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31.7.13

Um sentido a menos, um sentido a mais, e porque não sou tão cético

Dos sentidos, o que mais me intriga certamente é o olfato. A visão, o tato e a audição são facilmente descritíveis, são físicos; a gente sente até sem notar. Mas o olfato... parece que fica num nível superior. O paladar é o único que ainda dá pra comparar. Só que o paladar ainda é real. A gente descreve com um pouco de dificuldade, mas ainda descreve: é doce, azedo, amargo, mais intenso, mais fraco. O olfato é mais surreal. Tem que fazer analogia. E é nisso que a gente se pega dizendo "um cheiro mais 'verde'", "um aroma mais 'docinho'", "um perfume 'forte', 'de homem'".

Os mecanismos dos sentidos mais inferiores (esses que eu falei que são físicos) são muito relativos à luz, à mecânica, às ondas sonoras. Até por isso que eu chamei de físicos. Os mecanismos do paladar e do olfato são aparentemente mais complexos. O paladar precisa da língua que sabe-se lá como interpreta os sabores. E os sabores, além de depender do estímulo da substâncias que caem na língua, ainda variam conforme a consistência, o que é incrível, vamos combinar. Só que indiscutivelmente o olfato é muito mais incrível, porque é um sentido que sai aparentemente do nada.

O "nada" aqui provavelmente é um gás. Tá certo, eu não sou entendido do assunto e não posso afirmar com certeza, mas ao que me consta é bem provável que o olfato interprete só gases. Só que gases não se vêem, não se notam, não se apalpam. São 'espirituais', são vento, fumaça, que a gente só pode 'sentir' e nada mais.

Agora sobre o "ceticismo". As vezes conheço alguém que se diz "cético". Em geral, ele não usa essa palavra, ele prefere "ateu", sempre em referência à negação da existência de Deus. Mas não é só Deus que ele nega, são as coisas não físicas, ou que a gente não percebe, ou que ficaram fora dos nossos sentidos. O que o tal cético nega são aquelas 'intuições', 'sextos sentidos', 'maus estares', e etc. Ele chama isso tudo de superstição. Inclusive Deus: uma superstição como outra. Ok, nada contra, quer dizer, cada um acredita no que se propõe a acreditar.

Só que eu andei exercitando um raciocínio interessante, relativo justamente aos sentidos. Imagina que as pessoas todas tivessem apenas quatro sentidos. Pode ser os três inferiores mais o paladar. Mas não importa qual a gente descarte; estou descartando o olfato porque ele é mais 'espiritual', como eu disse, mas descartando a visão por exemplo o raciocínio ainda seria o mesmo.

Nessa hipótese, todo mundo viveria bem, sei lá, mais ou menos como vive hoje. Não acho que o olfato faça tanta falta. Talvez no caso de um incêndio ou na hora de saber que a comida tá pronta, mas tirando isso, todo mundo saberia se virar igual.

Mas agora, imagina que uma pessoa, só ela, pudesse sentir cheiro. Ela teria um 'quinto sentido' especial, mágico, que a permitiria sentir mais do que a maioria, saber que a comida tá pronta antes de ver, prever um incêndio sem tê-lo visto, etc. Provavelmente, quando ela contasse sobre esse tal sentido, haveriam céticos de todo tipo que negariam essa capacidade dela. E também não faria sentido (sem trocadilhos) quando ela dissesse que sentiu uma "boa vibração" ou uma "energia diferente" ao se deparar com alguma situação em que seu olfato fosse estimulado. Lembrando: ela não ia dizer que sentiu um 'cheiro', porque se ninguém sentisse cheiro, não haveria uma palavra pra isso. Ela teria que recorrer justamente a esse tipo de expressão engraçada e 'mística'. Enfim.

Agora voltamos pra nossa realidade em cinco sentidos. Eu não estou dizendo - e, sério, eu realmente não acreditaria se alguém me dissesse - que existem pessoas com um "sexto sentido". Só que o que eu nego enfaticamente é que a nossa realidade seja só o que a gente consegue sentir. Fala sério, 4 dimensões e 5 sentidos são muito pouco pra essa realidade extremamente complexa. Só o mundo que a gente chama de físico não é suficiente pra agregar toda a informação desse universo. Se o que a gente percebe com cinco sentidos já é incrível, imagina o que se passa pela gente sem a gente saber o tempo todo, TODA HORA!

E é aí que Deus se encaixa. Deus está ao nosso lado, nos cercando, nos iluminando ou nos dando forças, e a gente não pode vê-Lo, ouvi-Lo ou senti-lo. Só que Ele está. Ele é. Eu posso não acreditar que as pessoas tenham 'sextos sentidos', 'maus estares', 'intuições'; mas eu acredito que Deus possa atravessar os sentidos e nos dar eventualmente a oportunidade de "sentir além dos sentidos" e conceber a realidade além daquilo que estamos acostumados.

Se todos tivéssemos 6 sentidos, sentir o sexto sentido seria trivial; haveria mais informação pra estudar. Se todos tivéssemos 7 sentidos, o mesmo. E me parece que talvez hajam muitos mais sentidos que nos faltam e que as vezes um ou outro animal parece ter. Se todo mundo sentisse a presença de Deus, Deus seria trivialmente constatado, como um árvore na praça. Mas Deus parece não estar em nenhum sentido, ou estar em todos. Parece que Deus tem uma lança com a qual atravessa os sentidos e nos causa diferentes sensações... e posso dizer, inclusive no olfato.

E é por isso que não sou tão "cético". Respondendo ao título, não sou cético porque a existência, a realidade é muito grandiosa e sinistra e assustadoramente complexa, e eu me nego a acreditar que ela esteja fechada só naquilo que conseguimos perceber. Ou seja, eu que sou cético, não os "céticos". Os "céticos" estão presos na física, presos na afirmação daquilo que percebem. Os "céticos" assumem a existência física como única realidade. Eu não. Eu acredito que existe muito mais além do que a gente vê, e que eu nunca vou alcançar. Eu sim acredito que a realidade não pode ser alcançada. Pelo menos não nesse mundo. Não sozinho.

Paztejamos

7.6.13

Ananias, Misael e Asarias - ou - Porque o Sábado

Há mais de um ano me prometo guardar o Sábado. Eia, é Sábado, e olha eu aqui escrevendo sobre isso.

Minhas conclusões sobre o Sábado já foram enunciadas aqui há booooons tempos atrás, e basicamente se resumem a "o Sábado é um mandamento; os mandamentos devem ser guardados; logo, devo guardar o Sábado".

O caso é que, desde então, tenho dito a Deus que, assim que possível, o guardaria, já que, se Deus está pedindo, certamente que isso é para meu próprio bem. E de fato eu creio nisso. Eu vejo virtualmente o grande bem que eu faria a mim mesmo se me desse um momento semanal pra abandonar toda a enlouquecida e frenética correria quotidiana pra refletir sobre assuntos bíblicos, passar um tempo com os amigos e praticar algum bem para outras pessoas.

Mas o fato é que o tempo passa, passa, passa e esse dia - dia em que finalmente eu vou conseguir guardar o Sábado - nunca chega. O fato é que desde que me resolvi por isso, estudo de noite e/ou sábado (esse minúsculo, porque se refere somente ao dia) de manhã, e eu sei, eu tenho plena certeza, que Deus me entenderia se eu dissesse a Ele "por favor Deus, só deixa eu terminar o semestre, que agora já to no meio, e semestre que vem eu começo com isso..." afinal, Ele sabe o quão humanos somos e compreende nossa falta de habilidade em se engajar em alguma coisa que parece despropositada financeiramente.

