grande bobagem, convenhamos. A única coisa que a leitura não vence é um diploma - o que na verdade também remete a leitura, porque o diploma nada mais é do que o certificado de quem passou muitas horas "estudando" (ou "lendo muitos manuais e obras") sobre aquele determinado assunto.

Claro que estamos tratando de assuntos humanos. Um engenheiro demonstra que sabe resolver integrais triplas resolvendo integrais triplas. Não precisa convencer de sua autoridade, já que sua demonstração é objetiva. Um calouro na escola de engenharia pode resolver integrais triplas com muito mais facilidade que um veterano e isso demonstra objetivamente o quanto ele sabe mais sobre o assunto que o veterano. O problema é quando as coisas estão nesse limiar objetivo/subjetivo humano onde cada um constrói a sua própria realidade com base em sua bagagem cultural e depois a confronta com a dos outros, o que as vezes se torna como perguntar "tu prefere limão ou samba?", o que é um problema sério de categorias.

De qualquer forma, livros são legais (principalmente quando têm cheiro de novos). Admito seu valor. Aprendi muito com eles - mesmo forçosamente, as vezes. Só detesto ver essa arrogância enrustida de inteligência que alguns mostram por aí - principalmente quando descabida, quando é de gente que só lê best seller frufru sem muito conteúdo. Adaptando um pouco a frase de um amigo no Facebook outro dia: "livros são o principal instrumento pra gente burra ostentar suposta inteligência".

25.6.12

Lá vem!

Já posso sentir o fim do semestre se aproximando.

Lá vem! já vejo o fim do túnel!
Terra a vista!

Paztejamos

3.6.12

Estudos : quase no fim

Estamos quase lá. Poxa, quem me via postar há dois anos atrás não imaginava que eu deixari o blog 2 meses parado. Mas é que tá brabo, tá dificil, correria de verdade...

Eu acordo as 6:20 pra pegar o bus das 7h. Trabalho até as 18h e vou pra aula as 18:30. Terminada a aula as 22h, vou esperar a Pri no universitário, que ela sai 22:30. Pegamos o bus de volta as 23h; chego em casa pouco antes das 0h e tenho que comer, tomar banho e, dependendo, ainda dar uma lida, estudada, arrumada em alguma coisa. Acabo dormindo em torno de 1h ou 1:20.

Portanto, tá dificil de postar. Mas não dá nada, to quase lá, já chamaram 18 no BB e eu sou o 32º; e o semestre terminando eu vou conseguir tempo de novo.

Estou postando aqui ligeirinho pra poder ler direito tributário ainda. Mas minhas provas vão até o fim do mês no máximo, então tá legal, to tranquilo... a princípio vai dar tudo certo =D e provavelmente eu deva passar em tudo - assim espero.

Que seja, vou indo e até breve.

Paztejamos

25.4.12

Teias e mais teias...

Tá dificil, to fazendo zilhões de coisas e tá complicado vir aqui postar...
Além disso, to andando muito de ônibus, que me dá muito tempo pra pensar, o que significa reflexões melhor formuladas, mais complexas e mais demoradas de transcrever...
Por essas e outras to sem postar.

Mas eu prometo que posto no fim do semestre, quando o tempo 'reaparece'. Quero escrever sobre algumas coisas, mas principalmente sobre o 'redespertar' da filosofia em mim e algumas conclusões sobre predestinação e livre-arbítrio (que emanaram principalmente depois de um impasse com alguns amigos calvinistas).

Enfim... nos vemos no fim do semestre.
Ou quem sabe antes, se der alguma brecha e eu souber aproveitar =D

Paztejamos

3.4.12

A Verdade Sobre a Globo

Por Arnaldo Jabor.

