Pesquisa neste blog =D

27.3.13

Contrassenso nonsenso

[Pra começar, eu não sei se o título se escreve da forma como eu escrevi, mas não importa.]

É impossível dividir com quem não quer receber uma parte. É difícil querer mostrar pra alguém que não quer ver. O egoísta é indiferente à vitória do próximo.

E é pior consigo:
Ninguém divide quando se quer é guardar pra si. Não se mostra se o objetivo é ocultar. A minha vitória não deveria deixar os outros felizes.

Mas a gente nasce pra dividir, mostrar e se alegrar. Consigo e com o próximo. E ajudar, e ser ajudado. E se alegrar, e ser alegrado. A vida não é capitalista; a vida é Open Source, é compartilhamento, de graça, free. Tudo que é bom é pra me alegrar e alegrar ao meu próximo, porque se eu me alegro só comigo, minha alegria é pouca e só de vez em quando; mas se eu me alegro com todos e todos se alegram comigo, a alegria é sempre plena, e a dor repartida, amenizada.

Não sei quanto tempo mais dá pra aguentar viver em egoísmo. Não sei por quanto tempo dá pra abrir mão da tarefa de ser em plenitude pra ser em específico. Não sei quanto mais dá pra construir material, enquanto deveria estar construindo espiritual. Talvez amanhã eu mude, ou semana que vem, ou mês que vem, ano que vem quem sabe, ou só daqui 10 anos... pois que a cada dia eu sinto, e a cada choque minhas pernas tremem e o sacudir é cada vez mais forte.

O projeto é grande e firme e forte e é brabo pô-lo abaixo pra reconstruí-lo com ares mais coloridos. O cinza do cimento é imponente e eu não sei até onde a implosão pode arremessar escombros. O egoísmo escada percorre jardas rumo a mais um shut down e talvez sem escadas pode ser que eu não consiga subir tanto na vida. Mas essa vida não é a minha e talvez seja bem melhor subir prédios baixos como os da Londres em vez de procurar arranhas-céus como os de New York. Talvez minha vida seja ser alpinistas de prédios baixos, sem elevador. Talvez minha vida seja subir pouco, mas pintas os muros que subo, para que minha marca fique, e para que os outros se alegrem na minha pintura.

Talvez, talvez, talvez.

Talvez eu nunca fique satisfeito. E morra insatisfeito. E foda-se.

Paztejamos.

20.3.13

Quando lavar o cabelo certo muda a vida

Uma das principais contribuições que minha namorada fez à minha vida foi me ensinar a lavar o cabelo da forma correta. E isso não é um descrédito às outras contribuições que ela fez, é um destaque à relevância dessa contribuição.

Por ser homem, eu nasci e cresci com poucas frescuras relacionadas à aparência. Pra piorar, criei um senso de beleza alternativo a esse da nossa sociedade e por isso algumas coisas que me parecem atraentes são bizarramente feias para a maioria.

Só que cabelo pra mim sempre foi serious business. Desde que eu tive cabelo grande, essa é uma das coisas inclusive determinantes no meu sentimento de atração pelo sexo oposto. Dou graças a Deus pela beleza quase única do cabelo da Priscilla, diga-se de passagem. Talvez inconscientemente inclusive o cabelo dela tenha sido uma questão predominante na atração inicial que senti por ela no começo do namoro (hoje ela até pode ficar com cabelo mais feinho que, apesar de eu não gostar, vou querer ficar com ela igual :P).

E não conseguir arrumar o cabelo talvez seja uma das poucas situações incômodas ao homem em sua arrumação antes de sair de casa. Quero dizer: quais as outras coisas com que o homem se preocupa nesse processo? escovar os dentes, vestir a roupa, passar desodorante e calçar os sapatos... Homens não se preocupam nem se a roupa está ou não combinando, simplesmente vestem. O cabelo é disparado a variável mais 'subjetiva' com que o homem precisa perder tempo.

E pra arrumar o cabelo é NECESSÁRIO lavá-lo direito. Sério. Principalmente se tu toma banho antes de dormir, e sai logo depois de acordar: o cabelo tá todo revirado e arrumar ele dá uma trabalheira incrível se ele não tiver em condições ideais. Me lembro de antigamente ficar, por exemplo, com o pente na frente da pia do banheiro, molhando-o e passando no cabelo por uns 10 ou 15 minutos, sei lá, tentando abaixá-lo e torná-lo mais apresentável, até desistir, geralmente sem sucesso.