E é nisso que eu venho me baseando ao longo desse mais de ano. É no "bom Deus, esse semestre tem uma disciplina que tem aula segundas, quartas e sextas, então deixa pro semestre que vem", mesmo sabendo que boa parte dos adventistas (que são os mais célebres sabatistas de então) fazem o esforço de conversar com seus professores para não frequentar as aulas de sexta e, em compensação, entregarem trabalhos semanais - esforço esse que eu tenho preguiça de ter, admito.

Só que a paciência tem esgotado. Não a de Deus, eu sei. Deus é muito legal. Tão legal, mas tão legal, que me permite viver contra minha própria consciência - leia-se, em pecado - sem me dar nenhum peteleco moral que me faça 'guinar' minha vida. Mas a minha paciência comigo mesmo é que está chegando ao fim. Me afastei drasticamente do estilo de vida tipicamente cristão* (vá até o asterisco lá embaixo, explicarei o que quero dizer com isso) e, quando minha vida social chegou num estado inadministrável, percebi que deveria mudar o modelo pelo qual eu vejo a realidade.

O que quero dizer é: a realidade é muito complexa e, para lidarmos com ela, construímos modelos: algo semelhante ao método científico. Esses modelos são pontos de vista sistematizados sobre como as coisas são. O convívio em sociedade é cheio de modelos e simplificações. Só que alguns modelos são incompatíveis com o estilo de vida cristão, e o estilo de vida cristão tem um modelo próprio, onde as pessoas são felizes quando são moralmente corretas, justas, não dadas à violência e voltadas ao bem.

O modelo em que eu estava me baseando antes era mais ou menos como o do James Bond. O 007 consegue todas as mulheres, ganha todo o dinheiro, mata todos os bandidos e, apesar de ser de certa forma "correto", só tem um lado: o seu. O modelo que agora estou adotando, e que é extremamente mais adequado ao estilo de vida cristão é o senhor Miyagi. O mestre Miyagi não gosta de lutar, mas sabe muito bem. Não provoca as lutas, mas sabe se defender. Não tem medo de nada, mas também não fica provocando situações que causariam medo. Como ele mesmo disse no último filme (o Karatê Kid 4, que não é com o Daniel Sam), "lutar nunca é bom, alguém sempre sai machucado. Mas se tiver que lutar, vença".

Voltando à minha mudança: ser o James Bond foi muito bom, no sentido de criar coragem, não ficar parado esperando as coisas acontecerem, não ter medo do inimigo... mas sejamos francos, ser o James Bond nunca vai ser "nobre". Ser o mestre Miyagi é. Então, sabe quando o vilão segura o braço da mocinha e o herói grita "solta ela!"? Eu me olho e sei que nunca teria coragem de dizer isso. Mas quero ter, porque sei que o mestre Miyagi teria.

Só que ser James Bond deteriorou meu relacionamento como nunca antes. Minha namorada tem alguma culpa, mas foi culpa minha também. E tivemos um período bem difícil em alguns tempos (bem próximos) justamente porque, fala sério, se tu olhar um filme do James Bond vai notar: ele não faz nada, a gostosa é que corre atrás dele. Ele é só o cara que come todas. E, sério, isso não é realidade. Na vida real, homem e mulher que querem ter um relacionamento estável precisam se entender, conversar, colocar suas angústias um pro outro, se confiar e serem parceiros. Um relacionamento onde cada um só fica parado exigindo ser agradado nunca vai dar certo. E pra agradar ela eu precisava ser menos relapso e mais atencioso; e pra ela me agradar, precisávamos voltar a frequentar a igreja, cujo afastamento foi a fonte que gerou toda essa mudança de "paradigmas comportamentais".

Assim, nós temos uma série de investidas de volta à igreja: estamos indo de novo na igreja uma vez por semana, nos identificando com uma congregação (nova; já que ela não queria frequentar nossa antiga igreja, estamos frequentando outra. Isso é "consentimento mútuo", ela cede em "ir", eu cedo em "onde ir"), conversando sobre Deus e a Bíblia, e colocando nossos dilemas e dificuldades "nas mãos de Deus" (o que parece uma expressão manjada mas, sério, tem um significado extremamente profundo e trás um alívio tremendo).