Assistir à Globo? É melhor você desligar a tevê, e ir ler um livro. Vai por mim, é melhor. Porque perder seu tempo, seu precioso tempo, com entretenimento baixo, e jornalismo de péssima qualidade? A bem da verdade, a Globo, se já foi, não é mais. E faz tempo.
Novelas bestas, programas de auditório de retardados e - o pior de tudo - um jornalismo de merda.
Q...uer ver o cúmulo da ignorância? Recomendo que assista ao ignonímio "Jornal da Globo", à noite. Mas cuidado com o que vai ver! Eu não me responsabilizo por eventuais danos no seu cérebro.
Você verá, depois de algumas "notícias", a presença ilustre de um grande palhaço, tecendo seus comentários imbecis. Humilde como um pavão, faz troça de tudo e de todos. Um homem culto, dizem. Dizem mais: esse aí é cineastra e jornalista: sabe do que está falando. Mas eu digo que esse aí só tem pompa. A cauda de pavão não me esconde a ausência total de massa cinzenta dessa criatura.
É o Pacheco brasileiro. Não sabe quem era o Pacheco? Viu, nisso que dá não ler nada e perder seu tempo com a Globo! Pacheco, personagem de Eça de Queiróz, era um homem em que todos viam "um grande talento". Só que o "talento" terminava na testa respeitável do homem. Era oco, não tinha nada por dentro. Apenas parecia alguma coisa, pelo que todos se impressionavam...somente com a pompa.
Pacheco chegou a ministro em Portugal. E morreu, sem deixar nada para a posteridade.
Pacheco, aquele que tinha um imenso talento! Fez escola no Brasil, e o pavão do Jornal da Globo é seu discípulo mais fervoroso.

2.4.12

Estado laico: nádegas a declarar

Agente se dá conta de como esse blablá de Estado Laico é ideologia barata quando confronta com feriados como a Páscoa.

Pega o ano desde o começo. Começa por Iemanjá, 2 de fevereiro. Dá? não! É festa do Candomblé, o Estado não tem nada que fazer feriado. Ah, mas é de santa também. E daí? Santa é religião, e se o Estado é laico, dá na mesma.

Que que vem depois? Carnaval. Carnaval é feito em função da Páscoa, se o Estado é laico tem que cortar. Mas deusolivre, o comércio não ia gostar, deixa do jeito que tá, quando é que vamos gastar tanto e ter tantos dias seguidos de folga? Na Páscoa, claro, quando algumas repartições fazem inclusive QUINTA FEIRA SANTA!

Em seguida: São João. Pelo nome já se vê que é de santo. Mesmo se agente quiser pensar na origem, era baseada no solstício de verão no hemisfério norte, ou seja, feriado pagão. Paganismo = crença = fé = não pode. Ah, pobres escolas, é a unica festa delas que dá certo.

Dia dos namorados então, quem sabe? Nada! Dia de São Valentim. Apesar de que no Brasil é feito em outro dia: véspera do dia de Santo Antônio, conhecido por ser Santo casamenteiro. E há uma alusão mais do que comum ao cupido, deus grego, nessa feriado. Ou seja, fora.

Então mais adiante, dias das crianças. Ah, esse pode. Pode NADA! Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil.

Natal? Nem precisa explicar. E pode montar pinheirinho em órgão público? NÃO! Pinheiro tem vínculos religiosos pagãos. E papai noel quem sabe? também não: tem vinculos a São Nicolau além de outros deuses nórdicos.

Ficariamos com, quem sabe, dia dos pais e das mães. Mas espera. Uma análise mais profunda e concluímos que pai e mãe são constituídos em função do sentido de família tradicionalmente judaico-cristão. Um Estado laico não pode se direcionar a uma determinada filosofia religiosa. Nossas "famílias" de hoje em dia envolvem duas mães, dois pais, filhos sem pais, filhos sem mãe, filhos criados por pelos irmãos, criados pelos avós... nosso Estado laico distribui camisinhas a crianças de 15 anos como "prevenção". Teríamos que ter um feriado mais amplo ou nenhum feriado.

Por fim estariamos com o 1 de janeiro e, sei lá, o 1 de maio. A indústria ia adorar, todo mundo trabalhando sem folga, mas é passível de internação qualquer que apoie tais bizarrices.