Mas com essa técnica simples e fácil, nunca, eu disse Nunca, NUNCA mais eu precisei fazer isso. Hoje eu simplesmente acordo, sacudo meu cabelo e dou umas dedadas no sentido em que ele foi penteado e TADÁÁ! está pronto. A única coisa que eu precisei fazer foi lavá-lo corretamente.

A essa altura você leitor que aguentou até aqui deve estar se perguntando "Mas o que diabos ele faz pra não se preocupar mais em estar escabelado?". Eu digo, é fácil, basta lavar o cabelo duas vezes com bem pouquinho xampú.

Basicamente o que acontece: na primeira lavada, com o mínimo de xampú que tu conseguir botar na mão, o cabelo vai fazer quase nada de espuma e vai parecer que tu está lavando errado, uma bosta mesmo. Depois, na segunda 'demão' de xampú (repito: BEM POUQUINHO XAMPÚ) o cabelo vai fazer um horror de espuma, que tu nem vai acreditar que com aquele pouquinho de xampú era possível.

Aí, pronto, o cabelo é outro. Fica mais soltinho, fácil de pentear, fácil de abaixar, e escabela com naturalidade (não "emplastando", como as vezes fica o cabelo de quem não sabe lavar). Sério, depois desse procedimento, é extremamente desnecessário qualquer cuidado a mais (a não ser pra mulheres, mas mulher é outra história).

E o incrível é que, dado que tu lava o cabelo da forma certa, é indiferente o xampú que tu esteja usando. Tipo, marca de xampú é bobagem, o importante é usar o procedimento correto. Experimenta aí, faz durante umas 3 semanas ou um mês e depois me diz se eu to mentindo. Sério, nunca mais estresses pra isso.

Paztejamos

13.3.13

Aos falsos profetas


Pequeno recado aos falsos profetas, que vivem de amedrontar as igrejas:

Disseram que o Anticristo surgiria na União Européia, futura potência mundial. Aí veio a crise, e a economia européia praticamente quebrou. Ficaram quietos.

Disseram que Michel Temer se tornaria presidente, e conduziria o Brasil ao Reino do Anticristo. Afinal, Michel Temer seria satanista, como deu a entender um certo Daniel Mastral. Mas a Presidenta segue, firme e forte. Ficaram quietos de novo.

Disseram que o próximo papa seria João Paulo II ressuscitado  para ser o Anticristo, a partir de uma interpretação maluca do Apocalipse. E eis agora Francisco I. Um papa novo. Calaram-se de novo.

Que fique bem claro: não amedrontem a comunidade cristã com falsas profecias. Por que sempre alguém se lembrará, e envergonhará vocês, falsos profetas.

Quando Eu Quase Me Tornei Judeu


A proposta me era realmente sedutora: viver a fé do primeiro século! Viver o que realmente ensinou Cristo e os seus apóstolos!

Aliás, para começar, tinha de me desfazer dessas nomenclaturas católicas-romanas. Cristo não, Messias. Ou melhor, Mashiach. Nada de apóstolos, e sim “emissários”. Shelichin para o nível Hard.  Fora com os nomes Deus, Igreja, Lei, Antigo Testamento e Novo Testamento. Isso era coisa dos romanos pagãos! O certo era Elohim, Kehilá, Torah, Tanakh e Brit Chadashá!

Foi mais ou menos assim que conheci o chamado Judaísmo Messiânico. Foi me apresentado como a forma original, judaica, sem poluições pagãs, da mensagem de Cristo...ops, do Mashiach.

Jesus – ou melhor, Yeshua – havia vindo para os judeus. Era um rabino, e sua mensagem seria de um Judaísmo renovado.

Comecei assim uma intensa jornada de estudos. Devorava artigos judaicos – messiânicos ou ortodoxos -, comprava livros do Ensinando de Sião, ouvia as palestras em podcast do grupo Torah Viva.

Com os estudos, vieram os novos hábitos. Me abstive de comer qualquer coisa que contivesse carne suína. Baixei um livro de orações em hebraico, e o recitava duas vezes por dia (as vezes, três). Procurei guardar o sábado, sem muito sucesso.  Deixei de comemorar o Natal, para me empenhar em guardar as festas judaicas. Deixei de ouvir música gospel, para ouvir a Ofra Haza.