[*porque, explicando, isso é o estilo de vida cristão: ler a Bíblia regularmente; frequentar os cultos de alguma congregação; orar periodicamente; e descansar sobre os dilemas de Deus na presença dEle. E note que eu não boto nenhuma "contabilização". O ir na igreja "uma vez por semana" que estamos praticando é o que nós decidimos que é uma frequência razoável. Alguém pode decidir por uma vez por mês e não mudaria em nada a lógica. E também note que não estou dizendo que a congregação frequentada tem que ter X ou Y ou Z doutrinas. Inclusive, eu gosto tanto de ir em igrejas com pensamentos semelhantes aos meus quanto gosto de ir em igrejas com pensamentos discordantes, porque pra mim o essencial é tirar um tempo pra refletir sobre a Palavra, sobre Deus, sobre como Ele é bom e como fazemos parte do plano dEle, aplicando essas reflexões à nossa vida e aos nossos problemas, revisando nossas dificuldades e encontrando meios de lidar com elas de maneira mais sábia. Enfim. (Explico isso porque, quando disse que deixamos de viver um estilo de vida cristão, ela negou, aí perguntei "quando foi a última vez que tu leu a Bíblia?" e ela não soube responder. Assim, imediatamente concordou comigo)]

 ~~~~~~ Estamos chegando ao fim do texto, juro! ~~~~~~~~

Assim, com esse retorno à igreja e a um estilo de vida que nos faz sentir pisando mais 'firme', acho que chegou a hora de eu deixar de ser preguiçoso e enrolado com Deus e dar um passo adiante, reservando o Sábado como o Dia especial que Ele nos ensinou a guardar.

Até porque ao longo desse tempo, desse período em que estou "enrolando" Deus, criei um raciocínio que me faz muito mal. Sabe quando Nabucodonosor mandou todo mundo se ajoelhar diante da estátua dele, e só Ananias, Misael e Asarias não se dobraram? Os outros, os que se dobraram, eram judeus como eles. E provavelmente devem ter ficado pensando ou dizendo a Deus "Deus, tu sabe que eu te amo, mas eu vou me dobrar aqui se não eles me matam...". É como se dissessem "deixa eu te negar só um pouquinho aqui Senhor, porque eu não quero me incomodar". E é exatamente o que eu faço. Eu não quero ter o incômodo de dizer aos professores (ou ainda, entrar com processo administrativo) que não posso frequentar as aulas de sexta de noite porque sou sabatista. Tenho preguiça, não quero sair da minha zona de conforto, e isso é muito vergonhoso.

E essa história, do Ananias, do Misael e do Asarias, se tá na Bíblia, é porque deveríamos tomar de exemplo... coisa que não tenho feito. É como se eu estivesse me dobrando aos Nabucodonosores modernos: meus estudos, meu trabalho, minhas atividades extra que envolvem só a mim, só a mim, só a mim. E nunca tenho tempo pra Deus, porque não reservo justamente o tempo que Ele definiu como Sagrado pra Ele... Sexta de noite não é dia de aula, é dia de pegar a Bíblia e tirar pra um estudo mais detalhado, ou juntar os amigos ou a família pra um churrasco. Sábado de manhã não é dia de aula, é dia de dormir até mais tarde, ou de fazer algum trabalho social. Sábado de tarde não é hora de estudar pra prova, é hora pra tomar um chimarrão ou uma cerveja com a namorada, ou simplesmente descansar sozinho e pensar sobre a vida e sobre como Deus é bom e a Sua misericórdia é grande. E nós temos esse tempo. E Ele sabe entender os nossos períodos de transição. Isso vale muito mais do que entregar 10% do teu salário num envelopinho pra sabe lá o que; isso é saúde mental, é Sagrado, é um momento de lazer estruturado dentro da rotina - o que é cada vez mais raro nesse "mundo moderno" das pessoas.

...eu não sei muito bem como terminar esse texto... eu disse tudo o que queria e pronto, estou feliz com isso. Faz muito tempo que não escrevo assim, com essa vontade maravilhosa de compartilhar uma experiência espiritual :) Se isso trouxer paz e inspiração a alguém, fico muito grato. Shabat Shalom e só a Deus a Glória,  Amém :P

Paztejamos

12.5.13

estável instabilidade

Pronto pra sentar na moto e entrar no inferno? Porque eu estou!
Os portões nem parecem tão grandes assim, essa cerquinha não me assusta.
Como na tirinha do Ryot, tenho tudo planejado para caso as coisas deem errado, e não espero que elas deem certo.

A descida parece empolgante e eu já sou só adrenalina.
Fiz roteiros e projetos para visitar cada ponto turístico nessa viagem.
A cada dia engenho sobre as possibilidades, e a cada dia elas se parecem mais amplas.
Estou subindo e o meu horizonte parece maior.
Como no Fernão Capelo Gaivota: vê mais longe a andorinha que voa mais alto.

Só que eu não sou mais uma Andorinha. Em outros tempos podia ser chamado João de Barro, quem sabe por último um Sabiá ou um Bem-te-vi, mas agora eu sou uma Rapina. Ainda filhote, é verdade, mas quando menos esperarem estarei devorando os filhos dos meus inimigos. Ah, eu serei feliz quando os pegar e os despedaçar contra as rochas.

A violência traz proteção; o mostro sempre está seguro; a truculência garante a paz. O mal nem sempre é mal, as vezes é só a interpretação dos fracos. O forte não é mal por tomar o que é seu, fazer valer o seu direito ou se voltar contra a injustiça. Os oprimidos pelo forte não tem outra escolha a não ser se tornarem também fortes... ou isso ou viverão a vida inteira sob o jugo da injustiça.

Olho por olho, dente por dente: basta entrar no jogo.
De banguela e caolho todo mundo tem um pouco.
Mas disso ninguém passa.
Depois desse estágio, pode-se fazer o que quiser.
Se acostuma, da medida que julgardes serás julgado: e a medida que usamos é tãããão podre...
Só sendo forte pra passar nessa medida.

A armadura está pronta;
O soldado está cingido;
A carnificina está só começando;
E cabeças... aaah, essas vão ser felizes bochas.
Se é necessário cheirar enxofre pra resgatar a alma,
Bom, então...Lá vamos nós!

Paztejeis,
que a minha paz já está encomendada.

30.4.13

Silas Malafaia em mais um capítulo da novela gay

Eu tenho váááááááários e sééééééééérios problemas com essa bandeirada gay, e, bem na real, acho uma série de coisas que o malafaia fala sensacional, apesar de ele ter queimado o filme dele por causa de um monte (UM MOOOOOOOOONTE!) de merda que já disse, o que no fim prejudica que as pessoas se prestem atenção quando ele se presta a falar sério.

Ele é muito bom, mas só quando quer, infelizmente.


To deixando aqui pra assistir depois, que não tá me sobrando uma hora assim fácil pra parar e ver esse vídeo. Na real até tá, mas eu tenho coisas mais úteis pra fazer agora... enfim.

Paztejamos

22.4.13

Porque quase não falo mais sobre igreja e religião

Há tempos me proponho a me justificar aqui sobre os motivos pelos quais quase não discuto igreja mais nesse blog e eis que hoje, ao abrir por acaso o blogger e dar de cara com um texto no Genizah (que aliás quase não acesso também mais) sobre a morte de um tal Brennan Manning, me inspirei a me explicar.

Os fatos são vários. 1) Estou burocraticamente "desviado", ou seja, não estou vinculado a igreja nenhuma, porque me excluíram da minha (um processo meio que bizarro, mas ok, que seja). E, talvez por isso, quase não tenho contato com coisas de igreja, tradições, questões eclesiásticas e etc. Aí nem penso em falar muito sobre isso;

2) E também porque, ao longo desse período mais "libertário", tenho conhecido gente de todas as crenças e tomei um respeito razoável por cada uma de uma forma que as vezes me sinto estranho em criticar alguém, dadas as minhas falhas. O leitor eventual não deve entender isso mal: não acho que as coisas não devem ser criticadas, discutidas, 'alumiadas' (não mudei de ideia depois de criticar o mundo inteiro); mas não me sinto disposto a fazê-lo.