Mas extrapolemos mais um pouco. Por que uma semana com 7 dias? Genesis, Criação. Por que temos fim de semana? Sabbath judaico, "dia do Senhor" e Domingo cristão, em que Jesus ressucitou. Por que nossos dias se chamam segunda a sexta feira? Ordem do papa na antiguidade, que só Portugal acatou, pra desvincular o nome dos dias aos deuses (lua, marte, mercúrio, venus, saturno e o sol). Aliás, em outras linguas (inglês, espanhol) os dias continuam vinculados aos deuses. Se nosso estado é laico, deveriamos fazer um concílio no mínimo ecumênico pra rever o nome dos dias, em vez de ceder a arbitrariedade papal antiga.

E alguém pode alegar "mas isso tudo é tradição". Oooouquei. Então cruzes nos tribunais e citações a Deus na constituição também me parecem serem tradicionais da mesma maneira como dizem "vai com Deus" ou "graças a Deus" ou ainda "Pelo amor de Deus" de maneira tradicional, sem pensar necessariamente em Deus ou ter vinculo de crença nele.

E nessa perspectiva que se conclui que esse blablá de Estado laico não é em favor da liberdade de crenças (ou não crença), ou pela convivência pacífica dad crenças mas por uma ideologia anticrença, anticlerical; não laica mas contra a fé. Porque ser laico não significa que não pode haver crença, significa que nenhuma crença deve ser beneficiada. Porém, é escraxadamente óbvio que os ativistas desse tal "Estado laico" só metem o bedelho criando xexexês superficiais aonde convêm, aonde não vai influir grandes coisas, aonde só vai criar polêmica pra aparecer em talk shows cults da TV Cultura. E sinceramente, esse tipo de ativismo me anoja. Para esses ativistas é que eu escrevo essa agenda inteira para eles terem matéria sobre as quais se revoltar de agora em diante contra o nosso calendário.

E pra quem realmente se importa em uma convivência pacífica entre as fés (ou as vezes fezes) e um não enveredamento do Estado pra determinada crença em detrimento de outra, eu sugiro começar a lutar em favor do direito dos sabatistas de não prestarem concurso sábado, por exemplo; ou lutar em favor de punições a evangélicos sem noção que chutam santas ou criticam as religiões afros na tv. Isso sim me parece lógico e coerente, porque está trabalhando com algo real, não com pressuposições razas que só raciocinam metade da tradição.

E eu esse natal eu prometo que se eu ver um pinheiro montado na UFRGS vou tirar foto pra escarnecer aqui junto com os apregoadores do fim das cruzes nos tribunais. Ha Ha.

Paztejamos

29.3.12

O que te move?

Hoje peguei o ônibus com um amigo antigo, na ida e na volta.

Quando fomos, eu estava indo pra uma entrevista pra um estágio - TOMARA QUE ME CHAMEM! - e depois, na volta, estava voltando da aula (hoje foi um dia atípico em que eu fui, voltei e fui de novo pra porto - normalmente eu fico por lá quando tenho mais de uma coisa pra fazer).

Esse meu amigo, eu não conversei com ele mas, parecia que ele estava indo pro trabalho. Pelo que pude ver no Facebook dele ele está pra ter um filho e ao que me parece, deve estar casando ou casado. Detalhe importante: ele tem a mesma idade que eu e lá pela segunda série agente até estudou juntos.

Fomos no Fátima (ônibus) das 9:30 e voltamos no Colina (outro ônibus) as 22h, o que significa: ele passou o dia por lá, na função dele (seja lá qual for).

[São 23:22 agora, o que significa que, na fila das possibilidades de posts - que está bem cumprida, já que to a mais de mês sem postar - essa reflexão furou, passou na frente, e feita aos apuros, refletiu tudo que estou passando por agora]
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Essa semana larguei meu ex-novo-emprego. [Eu estava trabalhando de teleoperador de Call Center e não estava satisfeito com o conjunto atividade/remuneração - entre outras coisas, como estar me atrapalhando pra estudar, se bem que é secundário, já que estou mesmo arrumando outro emprego.] Desde que larguei, comecei a procurar outro freneticamente, mas meio sem objetivo, ou "Sem Refletir no Objetivo".