Passava muito tempo no meu quarto, isolado. Meu Judaísmo Messiânico era particular e amedrontado, de modo semelhante ao Cristianismo da judia Raquel, de Os Deuses De Raquel.

Mas, não demorou muito, para que viessem os problemas.

Parte considerável do Judaísmo Messiânico não aceitava a divindade de Jesus. O Messias era um rei, e devia ser venerado, não adorado. Digno de adoração, só Elohim. Acabei me alinhando com a postura do grupo Torah Viva, que admitia a Sua Divindade.

O JM condenava o Cristianismo como um todo. O acusava de perversão da mensagem de Jesus, de antissemitismo, e até de instrumento do Diabo – ops, HaSatan – para ascensão do futuro Anticristo – perdão, Anti-Mashiach.  

Com o passar do tempo, me dei conta de que a grande maioria dos “judeus messiânicos” não eram judeus, e sim ex-evangélicos, desencantados com os rumos da Igreja Evangélica brasileira.

A linguagem arrogante, com que se depreciava a Reforma e o Cristianismo me causavam desconforto. Mas essa era a verdade! O que eu poderia fazer?

Então, veio o cisma no Ensinando de Sião. Alguns dos líderes saíram, retornando à fé protestante. O Ensinando de Sião, em retaliação, publicou uma nota de condenação aos dissidentes.

O grupo Torah Viva mudou de direção. Passaram a se concentrar no estudo dos Manuscritos do Mar Morto que, segundo eles, continha a correta interpretação da Torá. Deixaram de se identificar como “judeus nazarenos” – batiam no peito dizendo isso - para serem “judeus do caminho”.

Foi quando me caiu a ficha: eu estava me rebaixando, rejeitando todo o meu conhecimento bíblico e teológico para seguir àquele Movimento. Um Movimento que tinha os mesmos problemas do Cristianismo. E tinha ainda mais um: imaturidade.

Eu havia caído no mesmo erro pentecostal, ou melhor, anabatista, de idolatrar a igreja primitiva e condenar os 2 mil anos de história que se seguiram. De defender a restauração da fé do primeiro século que, na verdade, nunca foi perfeita. Pois era a fé de pessoas imperfeitas, que enfrentaram problemas, divisões, rixas, e todo tipo de problemas.

Retornei a meu protestantismo ingênuo e liberal. Um barco simples, de rumo mais incerto. Mas muito, muito melhor que aquele grande navio do Judaísmo Messiânico, que eu vi rumando para chocar-se contra um iceberg.

Recentemente, me bateu uma curiosidade de ver como andava o grupo Torah Viva. Para minha surpresa (ou não) eles rejeitaram Cristo. Todos os estudos e palestras que fizeram, de uma hora para outra, foram anulados. Possivelmente, vão acabar se filiando ao Judaísmo Ortodoxo.

O Judaísmo Messiânico acabou se revelando, não num caminho de judeus para Cristo, mas num caminho de evangélicos para o Judaísmo.

12.3.13

4 anos de blog! \o/

Aliás, bem conveniente essa minha volta ao blog.
Acabou trazendo o Felipe também, aparentemente (ou talvez seja coincidência ele voltar a postar... mas foi bem junto).

E logo hoje, por acaso, depois de postar o post abaixo, notei que são 4 anos!

4 anos dessa bagaça, dessa lixeira mental.
Muita coisa foi escrita, certamente. Muita coisa mudou nas nossas opiniões.
Tipo, me lembro de ser contra as cotas, depois a favor, e agora ser contra de novo.
Me lembro de quase filiar ao PSTU, e agora estou aqui contra esquerdistas.
Me lembro de criar perspectivas, uma série delas, e ainda não botei nada em prática.
Me lembro de convidar muita gente pra postar aqui e no fim sobrar apenas eu e o Felipe.
Me lembro desse blog ter 50, 100 acessos num dia, com 5 ou 6 posts por dia, e me lembro de abandonar esse espaço por, sei lá, praticamente um ano.

É, mas, com mais ou menos posts, esse ambiente vai perdurar. É o lugar onde eu escreverei certo, sempre que não houver comunicação o mundo externo.

Escrever, uma vez eu li isso, é mais pensado que falar, mesmo que a gente não queira, porque custa mais, e a gente tem o direito de reescrever se não gostou... e é por isso, por essa falta de pensar, que eu falo muita merda. Assim, é bem melhor escrever, e é certo que eu me comunico muito melhor assim.

