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29.3.12

O que te move?

Hoje peguei o ônibus com um amigo antigo, na ida e na volta.

Quando fomos, eu estava indo pra uma entrevista pra um estágio - TOMARA QUE ME CHAMEM! - e depois, na volta, estava voltando da aula (hoje foi um dia atípico em que eu fui, voltei e fui de novo pra porto - normalmente eu fico por lá quando tenho mais de uma coisa pra fazer).

Esse meu amigo, eu não conversei com ele mas, parecia que ele estava indo pro trabalho. Pelo que pude ver no Facebook dele ele está pra ter um filho e ao que me parece, deve estar casando ou casado. Detalhe importante: ele tem a mesma idade que eu e lá pela segunda série agente até estudou juntos.

Fomos no Fátima (ônibus) das 9:30 e voltamos no Colina (outro ônibus) as 22h, o que significa: ele passou o dia por lá, na função dele (seja lá qual for).

[São 23:22 agora, o que significa que, na fila das possibilidades de posts - que está bem cumprida, já que to a mais de mês sem postar - essa reflexão furou, passou na frente, e feita aos apuros, refletiu tudo que estou passando por agora]
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Essa semana larguei meu ex-novo-emprego. [Eu estava trabalhando de teleoperador de Call Center e não estava satisfeito com o conjunto atividade/remuneração - entre outras coisas, como estar me atrapalhando pra estudar, se bem que é secundário, já que estou mesmo arrumando outro emprego.] Desde que larguei, comecei a procurar outro freneticamente, mas meio sem objetivo, ou "Sem Refletir no Objetivo".

No fundo eu tenho um objetivo predeterminado (o mesmo motivo que me levou a conseguir o primeiro emprego) e envolve especialmente a minha namorada: quero trabalhar pra poder ajudar ela nos projetos dela - e gostaria especialmente que ela não trabalhasse pra poder se dedicar a tais projetos. [não vou descrever e não vem ao caso os projetos dela, mas envolvem evidentemente tempo e dinheiro] Mas... como isso me consome.

Existe um dilema aqui que é um paradoxo: pra que eu possa ajudar a Pri nos planos dela, eu tenho que ocupar todo o meu tempo e consequentemente não ter tempo pra ela. Isso é ruim, e eu queria ter mais tempo, tanto pra ela quanto pra mim mesmo, mas isso só é possível se, então, ela trabalhar, o que significa prejudicar os planos dela. [Isto é exatamente o que nas aulas de economia chamam de "Custo de Oportunidade".]
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As vezes lá no meu interior uma coisa grita como que querendo chutar o balde, dizendo "CHEGA!" e largando tudo de vez como, aliás, eu já sou especialista. E isso também com a Pri. O meu eu as vezes me coage a pensar, principalmente quando eu me estresso com ela ou quando ela reclama de algo em mim, que eu não devia me dispor a tanto esforço (estou fazendo 7 cadeiras e estava trabalhando 6h) porque, afinal, "eu não sou responsável por isso, ela que se vire; somos só namorados, eu não tenho essa obrigação. Eu estou estudando e se eu trabalhar é só por ela... por mim eu estaria descansado esperando o resultado do concurso, ou trabalhando em outras oportunidades mais lights, menos cansativas e menos rentáveis, só pra ter um troco na mão... eu deveria mesmo é ficar sem trabalhar." Mas o caso é que não é bem assim.

Eu não tenho obrigação, de fato, mas naquilo que me comprometi, me comprometi por vontade própria. Minha "obrigação" é por amor. E nesse amor eu me sinto feliz em fazer algo por ela. E nisso eu entendo como alguém tira energia de onde não existe pra fazer pelo próximo o que não conseguiria pra si. Ontem mesmo me peguei propondo um esforço que eu tenho certeza que não aguentaria por mim mesmo, mas que por ela certamente faço feliz e tranquilo [também não importa o que, mas evidentemente tem a ver com comprometer tempo e esforço].
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Voltando ao meu amigo no ônibus: vê-lo me clareou a mente. Até a última vez que eu falei com ele, ele estudava e tinha possibilidades de ganhar bem trabalhando pouco, mas resolveu assumir responsabilidades e fez as suas escolhas. Agora trabalha mais e ganha menos dinheiro. Mas isso não é uma perda - como nosso sistema extremamente materialista pensaria -, é um grande ganho. Um ganho de personalidade e de experiência vinculados ao amor.

Eu, por exemplo: poderia estar em vários lugares, conhecer diversos tipos de pessoas, fazer diversas coisas, não fosse estar namorando; mas não troco nenhum dia do meu namoro por uma só dessas experiências descritas acima. Isso porque pra mim ela é mais do que namorada: é minha amiga, minha filha, minha mãe, minha tudo. E eu não falo isso por dramalhão como agente vê na TV, eu falo porque de fato é assim: quando me proponho a fazer coisas por ela que não faria por mim, estou tendo ela por filha; quando não faço coisas irresponsáveis porque sei que ela não gostaria que eu fizesse estou tendo ela por mãe... e assim por diante.

E é daí que vem a conclusão da "Reflexão no Objetivo": minha busca alucinada não é tão alucinada assim; é uma escolha bem fundamentada: a escolha de agradar a mim mesmo agradando a ela. E por mais que agente se veja menos e eu me desgaste mais [como o meu amigo com o filho/esposa], se isso puder produzir bons resultados pra ela, eu vou fazer.

Portanto eu termino a semana entrando numa sexta-feira de bem porque posso dizer que o meu "correr contra a máquina" tem propósito e vai ser alcançado. Essa foi uma reclamação que eu fiz domingo conversando com a Pri: que parecia que eu estava me esforçando, me puxando, me sugando, "correndo contra a máquina", mas nunca alcançava o alvo, nunca conseguia chegar. Pois bem, por mais que não alcance, o dia de hoje me mostrou de forma nítida como vale a pena continuar tentando.

Paztejamos

[Obs1: essa má consciência que me diz "CHUTA O BALDE! CHUTA O BALDE!" me persegue sempre, não adianta... mesmo em assuntos bem fundamentados, como é o caso do meu namoro, existe sempre um cigarro aceso pronto pra ser lançado na seca e botar fogo em tudo. Mas isso não sai pra fora normalmente e não me afeta, fica normalmente só na consciência... o que significa dizer: meu namoro vai bem, obrigado. A descrição acima é uma coisa extremamente interna e não produz efeitos no meu relacionamento]

[Obs2: a composição mental desse texto envolvia uma série de alusões a Graça. Não foi proposital não escrevê-las, mas creio que elas já não cabem no corpo do texto. Vale dizer: assim como eu me disponho a um esforço pra minha namorada além do que eu me disporia pra mim mesmo, Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho para morrer na cruz para que qualquer um que creia nEle possa ter a Vida Eterna.]