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21.1.12

Ad Hominem

[Tenho um texto em mente pra escrever cujo título é "Em defesa aos males do mundo". Estou pensando, argumentando mentalmente, mas ainda não está concluído. Que seja, hoje o post é sobre outra coisa.]

O maior problema das discussões sobre teorias humanas - filosofia, teologia, sociologia, etc -, e que é um grande complicador pra que se chegue a um consenso, é que muito gente recorre a exemplos práticos falhos de aplicação das teorias em vez de abstrair para um mundo ideal onde a teoria é de fato colocada totalmente em prática. Isso não acontece na matemática ou na física, por exemplo, onde a coisa está tão abstraída e afastada da realidade (como a história das galinhas esféricas e no vácuo), que ninguém em sã consciência ousa contrastar teoria com realidade como se uma fosse anuladora da outra. Essa coisa de negar a teoria baseado na aplicação falha dela na realidade é o que se chama de "argumento ad hominem".

Explico: imagine que se esteja pensando em um ideal, o catolicismo ou o comunismo, por exemplo (estou usando parte política e parte religião porque as vezes os preconceitos das pessoas não as permitem enchergar o problema por traz desse tipo de argumentação). Qualquer um, ao ponderar sobre o comunismo ou o catolicismo, pode ser seduzido a negar seus ideais baseados em períodos da história em que eles foram aplicados de maneira distorcida, como quando os católicos usaram a Bíblia pra matar muita gente e encher a igreja de posses; ou como quando os comunistas sufocaram e oprimiram milhares (ou milhões, não sei) de pessoas - e ainda oprimem em alguns lugares do mundo.

Porém, na verdade, não se pode negar nenhum ideal (catolicismo, comunismo) baseado em aplicações falhas deles (católicos, comunistas) porque não se sabe em até que ponto eles são coerentes. Não se sabe nem até que ponto eles concordam entre si sobre as interpretações dos textos dos autores que disseminaram o ideal inicial.

O Islamismo, por exemplo, é uma religião Abraamica, e provavelmente dentro de seu livro principal - o Corão - se encontram muitos textos que pregam os conceitos comuns de amor, tolerância, paz... mesmo assim, alguns homens radicais explodem bombas amarrados em seu corpo com fé que depois disso se encontrarão com 72 virgens; O crisitianismo coerente prega a Graça de Jesus e a abolição da lei de Moisés... mas mesmo assim não me admira que cristãos fundamentalistas - os republicanos norte americanos são dos que mais aparecem na tv - apedrejem homossexuais e protestem em velórios.

Ad hominem, é, portanto, negar X pelo fato de que quem defende X é duvidoso. Imagine que o governo esteja ponderando um imposto de importação de eletrônicos. O imposto é, de fato, melhor para o país (eu estou afirmando isso), mas o governo não sabe. Um produtor nacional de eletrônicos pode apoiar o imposto, baseado em alguma informação coerente, demonstrando de maneira clara que o imposto é melhor para o país mesmo. O governo, no entanto, ao perceber que o produtor de eletrônicos deve ganhar muito com isso - visto que isso deve diminuir a importação de eletrônicos e aumentar o consumo interno, que não tem imposto - pode negar o imposto, visto que seu argumento era em 'benefício próprio'. Ad Hominem, assim, pode ser encarado como um preconceito.

Enfim...

O motivo pelo qual escrevi sobre isso: outro dia participei de uma discussão. Um cara que eu nem conheço colocou uma foto do Chico Xavier em uma suposta situação de Charlatanismo. Baseado nisso, começou a criticar o Espiritismo.

Eu nem julguei a situação, só tentei demonstrar como não se pode inferir que o Espiritismo seja uma farsa baseado no mal comportamento de um Espírita. É um problema de argumentação, uma indução falha.

A discussão correu e foi para outros caminhos até que cansei de tentar tirar essa coisa de 'ad hominem' do caminho pra ter uma conversa sensata.

Por fim, resolvi escrever um post pra quem sabe no futuro alguém conseguir raciocinar melhor sem essa pedra falaciosa no caminho.

Paztejamos

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