Se esse blog fosse físico, eu daria um abraço nele hoje e até derramaria algumas lágrimas.
Como não é, fica esse post, que me deixa com "borboletas no estômago" de felicidade por viver num tempo de internet onde qualquer um que pensa pode externar seu tanto de massa cinzenta num ambiente público.

Paztejamos,
ou peace on you, como eu usei algumas vezes antes de essa saudação "grudar" finalmente na minha forma de me despedir.

Hombridade

Há tempos que eu já ouvi e concordo plenamente: esse ocidentalismo do nosso tempo tem por consequência certa extinguir o conceito de masculinidade. Isso porque homem não consome, homem produz, e consumismo - característica intrinsecamente feminina - é o fundamento mais claro desse sistema.

Mas também há tempos eu já noto um outro movimento, meio que de resistência, de organização masculina sadia, animal mesmo, que prega as essências do homem, que não tem frescura, é objetivo, prático, focado em determinada meta útil, protetor... de fato, macho mesmo. Não custa dar uma olhada no mainstream da masculinidade internetística: Papo de Homem e Testosterona. Por mais que eu não concorde que tudo que tem lá é necessário, reflete bem uma ideia de homem que eu considero no mínimo saudável (mesmo considerando o fato de que não é necessário ser imoral pra ser masculino).

E isso, esse agregamento, é uma coisa que eu sinto falta. Durante o último semestre eu tive, uma vez por semana (ou no máximo semana sim semana não), religiosamente às quintas de noite, encontros no DAFA, tomando cerveja com alguns amigos e compartilhando os eventos da minha vida, alinhando meus conceitos com os desses amigos, conversando sobre essas coisas que a gente não fala por exemplo com amigos de igreja: álcool, sexo, mulheres, pornografia, tecnologias, filosofias abertas, meios de vida, relacionamentos, etc.

[Na real, eu sinto até que poderia tratar de alguns (ALGUNS!) desses assuntos com certos amigos da igreja, mas creio que sempre cortados em parcelas, por causa do pudor puritano típico do evangélico (pudor que inclusive eu tenho, mas que abro exceções quando preciso abrir a alma).]

Depois que acabou o semestre tive poucos contatos com somente amigos, e nada de namorada. Não que a presença da namorada seja ruim, mas tenho reconhecido há algum tempo que talvez seja necessário que ela não esteja pra que eu possa reclamar dela também. E não é nada de ruim reclamar da namorada: as vezes o que fica entalado pra dizer pra ela, a gente desabafa com outros que, tendo a mente "oxigenada" pelo álcool, podem fazer comentários que tornem a situação no mínimo mais cômica ou razoável.

Parte das minhas considerações sobre essas questões de gênero (que alguma feminista hardcore ainda vai chamar de machista) é justamente isso: que um homem precisa de amigos pra ser homem. Amigos que me refiro é aquele grupo de pessoas com quem a gente tem conversas produtivas sobre assuntos supérfluos (por mais contraditório que isso seja, pra mim essa é uma definição ótima), conversas que não saem dali e que fazem a gente repensar certas atitudes da vida.

Quando eu tinha meu facebook, pelo fato de usar o facebook como uma lixeira onde eu depositava toda a merda que eu via pela internet ou que vinha à minha cabeça, achava que estava com amigos, pelo fato de estar sempre comentando ou sendo comentado por determinadas pessoas. Mas o facebook é um amigo abstrato de que não se pode tirar muito proveito. Ver um grupo de pessoas pessoalmente é que torna os diálogos reais.

Agora que saí da Matrix, tenho mais tempo, inclusive pra postar aqui, e consequentemente penso mais. Nisso, ter amigos por perto dá uma visão "de cima" das reflexões. Nada taxativo, do tipo 100% condenatório, nem nada "lambe lambe", que apoia todas as ideias. Conversas francas que dão norte, fazem focar. E é isso que, como homens, sempre precisamos.

Preciso intensificar minhas relações interpessoais úteis, reforçar o foco nos objetivos determinados, assumir o controle total da minha vida e ser firme pra que as coisas funcionem. Porque isso que de fato é atitude de homem, o resto é coisa de guri.

Paztejamos.