Um exemplo disso são os Hare Krishna que eu conheci na rua. [Na real, Hare Krishna é uma designação informal, do mesmo modo que usamos "crente" pra chamar os "cristãos evangélicos". O correto é Vaishnavas ou coisa parecida. Enfim.] Os caras tinham uma instrução legal e era interessante e produtivo conversar com eles sobre Deus, porque apesar de eles terem pontos de vista teológicos diferentes do meu, nós, em respeito mútuo, íamos expondo nossos pontos de vista e vendo como eles são construídos igual ou diferente. Eu considero isso até uma forma de evangelização, porque os Vaishnavas tinham uma série de conhecimentos distorcidos sobre a Bíblia que eu tive a oportunidade de explicar.

Mesma coisa é também as igrejas doutrinariamente menos profundas. Só como exemplo, a igreja que eu estou frequentando mais agora, a Betel, tem costumes que ficam entre a Assembléia de Deus e a Batista. Lá as pessoas se vestem como querem (o que é ótimo), mas o estudo Bíblico não tem tanta profundidade quanto na Assembléia. Ouquei. Mas, mesmo sem tanto conhecimento doutrinário, e com uma série de distorções clássicas (proibição de bebida/cigarro, graça apoiada nas obras), as pessoas são sinceras quando servem a Deus assim. E eu não posso ir contra essa sinceridade. Posso no máximo perguntar se elas se consideram coerentes assim. E criticar não parece mais o caminho disso. Me parece que eu tenho que viver dessa minha forma cristã desvinculada e demonstrar que há um jeito de viver pra Deus sem viver pra igreja.

Porque aliás é isso que eu tenho feito. Eu frequento a igreja porque a igreja é um lugar legal. E eu gosto de ir no culto e eu quero principalmente ouvir pensamentos e conhecer pessoas lá (principalmente se os pensamentos são contrários aos meus e as pessoas não concordam comigo). Mas eu quero viver pra fora.

Não é beeeem assim, e talvez eu não saiba me expressar direito quando digo isso. Mas é que não dá pra ficar inteiramente sem frequentar uma igreja. Não dá pra ficar simplesmente sem ir. A gente tem que ir, e ter amigos lá, pra ter conversas cristãs, e se sentir estimulado à leitura da Bíblia, e discutindo coisas de crente. O que eu me refiro sobre "viver pra fora" é que não dá pra ter uma vida voltada pra dentro da igreja. Não dá pra frequentar a igreja num ritmo tão acentuado que quando a gente falte dê remorso, ou os outros estejam tão acostumados com a nossa presença no culto que perguntem onde a gente andava. Tem que ter um equilíbrio aceitável. Tem que conseguir conciliar, ir na igreja mas poder ir também em festa, casamento, noivado, barzinho... porque a vida não é plena se a gente não for livre.

Só que esse meu pensamento, essa forma de ver as coisas, quando enunciado, traz um 'furor' incômodo aos crentes. E eu tenho aprendido na Bíblia mesmo que sábio que é sábio fala pouco e cuida o que fala. E é por conhecer a sinceridade das pessoas ao não cortar o cabelo, ao não assistir televisão, ao achar que a Santa Ceia é uma vez por mês, ao não se depilar, ao fazer a barba, ao não beber e não fumar, enfim, ao "não um monte de coisas", além, é claro,dos que dão uma grana preta pra igreja (mudando um pouco o foco das tradicionais pras neopentecostais); é por conhecer a sinceridade das pessoas nessas condições todas em servir a Deus é que eu me detenho de criticar e tento só viver um cristianismo mais sincero e tranquilo, que alguns vão criticar achando que estou 'na carne' ou sei lá, mas isso só porque não me conformo com os costumes gerais.

Aliás, aqui um porém: nada contra falar mal dessas situações genericamente. Não sou contra o que critica os "não" que as igrejas pentecostais em geral impõem, assim como não sou contra as críticas ao neopentecostalismo que pede dinheiro a torto e a direito. Sou contra a menção à pessoas XYZ que fazem isso, porque vai saber a intenção de cada um, e vai saber se não são sinceros. Sei lá se faz sentido o que estou escrevendo, agora no fim pensando... mas enfim...

[uma revisão final indica: esse texto deixa em aberto uma série de questões. A principal é sobre se a "sinceridade" basta pra Deus. Eu não quero dizer isso imediatamente, mas acho que Deus é legal o suficiente pra aceitar primeiro nossa sinceridade e depois ir nos moldando na direção que Ele deseja... então, sim, a sinceridade basta pra Deus, pelo menos em questões que Ele não respondeu direito na Bíblia. Pelo menos é o que eu acho :) Outras coisas também ficaram em aberto, mas... dane-se]

paztejeis

19.4.13

Meu Próprio Provérbio

Estas três coisas não entendo de jeito nenhum, e a quarta me estala a cabeça:

1. A tolerância que se tem na igreja com a Teologia da Prosperidade, a Teologia de Batalha Espiritual e o Fundamentalismo Pentecostal, enquanto que visões diferentes e interessantes como o Ecumenismo, o Teísmo Aberto e a Igreja Emergente são impiedosamente atacadas e rechaçadas;

2. O tom de insulto que a palavra "humanista" ganhou na boca de um evangélico padrão;

3. O que faz de um homem que faz piadas com mulheres violentadas e palavrões a rodo seja chamado de intelectual do humor;

4. O porque de Carlos Vilagrán, um ator eternizado no imaginário de cada brasileiro a pelo menos três gerações ser alvo de tanta oposição pelo povo gaúcho em ser seu embaixador para a Copa;

Não. Não vou entender essas coisas. Nem que me cercasse dos sábios de Temã. Nem que tomasse concelho com Noé, com Daniel e com Jó. Nem que a Santa Sabedoria viesse ter comigo.

4.4.13

ah, Internet

Houve um tempo em que ter blog era moda.
Houve um tempo até que eu achei que tinha criado essa moda nos meus amigos e os que me rodeiam.
Mas a moda foi.
E vieram, sei lá, Twitter, Facebook, Instagram e a moda agora é, sei lá, tirar foto de comida ou de seios na frente do espelho.
Mas eu nem ligo pra moda mesmo...

Ainda tem blog a dá com pau por aí, na internet e tal. Mas o movimento é menor, é só aquele 'especializado'. Tem cara que fez a vida nesse negócio, soube postar o que os outros queriam ver e criar seu próprio conteúdo. Que o que atrai leitores é não ficar em devaneios e criar conteúdo interessante mesmo. Mas eu nem sei se saberia lidar com isso. Prefiro ficar pensando dentro da minha casca.

Mas o movimento baixou, e eu fiquei 'pra trás'. Ter blog hoje é mais cult, ou obscuro, ou underground, sei lá. Hipster, pode ser.

O negócio é que dificilmente dá pra fazer a vida num negócio desses se não fizer algo que os outros queiram ver. Viver da internet é um negócio difícil porque tem que criar e desenvolver coisas que realmente façam que os outros te vejam.

Enfim.

Esses últimos dias em casa parado o dia todo (por motivos alheios à minha vontade - queria já estar trabalhando) me fizeram ter muito tempo pra ver muito vídeo no youtube e ver muitos blogs. E, cara, dá muito bem pra fazer qualquer coisa que fazem. O legal da internet é esse: qualquer um pode fazer o que quiser e postar lá, que todo mundo vai ter acesso. Só é preciso ser um pouco sábio pra saber o que os outros querem.

Eu vejo esse contraste sempre quando olho pra esse blog (de devaneios e constatações vagas e baratas) quando comparado ao meu blog de conhecimentos bancários, que tem de fato conhecimento útil. Enquanto nesse as pessoas cagam, não comentam nem pra mandar a merda, no outro, sempre que tem um concurso de banco, os caras saltam em cima, e comentam sempre várias coisas (de "muito bom" até "lixo").