No fundo eu tenho um objetivo predeterminado (o mesmo motivo que me levou a conseguir o primeiro emprego) e envolve especialmente a minha namorada: quero trabalhar pra poder ajudar ela nos projetos dela - e gostaria especialmente que ela não trabalhasse pra poder se dedicar a tais projetos. [não vou descrever e não vem ao caso os projetos dela, mas envolvem evidentemente tempo e dinheiro] Mas... como isso me consome.

Existe um dilema aqui que é um paradoxo: pra que eu possa ajudar a Pri nos planos dela, eu tenho que ocupar todo o meu tempo e consequentemente não ter tempo pra ela. Isso é ruim, e eu queria ter mais tempo, tanto pra ela quanto pra mim mesmo, mas isso só é possível se, então, ela trabalhar, o que significa prejudicar os planos dela. [Isto é exatamente o que nas aulas de economia chamam de "Custo de Oportunidade".]
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As vezes lá no meu interior uma coisa grita como que querendo chutar o balde, dizendo "CHEGA!" e largando tudo de vez como, aliás, eu já sou especialista. E isso também com a Pri. O meu eu as vezes me coage a pensar, principalmente quando eu me estresso com ela ou quando ela reclama de algo em mim, que eu não devia me dispor a tanto esforço (estou fazendo 7 cadeiras e estava trabalhando 6h) porque, afinal, "eu não sou responsável por isso, ela que se vire; somos só namorados, eu não tenho essa obrigação. Eu estou estudando e se eu trabalhar é só por ela... por mim eu estaria descansado esperando o resultado do concurso, ou trabalhando em outras oportunidades mais lights, menos cansativas e menos rentáveis, só pra ter um troco na mão... eu deveria mesmo é ficar sem trabalhar." Mas o caso é que não é bem assim.

Eu não tenho obrigação, de fato, mas naquilo que me comprometi, me comprometi por vontade própria. Minha "obrigação" é por amor. E nesse amor eu me sinto feliz em fazer algo por ela. E nisso eu entendo como alguém tira energia de onde não existe pra fazer pelo próximo o que não conseguiria pra si. Ontem mesmo me peguei propondo um esforço que eu tenho certeza que não aguentaria por mim mesmo, mas que por ela certamente faço feliz e tranquilo [também não importa o que, mas evidentemente tem a ver com comprometer tempo e esforço].
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Voltando ao meu amigo no ônibus: vê-lo me clareou a mente. Até a última vez que eu falei com ele, ele estudava e tinha possibilidades de ganhar bem trabalhando pouco, mas resolveu assumir responsabilidades e fez as suas escolhas. Agora trabalha mais e ganha menos dinheiro. Mas isso não é uma perda - como nosso sistema extremamente materialista pensaria -, é um grande ganho. Um ganho de personalidade e de experiência vinculados ao amor.

Eu, por exemplo: poderia estar em vários lugares, conhecer diversos tipos de pessoas, fazer diversas coisas, não fosse estar namorando; mas não troco nenhum dia do meu namoro por uma só dessas experiências descritas acima. Isso porque pra mim ela é mais do que namorada: é minha amiga, minha filha, minha mãe, minha tudo. E eu não falo isso por dramalhão como agente vê na TV, eu falo porque de fato é assim: quando me proponho a fazer coisas por ela que não faria por mim, estou tendo ela por filha; quando não faço coisas irresponsáveis porque sei que ela não gostaria que eu fizesse estou tendo ela por mãe... e assim por diante.

E é daí que vem a conclusão da "Reflexão no Objetivo": minha busca alucinada não é tão alucinada assim; é uma escolha bem fundamentada: a escolha de agradar a mim mesmo agradando a ela. E por mais que agente se veja menos e eu me desgaste mais [como o meu amigo com o filho/esposa], se isso puder produzir bons resultados pra ela, eu vou fazer.