A Queda de Constantinopla

Eis que é vindo o Sultão
Com o milhar de suas hostes
Desbancou o antigo Panteão
Pendurou nossos heróis em postes
Nossos muros prateados
Não resistiram a seus canhões
Nossos soldados empalados
Tiraram o ânimo dos pelotões
A armada italiana não chegará
O ícone da Virgem se quebrou
Escarnece o Turco e seus paxás
Do último César que reinou

10.3.13

Da impossibilidade de um neopentecostal ser poeta


Ouvi, em um culto de jovens, isso dito pelo pregador:

“Como diz o Silas Malafaia [sic], tem gente que anda de ônibus, e fica admirando às paisagens da janela: Olha aquela árvore! Olha aqueles prédios!

Quando podia estar em contato com Deus! Podia estar lá, intercedendo em pensamento, dizendo: ‘Senhor, guarda a minha vida! Guarda a vida do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos! Senhor, cuida da saúde da minha vó, que tem aquela doença que consome todo o seu corpo...’ “

Deve ser por isso que nunca conheci um neopentecostal poeta. 

Sonhando com Juremir Machado da Silva


Foi anteontem. Sonhei que caminhava nas ruas de uma Porto Alegre fantástica na companhia de meu jornalista favorito, o Juremir Machado da Silva.

Ele me contava dos horrores da Ditadura. Descrevia-me as torturas a que submetiam os ativistas políticos que ousavam questionar o regime.

Enquanto caminhávamos, ouvíamos na rua o som de uma banda gaúcha de Rock, de vocalista feminina, cuja melodia lembrava as velhas bandas de Rock Psicodélico dos anos 60.

Juremir me contou que conhecia a mãe da cantora. Fora ativista durante a Ditadura, e os militares lhe quebraram a clavícula. Nessa hora, senti uma dor aguda no meu osso equivalente. Prosseguimos.

Foi quando um motorista bêbado se aproximou de nós. Não me lembro ao certo o que dirigia, mas parece ter sido uma bicicleta. Não bastando estar bêbado, ele ainda trazia consigo inacreditáveis galões de cerveja. Tombou ao nosso lado. Não nos atingiu, mas derrubou os galões, e espalhou cerveja por toda a rua. 

Molhamos nosso pés. Ficamos anojados.

A seguir, Juremir – que, no sonho, tinha uma estranha antipatia por cerveja, igual a minha antipatia real – se despediu, e desapareceu. Levantei meus olhos, e eis que vi a tal banda de Rock gaúcha, com a vocalista à frente, caminhando em minha direção.

A vocalista lembrava a Rita Lee em seus tempos de moça, porém com cabelos pretos. Ela disse algo como: “Venha conosco! Precisamos lutar contra esse regime!”. E eu, sem dizer nada, me juntei a eles, e partimos.

De algum modo, eu sabia que o “regime” a que ela se referia era a direita midiática. Os “lacerdinhas”, como diz o Juremir.

Fim do meu sonho.

9.3.13

A Triste Situação Assembleiana


É com pesar que, nessa última terça-feira, constatei o domínio da velha teologia legalista no culto de ensino bíblico.

O que era para ser um ambiente de estudos, debates e questionamentos, tornou-se na voz uníssona de um homem dito santo e irrepreensível, dirigida a um grupo de ditos pecadores e falhos, a saber, os que se sentam nos bancos.

O discurso do homem era de correção a tudo e a todos. Criticou aos cristãos que buscam aprofundar-se na fé com o estudo teológico e acadêmico; colocou o  questionamento de autoridade como um pecado hediondo; identificou as doutrinas rasas e ingênuas do pentecostalismo como sendo a “sã doutrina” das Escrituras; e, por fim, censurou às vozes dos líderes assembleianos, já devidamente banidos, que escandalosamente propunham a ênfase na Graça de Deus e na liberdade em Cristo.

É certo que esse partido legalista pentecostal sempre teve força. Nas escolas bíblicas dos jovens, eu observava como o ensino mais devidamente protestante e sadio do jovem pastor – que agora não está mais neste Estado – era desvirtuado e desdito pela líder do departamento de mocidade. Imagine, em um dia, ouvíamos “A Graça de Deus nos liberta de uma vida religiosa”, e, em outro dia, “Quando Jesus voltar, temos que estar prontinhos para subirmos com Ele.”

Mas, agora, parece que toda a voz legitimamente protestante foi silenciada na AD de Guaíba. Os pastores amigos dos membros dão lugar aos “anjos da Igreja”. A igreja assume a velha configuração de um Clero impoluto e santo, que se empenha em corrigir um Laicato pecador, teimoso, vil. O homem que sobe ao púlpito fala pelo próprio Espírito Santo, enquanto que o aquele que se senta aos bancos tem apenas de ouvir, como pecador vil que é.