Mas poxa, dá trabalho cara...

Elaborar conteúdo na internet exige um investimento de vida. Conteúdo atualizado então, putz! eu vejo a cada dia que não tenho saco, simplesmente.

Meu blog de conhecimentos bancários vai perdurar e existir muito mais tempo porque eu tenho propósitos alheios a internet: passar em concursos. Só. De resto, se eu fosse estudar só pra escrever lá, pff, NUNCA ia ser atualizado. Aliás, essa foi a fórmula que eu encontrei: publicar conteúdo só pela MINHA conveniência...

Que vontade de uma coca-cola nessas 5:14 da manhã.

Paztejamos

27.3.13

Contrassenso nonsenso

[Pra começar, eu não sei se o título se escreve da forma como eu escrevi, mas não importa.]

É impossível dividir com quem não quer receber uma parte. É difícil querer mostrar pra alguém que não quer ver. O egoísta é indiferente à vitória do próximo.

E é pior consigo:
Ninguém divide quando se quer é guardar pra si. Não se mostra se o objetivo é ocultar. A minha vitória não deveria deixar os outros felizes.

Mas a gente nasce pra dividir, mostrar e se alegrar. Consigo e com o próximo. E ajudar, e ser ajudado. E se alegrar, e ser alegrado. A vida não é capitalista; a vida é Open Source, é compartilhamento, de graça, free. Tudo que é bom é pra me alegrar e alegrar ao meu próximo, porque se eu me alegro só comigo, minha alegria é pouca e só de vez em quando; mas se eu me alegro com todos e todos se alegram comigo, a alegria é sempre plena, e a dor repartida, amenizada.

Não sei quanto tempo mais dá pra aguentar viver em egoísmo. Não sei por quanto tempo dá pra abrir mão da tarefa de ser em plenitude pra ser em específico. Não sei quanto mais dá pra construir material, enquanto deveria estar construindo espiritual. Talvez amanhã eu mude, ou semana que vem, ou mês que vem, ano que vem quem sabe, ou só daqui 10 anos... pois que a cada dia eu sinto, e a cada choque minhas pernas tremem e o sacudir é cada vez mais forte.

O projeto é grande e firme e forte e é brabo pô-lo abaixo pra reconstruí-lo com ares mais coloridos. O cinza do cimento é imponente e eu não sei até onde a implosão pode arremessar escombros. O egoísmo escada percorre jardas rumo a mais um shut down e talvez sem escadas pode ser que eu não consiga subir tanto na vida. Mas essa vida não é a minha e talvez seja bem melhor subir prédios baixos como os da Londres em vez de procurar arranhas-céus como os de New York. Talvez minha vida seja ser alpinistas de prédios baixos, sem elevador. Talvez minha vida seja subir pouco, mas pintas os muros que subo, para que minha marca fique, e para que os outros se alegrem na minha pintura.

Talvez, talvez, talvez.

Talvez eu nunca fique satisfeito. E morra insatisfeito. E foda-se.

Paztejamos.

20.3.13

Quando lavar o cabelo certo muda a vida

Uma das principais contribuições que minha namorada fez à minha vida foi me ensinar a lavar o cabelo da forma correta. E isso não é um descrédito às outras contribuições que ela fez, é um destaque à relevância dessa contribuição.

Por ser homem, eu nasci e cresci com poucas frescuras relacionadas à aparência. Pra piorar, criei um senso de beleza alternativo a esse da nossa sociedade e por isso algumas coisas que me parecem atraentes são bizarramente feias para a maioria.

Só que cabelo pra mim sempre foi serious business. Desde que eu tive cabelo grande, essa é uma das coisas inclusive determinantes no meu sentimento de atração pelo sexo oposto. Dou graças a Deus pela beleza quase única do cabelo da Priscilla, diga-se de passagem. Talvez inconscientemente inclusive o cabelo dela tenha sido uma questão predominante na atração inicial que senti por ela no começo do namoro (hoje ela até pode ficar com cabelo mais feinho que, apesar de eu não gostar, vou querer ficar com ela igual :P).

E não conseguir arrumar o cabelo talvez seja uma das poucas situações incômodas ao homem em sua arrumação antes de sair de casa. Quero dizer: quais as outras coisas com que o homem se preocupa nesse processo? escovar os dentes, vestir a roupa, passar desodorante e calçar os sapatos... Homens não se preocupam nem se a roupa está ou não combinando, simplesmente vestem. O cabelo é disparado a variável mais 'subjetiva' com que o homem precisa perder tempo.

E pra arrumar o cabelo é NECESSÁRIO lavá-lo direito. Sério. Principalmente se tu toma banho antes de dormir, e sai logo depois de acordar: o cabelo tá todo revirado e arrumar ele dá uma trabalheira incrível se ele não tiver em condições ideais. Me lembro de antigamente ficar, por exemplo, com o pente na frente da pia do banheiro, molhando-o e passando no cabelo por uns 10 ou 15 minutos, sei lá, tentando abaixá-lo e torná-lo mais apresentável, até desistir, geralmente sem sucesso.

Mas com essa técnica simples e fácil, nunca, eu disse Nunca, NUNCA mais eu precisei fazer isso. Hoje eu simplesmente acordo, sacudo meu cabelo e dou umas dedadas no sentido em que ele foi penteado e TADÁÁ! está pronto. A única coisa que eu precisei fazer foi lavá-lo corretamente.

A essa altura você leitor que aguentou até aqui deve estar se perguntando "Mas o que diabos ele faz pra não se preocupar mais em estar escabelado?". Eu digo, é fácil, basta lavar o cabelo duas vezes com bem pouquinho xampú.

Basicamente o que acontece: na primeira lavada, com o mínimo de xampú que tu conseguir botar na mão, o cabelo vai fazer quase nada de espuma e vai parecer que tu está lavando errado, uma bosta mesmo. Depois, na segunda 'demão' de xampú (repito: BEM POUQUINHO XAMPÚ) o cabelo vai fazer um horror de espuma, que tu nem vai acreditar que com aquele pouquinho de xampú era possível.

Aí, pronto, o cabelo é outro. Fica mais soltinho, fácil de pentear, fácil de abaixar, e escabela com naturalidade (não "emplastando", como as vezes fica o cabelo de quem não sabe lavar). Sério, depois desse procedimento, é extremamente desnecessário qualquer cuidado a mais (a não ser pra mulheres, mas mulher é outra história).

E o incrível é que, dado que tu lava o cabelo da forma certa, é indiferente o xampú que tu esteja usando. Tipo, marca de xampú é bobagem, o importante é usar o procedimento correto. Experimenta aí, faz durante umas 3 semanas ou um mês e depois me diz se eu to mentindo. Sério, nunca mais estresses pra isso.

Paztejamos

13.3.13

Aos falsos profetas


Pequeno recado aos falsos profetas, que vivem de amedrontar as igrejas:

Disseram que o Anticristo surgiria na União Européia, futura potência mundial. Aí veio a crise, e a economia européia praticamente quebrou. Ficaram quietos.

Disseram que Michel Temer se tornaria presidente, e conduziria o Brasil ao Reino do Anticristo. Afinal, Michel Temer seria satanista, como deu a entender um certo Daniel Mastral. Mas a Presidenta segue, firme e forte. Ficaram quietos de novo.

Disseram que o próximo papa seria João Paulo II ressuscitado  para ser o Anticristo, a partir de uma interpretação maluca do Apocalipse. E eis agora Francisco I. Um papa novo. Calaram-se de novo.

Que fique bem claro: não amedrontem a comunidade cristã com falsas profecias. Por que sempre alguém se lembrará, e envergonhará vocês, falsos profetas.

Quando Eu Quase Me Tornei Judeu


A proposta me era realmente sedutora: viver a fé do primeiro século! Viver o que realmente ensinou Cristo e os seus apóstolos!