Portanto eu termino a semana entrando numa sexta-feira de bem porque posso dizer que o meu "correr contra a máquina" tem propósito e vai ser alcançado. Essa foi uma reclamação que eu fiz domingo conversando com a Pri: que parecia que eu estava me esforçando, me puxando, me sugando, "correndo contra a máquina", mas nunca alcançava o alvo, nunca conseguia chegar. Pois bem, por mais que não alcance, o dia de hoje me mostrou de forma nítida como vale a pena continuar tentando.

Paztejamos

[Obs1: essa má consciência que me diz "CHUTA O BALDE! CHUTA O BALDE!" me persegue sempre, não adianta... mesmo em assuntos bem fundamentados, como é o caso do meu namoro, existe sempre um cigarro aceso pronto pra ser lançado na seca e botar fogo em tudo. Mas isso não sai pra fora normalmente e não me afeta, fica normalmente só na consciência... o que significa dizer: meu namoro vai bem, obrigado. A descrição acima é uma coisa extremamente interna e não produz efeitos no meu relacionamento]

[Obs2: a composição mental desse texto envolvia uma série de alusões a Graça. Não foi proposital não escrevê-las, mas creio que elas já não cabem no corpo do texto. Vale dizer: assim como eu me disponho a um esforço pra minha namorada além do que eu me disporia pra mim mesmo, Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho para morrer na cruz para que qualquer um que creia nEle possa ter a Vida Eterna.]

20.2.12

O evangelho de Leslie Burke

Acabei de assistir ao fabuloso filme Ponte para Terabítia(2006), baseado no romance infantil homônimo, de 1977. O introvertido garoto Jesse Aaron encontra a amizade de Leslie Burke, uma menina fascinante e 'moleca". Os dois constroem um mundo de fantasia, para o qual se refugiam, ao mesmo tempo em que dele tiram forças para enfrentarem a difícil rotina da escola e da vida em família. O filme, entretanto, é sobretudo sobre o crescimento de Jesse, já que Leslie é uma heroina completa, que mostra ao guri as possibilidades infinitas que uma imaginação solta pode proporcionar.

Mas um trecho do filme me chamou a atenção em particular.

Quando a dupla está voltando de uma de suas aventuras, Jesse avisa a Leslie que tem de voltar cedo para casa, pois sua família irá para a igreja. A moleca diz que quer ir junto. Jesse diz algo como "não, é chato.". Mas a menina insiste, dizendo que vai ser legal. Ele a avisa que terá de botar uma saia (Leslie era uma moleca, afinal), mas ela diz que não tem problema, que vai de vestido.

E vão pra a igreja. Cantam a versão em inglês do hino nº 295 da Harpa Cristã, "A mensagem da cruz". Tudo conforme as igrejas norte-americanas.

De volta da igreja, junto de Jesse e da irmã dele, Leslie diz:

- Como é legal a história de Jesus!

Mas a irmãzinha de Jesse, menina de uns cinco anos, retrucou.

- Eu acho era assustadora! Enfiaram pregos enormes nas mãos dele, para que ele pagasse os nossos pecados!

A moleca, que vinha de uma família não religiosa, perguntou:

- Acredita mesmo nisso?

-Claro! Está escrito na Biblia! E se você não crer na Bíblia, vai para o inferno!

Leslie então se dirigiu para Jesse, que se encontrava quieto até agora.

-E você, Jesse? Acredita nisso?

O garoto respondeu, sem muita ênfase:

- Sim, acredito.

A garota então veio com essa:

- Vocês acreditam, e não gostam. Eu não acredito, e acho muito legal!

Há uma lição aí. Uma lição que todos devemos aprender.

11.2.12

Deserto

Tenho passado bastante tempo sozinho, ou pelo menos em espaços e com pessoas não convencionais, o que me dá tempo e situações em que refletir. E as vezes sinto muita vontade de chutar o balde.

Leitor apressado, não tire conclusões precipitadas: explico ao longo do texto com detalhes o que significa 'chutar o balde'. Isso não tem a ver tanto com minha espiritualidade, o que normalmente é mais tratado nesse aspecto nesse blog. Tem a ver com tudo mais, o que eu faço da vida.

