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2.4.12

Estado laico: nádegas a declarar

Agente se dá conta de como esse blablá de Estado Laico é ideologia barata quando confronta com feriados como a Páscoa.

Pega o ano desde o começo. Começa por Iemanjá, 2 de fevereiro. Dá? não! É festa do Candomblé, o Estado não tem nada que fazer feriado. Ah, mas é de santa também. E daí? Santa é religião, e se o Estado é laico, dá na mesma.

Que que vem depois? Carnaval. Carnaval é feito em função da Páscoa, se o Estado é laico tem que cortar. Mas deusolivre, o comércio não ia gostar, deixa do jeito que tá, quando é que vamos gastar tanto e ter tantos dias seguidos de folga? Na Páscoa, claro, quando algumas repartições fazem inclusive QUINTA FEIRA SANTA!

Em seguida: São João. Pelo nome já se vê que é de santo. Mesmo se agente quiser pensar na origem, era baseada no solstício de verão no hemisfério norte, ou seja, feriado pagão. Paganismo = crença = fé = não pode. Ah, pobres escolas, é a unica festa delas que dá certo.

Dia dos namorados então, quem sabe? Nada! Dia de São Valentim. Apesar de que no Brasil é feito em outro dia: véspera do dia de Santo Antônio, conhecido por ser Santo casamenteiro. E há uma alusão mais do que comum ao cupido, deus grego, nessa feriado. Ou seja, fora.

Então mais adiante, dias das crianças. Ah, esse pode. Pode NADA! Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil.

Natal? Nem precisa explicar. E pode montar pinheirinho em órgão público? NÃO! Pinheiro tem vínculos religiosos pagãos. E papai noel quem sabe? também não: tem vinculos a São Nicolau além de outros deuses nórdicos.

Ficariamos com, quem sabe, dia dos pais e das mães. Mas espera. Uma análise mais profunda e concluímos que pai e mãe são constituídos em função do sentido de família tradicionalmente judaico-cristão. Um Estado laico não pode se direcionar a uma determinada filosofia religiosa. Nossas "famílias" de hoje em dia envolvem duas mães, dois pais, filhos sem pais, filhos sem mãe, filhos criados por pelos irmãos, criados pelos avós... nosso Estado laico distribui camisinhas a crianças de 15 anos como "prevenção". Teríamos que ter um feriado mais amplo ou nenhum feriado.

Por fim estariamos com o 1 de janeiro e, sei lá, o 1 de maio. A indústria ia adorar, todo mundo trabalhando sem folga, mas é passível de internação qualquer que apoie tais bizarrices.

Mas extrapolemos mais um pouco. Por que uma semana com 7 dias? Genesis, Criação. Por que temos fim de semana? Sabbath judaico, "dia do Senhor" e Domingo cristão, em que Jesus ressucitou. Por que nossos dias se chamam segunda a sexta feira? Ordem do papa na antiguidade, que só Portugal acatou, pra desvincular o nome dos dias aos deuses (lua, marte, mercúrio, venus, saturno e o sol). Aliás, em outras linguas (inglês, espanhol) os dias continuam vinculados aos deuses. Se nosso estado é laico, deveriamos fazer um concílio no mínimo ecumênico pra rever o nome dos dias, em vez de ceder a arbitrariedade papal antiga.

E alguém pode alegar "mas isso tudo é tradição". Oooouquei. Então cruzes nos tribunais e citações a Deus na constituição também me parecem serem tradicionais da mesma maneira como dizem "vai com Deus" ou "graças a Deus" ou ainda "Pelo amor de Deus" de maneira tradicional, sem pensar necessariamente em Deus ou ter vinculo de crença nele.

E nessa perspectiva que se conclui que esse blablá de Estado laico não é em favor da liberdade de crenças (ou não crença), ou pela convivência pacífica dad crenças mas por uma ideologia anticrença, anticlerical; não laica mas contra a fé. Porque ser laico não significa que não pode haver crença, significa que nenhuma crença deve ser beneficiada. Porém, é escraxadamente óbvio que os ativistas desse tal "Estado laico" só metem o bedelho criando xexexês superficiais aonde convêm, aonde não vai influir grandes coisas, aonde só vai criar polêmica pra aparecer em talk shows cults da TV Cultura. E sinceramente, esse tipo de ativismo me anoja. Para esses ativistas é que eu escrevo essa agenda inteira para eles terem matéria sobre as quais se revoltar de agora em diante contra o nosso calendário.

E pra quem realmente se importa em uma convivência pacífica entre as fés (ou as vezes fezes) e um não enveredamento do Estado pra determinada crença em detrimento de outra, eu sugiro começar a lutar em favor do direito dos sabatistas de não prestarem concurso sábado, por exemplo; ou lutar em favor de punições a evangélicos sem noção que chutam santas ou criticam as religiões afros na tv. Isso sim me parece lógico e coerente, porque está trabalhando com algo real, não com pressuposições razas que só raciocinam metade da tradição.

E eu esse natal eu prometo que se eu ver um pinheiro montado na UFRGS vou tirar foto pra escarnecer aqui junto com os apregoadores do fim das cruzes nos tribunais. Ha Ha.

Paztejamos

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