Aliás, para começar, tinha de me desfazer dessas nomenclaturas católicas-romanas. Cristo não, Messias. Ou melhor, Mashiach. Nada de apóstolos, e sim “emissários”. Shelichin para o nível Hard.  Fora com os nomes Deus, Igreja, Lei, Antigo Testamento e Novo Testamento. Isso era coisa dos romanos pagãos! O certo era Elohim, Kehilá, Torah, Tanakh e Brit Chadashá!

Foi mais ou menos assim que conheci o chamado Judaísmo Messiânico. Foi me apresentado como a forma original, judaica, sem poluições pagãs, da mensagem de Cristo...ops, do Mashiach.

Jesus – ou melhor, Yeshua – havia vindo para os judeus. Era um rabino, e sua mensagem seria de um Judaísmo renovado.

Comecei assim uma intensa jornada de estudos. Devorava artigos judaicos – messiânicos ou ortodoxos -, comprava livros do Ensinando de Sião, ouvia as palestras em podcast do grupo Torah Viva.

Com os estudos, vieram os novos hábitos. Me abstive de comer qualquer coisa que contivesse carne suína. Baixei um livro de orações em hebraico, e o recitava duas vezes por dia (as vezes, três). Procurei guardar o sábado, sem muito sucesso.  Deixei de comemorar o Natal, para me empenhar em guardar as festas judaicas. Deixei de ouvir música gospel, para ouvir a Ofra Haza.

Passava muito tempo no meu quarto, isolado. Meu Judaísmo Messiânico era particular e amedrontado, de modo semelhante ao Cristianismo da judia Raquel, de Os Deuses De Raquel.

Mas, não demorou muito, para que viessem os problemas.

Parte considerável do Judaísmo Messiânico não aceitava a divindade de Jesus. O Messias era um rei, e devia ser venerado, não adorado. Digno de adoração, só Elohim. Acabei me alinhando com a postura do grupo Torah Viva, que admitia a Sua Divindade.

O JM condenava o Cristianismo como um todo. O acusava de perversão da mensagem de Jesus, de antissemitismo, e até de instrumento do Diabo – ops, HaSatan – para ascensão do futuro Anticristo – perdão, Anti-Mashiach.  

Com o passar do tempo, me dei conta de que a grande maioria dos “judeus messiânicos” não eram judeus, e sim ex-evangélicos, desencantados com os rumos da Igreja Evangélica brasileira.

A linguagem arrogante, com que se depreciava a Reforma e o Cristianismo me causavam desconforto. Mas essa era a verdade! O que eu poderia fazer?

Então, veio o cisma no Ensinando de Sião. Alguns dos líderes saíram, retornando à fé protestante. O Ensinando de Sião, em retaliação, publicou uma nota de condenação aos dissidentes.

O grupo Torah Viva mudou de direção. Passaram a se concentrar no estudo dos Manuscritos do Mar Morto que, segundo eles, continha a correta interpretação da Torá. Deixaram de se identificar como “judeus nazarenos” – batiam no peito dizendo isso - para serem “judeus do caminho”.

Foi quando me caiu a ficha: eu estava me rebaixando, rejeitando todo o meu conhecimento bíblico e teológico para seguir àquele Movimento. Um Movimento que tinha os mesmos problemas do Cristianismo. E tinha ainda mais um: imaturidade.

Eu havia caído no mesmo erro pentecostal, ou melhor, anabatista, de idolatrar a igreja primitiva e condenar os 2 mil anos de história que se seguiram. De defender a restauração da fé do primeiro século que, na verdade, nunca foi perfeita. Pois era a fé de pessoas imperfeitas, que enfrentaram problemas, divisões, rixas, e todo tipo de problemas.

Retornei a meu protestantismo ingênuo e liberal. Um barco simples, de rumo mais incerto. Mas muito, muito melhor que aquele grande navio do Judaísmo Messiânico, que eu vi rumando para chocar-se contra um iceberg.

Recentemente, me bateu uma curiosidade de ver como andava o grupo Torah Viva. Para minha surpresa (ou não) eles rejeitaram Cristo. Todos os estudos e palestras que fizeram, de uma hora para outra, foram anulados. Possivelmente, vão acabar se filiando ao Judaísmo Ortodoxo.

O Judaísmo Messiânico acabou se revelando, não num caminho de judeus para Cristo, mas num caminho de evangélicos para o Judaísmo.

12.3.13

4 anos de blog! \o/

Aliás, bem conveniente essa minha volta ao blog.
Acabou trazendo o Felipe também, aparentemente (ou talvez seja coincidência ele voltar a postar... mas foi bem junto).

E logo hoje, por acaso, depois de postar o post abaixo, notei que são 4 anos!

4 anos dessa bagaça, dessa lixeira mental.
Muita coisa foi escrita, certamente. Muita coisa mudou nas nossas opiniões.
Tipo, me lembro de ser contra as cotas, depois a favor, e agora ser contra de novo.
Me lembro de quase filiar ao PSTU, e agora estou aqui contra esquerdistas.
Me lembro de criar perspectivas, uma série delas, e ainda não botei nada em prática.
Me lembro de convidar muita gente pra postar aqui e no fim sobrar apenas eu e o Felipe.
Me lembro desse blog ter 50, 100 acessos num dia, com 5 ou 6 posts por dia, e me lembro de abandonar esse espaço por, sei lá, praticamente um ano.

É, mas, com mais ou menos posts, esse ambiente vai perdurar. É o lugar onde eu escreverei certo, sempre que não houver comunicação o mundo externo.

Escrever, uma vez eu li isso, é mais pensado que falar, mesmo que a gente não queira, porque custa mais, e a gente tem o direito de reescrever se não gostou... e é por isso, por essa falta de pensar, que eu falo muita merda. Assim, é bem melhor escrever, e é certo que eu me comunico muito melhor assim.

Se esse blog fosse físico, eu daria um abraço nele hoje e até derramaria algumas lágrimas.
Como não é, fica esse post, que me deixa com "borboletas no estômago" de felicidade por viver num tempo de internet onde qualquer um que pensa pode externar seu tanto de massa cinzenta num ambiente público.

Paztejamos,
ou peace on you, como eu usei algumas vezes antes de essa saudação "grudar" finalmente na minha forma de me despedir.

Hombridade

Há tempos que eu já ouvi e concordo plenamente: esse ocidentalismo do nosso tempo tem por consequência certa extinguir o conceito de masculinidade. Isso porque homem não consome, homem produz, e consumismo - característica intrinsecamente feminina - é o fundamento mais claro desse sistema.

Mas também há tempos eu já noto um outro movimento, meio que de resistência, de organização masculina sadia, animal mesmo, que prega as essências do homem, que não tem frescura, é objetivo, prático, focado em determinada meta útil, protetor... de fato, macho mesmo. Não custa dar uma olhada no mainstream da masculinidade internetística: Papo de Homem e Testosterona. Por mais que eu não concorde que tudo que tem lá é necessário, reflete bem uma ideia de homem que eu considero no mínimo saudável (mesmo considerando o fato de que não é necessário ser imoral pra ser masculino).

E isso, esse agregamento, é uma coisa que eu sinto falta. Durante o último semestre eu tive, uma vez por semana (ou no máximo semana sim semana não), religiosamente às quintas de noite, encontros no DAFA, tomando cerveja com alguns amigos e compartilhando os eventos da minha vida, alinhando meus conceitos com os desses amigos, conversando sobre essas coisas que a gente não fala por exemplo com amigos de igreja: álcool, sexo, mulheres, pornografia, tecnologias, filosofias abertas, meios de vida, relacionamentos, etc.

[Na real, eu sinto até que poderia tratar de alguns (ALGUNS!) desses assuntos com certos amigos da igreja, mas creio que sempre cortados em parcelas, por causa do pudor puritano típico do evangélico (pudor que inclusive eu tenho, mas que abro exceções quando preciso abrir a alma).]