As vezes eu penso, por exemplo, na faculdade: se não tivesse pegado um emprego, poderia cursar 9 cadeiras e avançar 2 semestres de uma só vez - e com certeza eu daria conta, dado o baixo nível de exigência do meu curso. As vezes eu olho pra minha namorada - que é bonita é inteligente, diga-se de passagem - e comparo com outras gurias que eu vejo no facebook ou entre meus circulos de amizade com quem eu provavelmente tivesse chance e fico me questionando se vale a pena continuar namorando. As vezes eu não sei se meus planos ideais de concurseiro pro Banco Central são realmente boa escolha, visto a dificuldade extrema da prova.

É claro que isso não significa que eu vá desistir desses projetos de imediato. Mas me revoltar contra eles as vezes parece uma idéia muito plausível.

Quinta eu fui no ônibus lendo Números. Li do capítulo 9 ao 15, se não me engano, e, credo, não me lembrava como o povo de Israel era tão ingrato. Quando Israel chegou perto de Canaã, a terra prometida, e Moisés mandou os 12 homens pra espiar a terra - e ver o que tinha e quem morava lá -, o povo, depois de ser desanimado por um dos 12, chegou a dizer que o Egito é que manava leite e mel.

Nessa passagem fiquei meditando. Deus me deu alguns projetos na vida e o meu futuro é planejadamente próspero se esses projetos funcionarem de maneira ideal... então por que eu estou preucupado com o presente? não quero mudar de planos no meio do caminho como, aliás, já fiz várias vezes ao longo da vida. Finalmente tenho algum projeto de longo prazo e não quero estragar nada disso. O maior - e único - problema é o presente.

Neste presente eu tenho que trabalhar bastante, estudar muito, ganhar pouco dinheiro e namorar pouco. Estou como o povo, de uma escravidão (de fato, há alguns anos, estava escravo das circunstâncias adversas a que era submetido, simplesmente sem norte), rumo a uma condição muito boa (casamento, bom salário, estabilidade e fazendo minhas atividades de projeções 'sociais' - ou seja, numa terra que mana leite e mel). Não posso murmurar no meio desse caminho, no deserto, se não corro o risco de nunca entrar na terra prometida...

Se revoltar não é preciso quando se mantém o foco lá na frente. Por piores que sejam as condições do presente, as projeções para o futuro são ótimas e não trocaria minha vida de sorte pra voltar a uma vida incerta. Uma colega me disse há alguns dias, depois de me perguntar se eu já tinha usado alguns tipos de drogas, que eu ainda não tinha aproveitado o bom da vida... bom, espero daqui há uns anos demonstrar o quanto ela estava errada.

Paztejamos

21.1.12

Ad Hominem

[Tenho um texto em mente pra escrever cujo título é "Em defesa aos males do mundo". Estou pensando, argumentando mentalmente, mas ainda não está concluído. Que seja, hoje o post é sobre outra coisa.]

O maior problema das discussões sobre teorias humanas - filosofia, teologia, sociologia, etc -, e que é um grande complicador pra que se chegue a um consenso, é que muito gente recorre a exemplos práticos falhos de aplicação das teorias em vez de abstrair para um mundo ideal onde a teoria é de fato colocada totalmente em prática. Isso não acontece na matemática ou na física, por exemplo, onde a coisa está tão abstraída e afastada da realidade (como a história das galinhas esféricas e no vácuo), que ninguém em sã consciência ousa contrastar teoria com realidade como se uma fosse anuladora da outra. Essa coisa de negar a teoria baseado na aplicação falha dela na realidade é o que se chama de "argumento ad hominem".

Explico: imagine que se esteja pensando em um ideal, o catolicismo ou o comunismo, por exemplo (estou usando parte política e parte religião porque as vezes os preconceitos das pessoas não as permitem enchergar o problema por traz desse tipo de argumentação). Qualquer um, ao ponderar sobre o comunismo ou o catolicismo, pode ser seduzido a negar seus ideais baseados em períodos da história em que eles foram aplicados de maneira distorcida, como quando os católicos usaram a Bíblia pra matar muita gente e encher a igreja de posses; ou como quando os comunistas sufocaram e oprimiram milhares (ou milhões, não sei) de pessoas - e ainda oprimem em alguns lugares do mundo.

