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20.2.12

O evangelho de Leslie Burke

Acabei de assistir ao fabuloso filme Ponte para Terabítia(2006), baseado no romance infantil homônimo, de 1977. O introvertido garoto Jesse Aaron encontra a amizade de Leslie Burke, uma menina fascinante e 'moleca". Os dois constroem um mundo de fantasia, para o qual se refugiam, ao mesmo tempo em que dele tiram forças para enfrentarem a difícil rotina da escola e da vida em família. O filme, entretanto, é sobretudo sobre o crescimento de Jesse, já que Leslie é uma heroina completa, que mostra ao guri as possibilidades infinitas que uma imaginação solta pode proporcionar.

Mas um trecho do filme me chamou a atenção em particular.

Quando a dupla está voltando de uma de suas aventuras, Jesse avisa a Leslie que tem de voltar cedo para casa, pois sua família irá para a igreja. A moleca diz que quer ir junto. Jesse diz algo como "não, é chato.". Mas a menina insiste, dizendo que vai ser legal. Ele a avisa que terá de botar uma saia (Leslie era uma moleca, afinal), mas ela diz que não tem problema, que vai de vestido.

E vão pra a igreja. Cantam a versão em inglês do hino nº 295 da Harpa Cristã, "A mensagem da cruz". Tudo conforme as igrejas norte-americanas.

De volta da igreja, junto de Jesse e da irmã dele, Leslie diz:

- Como é legal a história de Jesus!

Mas a irmãzinha de Jesse, menina de uns cinco anos, retrucou.

- Eu acho era assustadora! Enfiaram pregos enormes nas mãos dele, para que ele pagasse os nossos pecados!

A moleca, que vinha de uma família não religiosa, perguntou:

- Acredita mesmo nisso?

-Claro! Está escrito na Biblia! E se você não crer na Bíblia, vai para o inferno!

Leslie então se dirigiu para Jesse, que se encontrava quieto até agora.

-E você, Jesse? Acredita nisso?

O garoto respondeu, sem muita ênfase:

- Sim, acredito.

A garota então veio com essa:

- Vocês acreditam, e não gostam. Eu não acredito, e acho muito legal!

Há uma lição aí. Uma lição que todos devemos aprender.

11.2.12

Deserto

Tenho passado bastante tempo sozinho, ou pelo menos em espaços e com pessoas não convencionais, o que me dá tempo e situações em que refletir. E as vezes sinto muita vontade de chutar o balde.

Leitor apressado, não tire conclusões precipitadas: explico ao longo do texto com detalhes o que significa 'chutar o balde'. Isso não tem a ver tanto com minha espiritualidade, o que normalmente é mais tratado nesse aspecto nesse blog. Tem a ver com tudo mais, o que eu faço da vida.

As vezes eu penso, por exemplo, na faculdade: se não tivesse pegado um emprego, poderia cursar 9 cadeiras e avançar 2 semestres de uma só vez - e com certeza eu daria conta, dado o baixo nível de exigência do meu curso. As vezes eu olho pra minha namorada - que é bonita é inteligente, diga-se de passagem - e comparo com outras gurias que eu vejo no facebook ou entre meus circulos de amizade com quem eu provavelmente tivesse chance e fico me questionando se vale a pena continuar namorando. As vezes eu não sei se meus planos ideais de concurseiro pro Banco Central são realmente boa escolha, visto a dificuldade extrema da prova.

É claro que isso não significa que eu vá desistir desses projetos de imediato. Mas me revoltar contra eles as vezes parece uma idéia muito plausível.

Quinta eu fui no ônibus lendo Números. Li do capítulo 9 ao 15, se não me engano, e, credo, não me lembrava como o povo de Israel era tão ingrato. Quando Israel chegou perto de Canaã, a terra prometida, e Moisés mandou os 12 homens pra espiar a terra - e ver o que tinha e quem morava lá -, o povo, depois de ser desanimado por um dos 12, chegou a dizer que o Egito é que manava leite e mel.

Nessa passagem fiquei meditando. Deus me deu alguns projetos na vida e o meu futuro é planejadamente próspero se esses projetos funcionarem de maneira ideal... então por que eu estou preucupado com o presente? não quero mudar de planos no meio do caminho como, aliás, já fiz várias vezes ao longo da vida. Finalmente tenho algum projeto de longo prazo e não quero estragar nada disso. O maior - e único - problema é o presente.

Neste presente eu tenho que trabalhar bastante, estudar muito, ganhar pouco dinheiro e namorar pouco. Estou como o povo, de uma escravidão (de fato, há alguns anos, estava escravo das circunstâncias adversas a que era submetido, simplesmente sem norte), rumo a uma condição muito boa (casamento, bom salário, estabilidade e fazendo minhas atividades de projeções 'sociais' - ou seja, numa terra que mana leite e mel). Não posso murmurar no meio desse caminho, no deserto, se não corro o risco de nunca entrar na terra prometida...

Se revoltar não é preciso quando se mantém o foco lá na frente. Por piores que sejam as condições do presente, as projeções para o futuro são ótimas e não trocaria minha vida de sorte pra voltar a uma vida incerta. Uma colega me disse há alguns dias, depois de me perguntar se eu já tinha usado alguns tipos de drogas, que eu ainda não tinha aproveitado o bom da vida... bom, espero daqui há uns anos demonstrar o quanto ela estava errada.

Paztejamos