Depois que acabou o semestre tive poucos contatos com somente amigos, e nada de namorada. Não que a presença da namorada seja ruim, mas tenho reconhecido há algum tempo que talvez seja necessário que ela não esteja pra que eu possa reclamar dela também. E não é nada de ruim reclamar da namorada: as vezes o que fica entalado pra dizer pra ela, a gente desabafa com outros que, tendo a mente "oxigenada" pelo álcool, podem fazer comentários que tornem a situação no mínimo mais cômica ou razoável.

Parte das minhas considerações sobre essas questões de gênero (que alguma feminista hardcore ainda vai chamar de machista) é justamente isso: que um homem precisa de amigos pra ser homem. Amigos que me refiro é aquele grupo de pessoas com quem a gente tem conversas produtivas sobre assuntos supérfluos (por mais contraditório que isso seja, pra mim essa é uma definição ótima), conversas que não saem dali e que fazem a gente repensar certas atitudes da vida.

Quando eu tinha meu facebook, pelo fato de usar o facebook como uma lixeira onde eu depositava toda a merda que eu via pela internet ou que vinha à minha cabeça, achava que estava com amigos, pelo fato de estar sempre comentando ou sendo comentado por determinadas pessoas. Mas o facebook é um amigo abstrato de que não se pode tirar muito proveito. Ver um grupo de pessoas pessoalmente é que torna os diálogos reais.

Agora que saí da Matrix, tenho mais tempo, inclusive pra postar aqui, e consequentemente penso mais. Nisso, ter amigos por perto dá uma visão "de cima" das reflexões. Nada taxativo, do tipo 100% condenatório, nem nada "lambe lambe", que apoia todas as ideias. Conversas francas que dão norte, fazem focar. E é isso que, como homens, sempre precisamos.

Preciso intensificar minhas relações interpessoais úteis, reforçar o foco nos objetivos determinados, assumir o controle total da minha vida e ser firme pra que as coisas funcionem. Porque isso que de fato é atitude de homem, o resto é coisa de guri.

Paztejamos.

A Queda de Constantinopla

Eis que é vindo o Sultão
Com o milhar de suas hostes
Desbancou o antigo Panteão
Pendurou nossos heróis em postes
Nossos muros prateados
Não resistiram a seus canhões
Nossos soldados empalados
Tiraram o ânimo dos pelotões
A armada italiana não chegará
O ícone da Virgem se quebrou
Escarnece o Turco e seus paxás
Do último César que reinou

10.3.13

Da impossibilidade de um neopentecostal ser poeta


Ouvi, em um culto de jovens, isso dito pelo pregador:

“Como diz o Silas Malafaia [sic], tem gente que anda de ônibus, e fica admirando às paisagens da janela: Olha aquela árvore! Olha aqueles prédios!

Quando podia estar em contato com Deus! Podia estar lá, intercedendo em pensamento, dizendo: ‘Senhor, guarda a minha vida! Guarda a vida do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos! Senhor, cuida da saúde da minha vó, que tem aquela doença que consome todo o seu corpo...’ “

Deve ser por isso que nunca conheci um neopentecostal poeta. 

Sonhando com Juremir Machado da Silva


Foi anteontem. Sonhei que caminhava nas ruas de uma Porto Alegre fantástica na companhia de meu jornalista favorito, o Juremir Machado da Silva.

Ele me contava dos horrores da Ditadura. Descrevia-me as torturas a que submetiam os ativistas políticos que ousavam questionar o regime.

Enquanto caminhávamos, ouvíamos na rua o som de uma banda gaúcha de Rock, de vocalista feminina, cuja melodia lembrava as velhas bandas de Rock Psicodélico dos anos 60.

Juremir me contou que conhecia a mãe da cantora. Fora ativista durante a Ditadura, e os militares lhe quebraram a clavícula. Nessa hora, senti uma dor aguda no meu osso equivalente. Prosseguimos.

Foi quando um motorista bêbado se aproximou de nós. Não me lembro ao certo o que dirigia, mas parece ter sido uma bicicleta. Não bastando estar bêbado, ele ainda trazia consigo inacreditáveis galões de cerveja. Tombou ao nosso lado. Não nos atingiu, mas derrubou os galões, e espalhou cerveja por toda a rua. 

Molhamos nosso pés. Ficamos anojados.

A seguir, Juremir – que, no sonho, tinha uma estranha antipatia por cerveja, igual a minha antipatia real – se despediu, e desapareceu. Levantei meus olhos, e eis que vi a tal banda de Rock gaúcha, com a vocalista à frente, caminhando em minha direção.

A vocalista lembrava a Rita Lee em seus tempos de moça, porém com cabelos pretos. Ela disse algo como: “Venha conosco! Precisamos lutar contra esse regime!”. E eu, sem dizer nada, me juntei a eles, e partimos.

De algum modo, eu sabia que o “regime” a que ela se referia era a direita midiática. Os “lacerdinhas”, como diz o Juremir.

Fim do meu sonho.

9.3.13

A Triste Situação Assembleiana


É com pesar que, nessa última terça-feira, constatei o domínio da velha teologia legalista no culto de ensino bíblico.

O que era para ser um ambiente de estudos, debates e questionamentos, tornou-se na voz uníssona de um homem dito santo e irrepreensível, dirigida a um grupo de ditos pecadores e falhos, a saber, os que se sentam nos bancos.

O discurso do homem era de correção a tudo e a todos. Criticou aos cristãos que buscam aprofundar-se na fé com o estudo teológico e acadêmico; colocou o  questionamento de autoridade como um pecado hediondo; identificou as doutrinas rasas e ingênuas do pentecostalismo como sendo a “sã doutrina” das Escrituras; e, por fim, censurou às vozes dos líderes assembleianos, já devidamente banidos, que escandalosamente propunham a ênfase na Graça de Deus e na liberdade em Cristo.

É certo que esse partido legalista pentecostal sempre teve força. Nas escolas bíblicas dos jovens, eu observava como o ensino mais devidamente protestante e sadio do jovem pastor – que agora não está mais neste Estado – era desvirtuado e desdito pela líder do departamento de mocidade. Imagine, em um dia, ouvíamos “A Graça de Deus nos liberta de uma vida religiosa”, e, em outro dia, “Quando Jesus voltar, temos que estar prontinhos para subirmos com Ele.”

Mas, agora, parece que toda a voz legitimamente protestante foi silenciada na AD de Guaíba. Os pastores amigos dos membros dão lugar aos “anjos da Igreja”. A igreja assume a velha configuração de um Clero impoluto e santo, que se empenha em corrigir um Laicato pecador, teimoso, vil. O homem que sobe ao púlpito fala pelo próprio Espírito Santo, enquanto que o aquele que se senta aos bancos tem apenas de ouvir, como pecador vil que é.

É com pesar. Com pesar que vejo o silenciamento dos teólogos, o desprezo pelas bandeiras protestantes, e a glorificação da ingenuidade evangélica.

4.3.13

ReverberAÇÃO

Não tem a ver com nada social. Ou tem. Mas não agora. Não hoje, não é o momento. Ou é... sei lá.
Desde que desfiz meu facebook, careço do meu "megafone". É o momento de voltar a atividade. Refletir pra escrever é mais difícil que escrever pra refletir. E mais útil. Não é simples impulso quando eu posto aqui. Os textos são mais compridos e eu passo o dia pensando... e também que só venho aqui abrir a boca "quando tenho certeza" (ou não). Quer dizer, nem metade do que eu penso cai aqui.

Mas não importa, não é esse o assunto. O ponto é: estar sem fazer nada, existindo dia após dia, vivendo "passivamente", sem construir algo de "extracurricular", é meio que deprimente.

Tá certo, o dia tem 24 horas, 6 delas eu passo dormindo, 8 delas trabalhando, duas viajando de ônibus, uma e meia no horário de almoço... já são 17 horas e meia. Aí tira duas horas de Muai Thay ou, quando começarem as aulas mais quatro e fechou o dia. O resto que sobra são o "erro", porque nada do que a gente faz é cronometrado e a gente sempre tem um ou outro imprevisto, além do que conversar fiado e namorar não são coisas de que se possa estipular tempos fechados.