Porém, na verdade, não se pode negar nenhum ideal (catolicismo, comunismo) baseado em aplicações falhas deles (católicos, comunistas) porque não se sabe em até que ponto eles são coerentes. Não se sabe nem até que ponto eles concordam entre si sobre as interpretações dos textos dos autores que disseminaram o ideal inicial.

O Islamismo, por exemplo, é uma religião Abraamica, e provavelmente dentro de seu livro principal - o Corão - se encontram muitos textos que pregam os conceitos comuns de amor, tolerância, paz... mesmo assim, alguns homens radicais explodem bombas amarrados em seu corpo com fé que depois disso se encontrarão com 72 virgens; O crisitianismo coerente prega a Graça de Jesus e a abolição da lei de Moisés... mas mesmo assim não me admira que cristãos fundamentalistas - os republicanos norte americanos são dos que mais aparecem na tv - apedrejem homossexuais e protestem em velórios.

Ad hominem, é, portanto, negar X pelo fato de que quem defende X é duvidoso. Imagine que o governo esteja ponderando um imposto de importação de eletrônicos. O imposto é, de fato, melhor para o país (eu estou afirmando isso), mas o governo não sabe. Um produtor nacional de eletrônicos pode apoiar o imposto, baseado em alguma informação coerente, demonstrando de maneira clara que o imposto é melhor para o país mesmo. O governo, no entanto, ao perceber que o produtor de eletrônicos deve ganhar muito com isso - visto que isso deve diminuir a importação de eletrônicos e aumentar o consumo interno, que não tem imposto - pode negar o imposto, visto que seu argumento era em 'benefício próprio'. Ad Hominem, assim, pode ser encarado como um preconceito.

Enfim...

O motivo pelo qual escrevi sobre isso: outro dia participei de uma discussão. Um cara que eu nem conheço colocou uma foto do Chico Xavier em uma suposta situação de Charlatanismo. Baseado nisso, começou a criticar o Espiritismo.

Eu nem julguei a situação, só tentei demonstrar como não se pode inferir que o Espiritismo seja uma farsa baseado no mal comportamento de um Espírita. É um problema de argumentação, uma indução falha.

A discussão correu e foi para outros caminhos até que cansei de tentar tirar essa coisa de 'ad hominem' do caminho pra ter uma conversa sensata.

Por fim, resolvi escrever um post pra quem sabe no futuro alguém conseguir raciocinar melhor sem essa pedra falaciosa no caminho.

Paztejamos

1.1.12

2011: Um Ano de Conquistas

Esse é um balanço das coisas passadas durante o ano. Agora que já passou a febre e exagero da data e podemos refletir de maneira mais razoável, vim escrever esse texto.

Antes de começar a escrever, vale algumas considerações:
1- não usei a palavra "Vitórias" no título pra não parecer (neo)pentecostal místico que fica fazendo ufanismo pra gente alienada;
2- não me refiro ao mundo, a um espaço amplo: esse texto fala de mim, de conquistas e mudanças minhas e em mim.

Feitas as advertências iniciais necessárias, aí vai.

Comecei 2011 com várias inquietações. As mesmas inclusive que me encomodavam desde 2008, quando entrei na UFRGS. As idéias incoerentes e a falta de perspectiva de futuro se mostravam um inimigo dificil de vencer. Parecia que eu nunca teria expectativa de uma vida razoável. A faculdade, a igreja, a família... nada se conectava da forma que deveria. A única coisa que eu tinha como acertada (e que não precisava - e não precisa - fazer alterações) era meu namoro com a Priscilla, em que a tendência era - e é - só melhorar.

As coisas começaram a mudar quando fui pra praia em fevereiro. Fomos eu, a mãe, o tio e a Priscilla e lá conversávamos sobre o concurso do Banco do Brasil que haveria de abrir durante o ano. Eu tinha acabado de entrar na Física (tinha feito um semestre já) e tinha conseguido entrar numa bolsa de Iniciação Científica na Microeletrônica com a ajuda do Eliasibe. Eu tinha que apresentar um seminário na bolsa cujo conteúdo não tinha aprendido e era meio consensual - inclusive pra mim - que eu não era grandes coisas na física e provavelmente não teria um bom futuro alí. Assim, concluímos que eu deveria fazer o concurso do BB.

Minha mãe ficou muito encomodada com essa idéia: já tinha trocado muitas vezes de objetivo, já era hora de eu me agarrar em alguma coisa e ir até o final. Porém, quando viu que eu estava realmente interessado no concurso do BB, até me apoiou.

Eu precisava resolver minha vida. Dar um jeito de principalmente ganhar dinheiro por mim mesmo pra não depender mais da mãe. Era o que eu planejava com o concurso do BB. Assim, me matriculei em apenas uma cadeira na faculdade e me encarnei nos estudos pro concurso.

Com o tempo minha mãe viu meu empenho e até me pagou um cursinho pro concurso - não antes de eu dar uma boa chorada, e também porque eu tinha achado uma promoção. A cadeira que eu me matriculei não dei muita importância e acabei rodando. Mas não estava muito interessado em passar porque inventei uma 'desculpa' pra minha própria consciência: trocar de curso mais uma vez.

Dessa vez a idéia até era coerente: eu trocaria de curso pra um curso que fosse útil caso eu passasse no banco. Até porque, que adianta se formar em física se eu for ser bancário? Pedi transferência e consegui entrar pra Ciências Atuariais.

Atuário, além de ser um bicho escasso no mercado, e de bom aproveitamento no Banco, é um cara que se forma muito fácil. Haja curso mais barbada! Na física eu dava o sangue pra tirar um C, na Atuariais eu estudo no dia antes de prova e tiro A. Algumas pessoas dizem que eu estou achando fácil porque eu gosto do assunto, mas a verdade é que eu gosto porque estou achando fácil. Descobri que é muito mais razoável se formar em algo fácil e que dê dinheiro do que trabalhar em algo que pague mal por gostar apesar do grau de dificuldade.

Por fim, fiz o concurso, fiquei com uma boa classificação. Na faculdade tive notas ótimas e espero concluir o curso no menor tempo possível (se tudo der certo, em 3 anos a contar a partir desse semestre. O que faltou - e eu estou tentando resolver isso - é que não arrumei emprego ainda enquanto não me chamam pro Banco. Mas pelo menos vendo trufas e ajudo o Alan nos trabalhos de fotografias em 15 anos, formaturas e casamentos, o que têm me dado um troco e determinada independência financeira. Além disso estou terminando de tirar a carteira de motorista... o que deve demorar algumas semanas ainda.

Com toda essa história só tenho que agradecer a Deus. Os ufanistas (neo)pentecostais que citei acima contariam esse meu ano com um blablabla gospel que colocaria um sobrenatural exagerado na minha história: coisas do tipo "Deus falou comigo pra que eu tentasse o concurso" ou "eu senti de Deus que deveria trocar de curso" e etc. Eu simplesmente estou contando como as coisas aconteceram. Eu posso dizer que a operação de Deus foi muito mais em me dar juizo e sabedoria necessários pra fazer minhas escolas; me dar disciplina e persistência necessários pra estudar todos os dias até aprender o que era necessário pro concurso; me dar uma cabeça mais adulta pra entender o que eu precisava e o que eu devia abandonar. Talvez em uma dimensão maior de compreensão do Universo Deus tenha um objetivo pra que eu tivesse aprendido um pouco de física, um pouco de filosofia, um pouco de sistemas de informação e eletrônica, mas eu não posso afirmar isso com certeza. Só posso dizer que 2011 foi um ano de grandes mudanças, um ano em que eu consegui determinar objetivos e dar um rumo pra vida.

Paztejamos