Mas mesmo assim. Tem uma série de avanços que eu quero tomar. Eu planejo e planejo e planejo mentalmente e sempre que eu venho aqui reforço esses planejamentos e a única coisa que constato no fim é o tempo que faz que eu planejo sem efetivamente conseguir alcançar o planejado. Meus planos parece que passam paralelos à minha realidade, como se estivessem lá a todo momento ao meu alcance, mas eu nunca tivesse tempo pra pegá-los. "Não é a hora, preciso fazer XYZ outras coisas", é o que tudo a minha volta comunica.

Esse fim de semana estive num culto em que o pregador foi daquele tipo bem "crente" e "pentecostal" (estão entre aspas pra denotar uma certa ironia) que repete uma mesma frase de maneiras ligeiramente diferentes ao longo de 45 minutos sem, no fim das contas, conseguir transmitir uma única mensagem clara. Mas a certa altura ele perguntou, e eu dei sorte de estar atento no momento, por dois tipos de pessoa: 1) quem já recebeu promessas de Deus em sua vida e 2) quem está esperando por tais promessas. Tá, o leitor, se for cristão, deve estar com ar cético agora, pensando "ah, grandes coisa, já escutei dúzias de pregadores fazendo essa pergunta", mas essa pergunta me levou à reflexão (apesar de a pregação não proporcionar tal ambiente): eu certamente me enquadro no segundo tipo de pessoa, esperando ansiosamente o dia em que vão se cumprir os eventos que, eu creio, são mais do que meras ideias mirabolantes à lá Jean. Só que essa espera, como me consome... não sei nem como descrever.

Voltando à primeira frase: não tem nada a ver com o social. Tem a ver com o quanto eu posso fazer em contraste com o quanto eu faço hoje. Eu queria saber cozinhar, morar sozinho, andar de skate, disponibilizar um conteúdo atrativo na internet, dar aulas dos assuntos que eu entendo pra aqueles que tenham interesse, tocar gaita de boca, saber me vestir bem... isso tudo sem cair nas armadilhas que consomem meu tempo a todo tempo. Só que hoje o máximo que eu consigo é praticar muai thay, estudar e namorar. Alcançar o resto significa desistir de algo que eu já tenho e, convenhamos, tirando o muai thay, largar os estudos ou a namorada não são escolhas muito razoáveis.

Enfim, o que eu digo em resumo é que parece que eu já estou velho pra alcançar tudo isso que eu listei antes. Quer dizer, quando a gente tem 15 anos, dá pra aprender a andar de skate, cozinhar, blogar, tocar gaita ou trombone ou aprender o conceito prático de "beleza" (altamente discutível e, pra mim, difícil de "conhecer") e tudo isso com ajuda e apoio da família, amigos e sociedade. Mas quando a gente tem 22 anos (e, sério, digo com a mais clara impressão de estar velho), a sociedade expõe suas face mais indiferente no sentido de que essas coisas agora são hobbies e eu DEVO agora me dedicar a passar a vida da forma como I supposed to be, relegando esses objetivos outros à categorias das "coisas que eu não tenho tempo pra fazer", fazendo-as só assim de vez em quando como quando a gente junta uma graninha nas férias pra ir pra praia.

E disso, dessa condição, eu preciso, Preciso, PRECISO me livrar. Sério. Eu não quero viver de um trabalho corporativo corporativamente corporativizado. Eu quero ser, sei lá, como o Ricardo Freire do Sua Viagem (da Band News), que tem uma coluna sobre viagem e seu trabalho é basicamente viajar observando tudo pra depois relatar em suas colunas quando alguém perguntar. Eu quero viver de alguma coisa que eu realmente goste de fazer, mesmo que ninguém, nem mesmo eu, acredite que eu seja capaz de fazer. E eu gosto de tantas coisas que eu posso até não ser bom em 4 ou 5 delas, mas em alguma delas eu certamente tenho talento. E quanto a isso pode minha mãe, minha professora, minha namorada e até minha própria consciência dizer que eu sou um retardado, um louco por fazer essa busca instável, mas é a única coisa que eu acho que suporto fazer.

... Bom, acho que vou parando por aqui porque tenho que dormir para amanhã voltar à vida corporativizanha... até porque vieram gritar à minha volta e eu não consigo raciocinar pra escrever nada mais aqui assim ¬¬

Paztejamos

24.2.13

Sonhos não são meros projetos

Sabe aquelas coisas que a gente sabe que precisa, que tem necessidade de fazer? Minhas perspectivas, aquelas que eu escrevi aqui nesse blog há muito, ainda estão muito vivas em mim...

De fato, eu não esqueço esses projetos e sofro ao não poder botá-los em prática. Eu nasci com esse anseio, essa megalomania de mudar o mundo, e tenho consciência de que não se começa com grandes feitos, mas sim com aquelas pequenas ações que a gente olha e diz que não tem importância, que não faz efeito nenhum, que até alguns chamam de "assistencialismo" ou outros nomes degradantes e pejorativos.

Porém, apesar de há algum tempo relutar em admitir pra mim mesmo, nem os meus mais íntimos acreditam que eu sou capaz de algo desse gênero. Estou preso ao que eu deveria fazer, e mesmo que em meu interior haja um grito de desespero, sigo vivendo o sistema esperado.

Mas eu não nasci pra viver sentado atrás de uma mesa 30 ou 40 horas por dia fazendo um trabalho massante em troca de um salário, qualquer que seja ele. Eu não nasci pra fazer uma poupança farta, ter luxo, andar num cruzeiro, ter uma casa de dois andares com piscina e empregada nem levar um poodle pra passear na beira da praia cedo da manhã. Eu nasci pobre de espírito e é com esses que eu me identifico. Eu gosto de bacon, churrasco, cerveja, gente suada e vocabulário chulo. Eu gosto de olhar a bunda das mulheres que passam enquanto falo bobagem com os amigos. Eu conheço o rosto dos mendigos que me pedem dinheiro ou comida, e mesmo os que nem falam comigo, e conto os dias pra que chegue o momento em que eu tenha condições e estruturas para poder ajudá-los.

E eu preciso, mais do que provar aos outros que eles estão errados, provar pra mim mesmo que, apesar de todas as dificuldades, eu fui vocacionado, chamado, enviado, quase que obrigado pela minha consciência ou por Deus (tipo Moisés, que não tinha oratória mas foi um baita líder, pela graça de Deus) a procurar viver a vida com o objetivo de ajudar o meu próximo. É algo que transpassa meus projetos de vida, que não pode ser esperado ou deixado pra depois porque não é uma coisa com começo ou fim, mas um estilo de vida... uma coisa com que eu preciso estar envolvido sempre, verdadeiramente uma parte de mim.

E realmente eu não sei mais pra onde ir, qual caminho seguir. Meu coração olha pro meu rumo e prevê um futuro que eu não planejei, uma vida mediocremente igual a dos outros, sem nenhuma oportunidade de fazer diferença pra nada, ocupado demais com as pessoas a minha volta, comigo mesmo e com as minhas próprias coisas. E aponta pra outro caminho, mais cheio de obstáculos, com mais correntes das quais eu tenho que me libertar, mas com mais efeito, mais mudança, mais "legado" para esse mundo.

A dúvida voltou a minha mente e me consome. Essa que já me destruiu e me deixou sem rumo muitas vezes, agora volta ao meu coração. Não nego nenhuma das minhas dificuldades e nem quero me desfazer de nenhum dos meus objetivos... só o que preciso é de apoio pra fazer a única coisa na vida que eu tenho certeza de que nasci pra fazer.

Enfim... esse é um post desabafo. Ninguém vai ler mesmo, então...

Paztejamos