É com pesar. Com pesar que vejo o silenciamento dos teólogos, o desprezo pelas bandeiras protestantes, e a glorificação da ingenuidade evangélica.

4.3.13

ReverberAÇÃO

Não tem a ver com nada social. Ou tem. Mas não agora. Não hoje, não é o momento. Ou é... sei lá.
Desde que desfiz meu facebook, careço do meu "megafone". É o momento de voltar a atividade. Refletir pra escrever é mais difícil que escrever pra refletir. E mais útil. Não é simples impulso quando eu posto aqui. Os textos são mais compridos e eu passo o dia pensando... e também que só venho aqui abrir a boca "quando tenho certeza" (ou não). Quer dizer, nem metade do que eu penso cai aqui.

Mas não importa, não é esse o assunto. O ponto é: estar sem fazer nada, existindo dia após dia, vivendo "passivamente", sem construir algo de "extracurricular", é meio que deprimente.

Tá certo, o dia tem 24 horas, 6 delas eu passo dormindo, 8 delas trabalhando, duas viajando de ônibus, uma e meia no horário de almoço... já são 17 horas e meia. Aí tira duas horas de Muai Thay ou, quando começarem as aulas mais quatro e fechou o dia. O resto que sobra são o "erro", porque nada do que a gente faz é cronometrado e a gente sempre tem um ou outro imprevisto, além do que conversar fiado e namorar não são coisas de que se possa estipular tempos fechados.

Mas mesmo assim. Tem uma série de avanços que eu quero tomar. Eu planejo e planejo e planejo mentalmente e sempre que eu venho aqui reforço esses planejamentos e a única coisa que constato no fim é o tempo que faz que eu planejo sem efetivamente conseguir alcançar o planejado. Meus planos parece que passam paralelos à minha realidade, como se estivessem lá a todo momento ao meu alcance, mas eu nunca tivesse tempo pra pegá-los. "Não é a hora, preciso fazer XYZ outras coisas", é o que tudo a minha volta comunica.

Esse fim de semana estive num culto em que o pregador foi daquele tipo bem "crente" e "pentecostal" (estão entre aspas pra denotar uma certa ironia) que repete uma mesma frase de maneiras ligeiramente diferentes ao longo de 45 minutos sem, no fim das contas, conseguir transmitir uma única mensagem clara. Mas a certa altura ele perguntou, e eu dei sorte de estar atento no momento, por dois tipos de pessoa: 1) quem já recebeu promessas de Deus em sua vida e 2) quem está esperando por tais promessas. Tá, o leitor, se for cristão, deve estar com ar cético agora, pensando "ah, grandes coisa, já escutei dúzias de pregadores fazendo essa pergunta", mas essa pergunta me levou à reflexão (apesar de a pregação não proporcionar tal ambiente): eu certamente me enquadro no segundo tipo de pessoa, esperando ansiosamente o dia em que vão se cumprir os eventos que, eu creio, são mais do que meras ideias mirabolantes à lá Jean. Só que essa espera, como me consome... não sei nem como descrever.

Voltando à primeira frase: não tem nada a ver com o social. Tem a ver com o quanto eu posso fazer em contraste com o quanto eu faço hoje. Eu queria saber cozinhar, morar sozinho, andar de skate, disponibilizar um conteúdo atrativo na internet, dar aulas dos assuntos que eu entendo pra aqueles que tenham interesse, tocar gaita de boca, saber me vestir bem... isso tudo sem cair nas armadilhas que consomem meu tempo a todo tempo. Só que hoje o máximo que eu consigo é praticar muai thay, estudar e namorar. Alcançar o resto significa desistir de algo que eu já tenho e, convenhamos, tirando o muai thay, largar os estudos ou a namorada não são escolhas muito razoáveis.

Enfim, o que eu digo em resumo é que parece que eu já estou velho pra alcançar tudo isso que eu listei antes. Quer dizer, quando a gente tem 15 anos, dá pra aprender a andar de skate, cozinhar, blogar, tocar gaita ou trombone ou aprender o conceito prático de "beleza" (altamente discutível e, pra mim, difícil de "conhecer") e tudo isso com ajuda e apoio da família, amigos e sociedade. Mas quando a gente tem 22 anos (e, sério, digo com a mais clara impressão de estar velho), a sociedade expõe suas face mais indiferente no sentido de que essas coisas agora são hobbies e eu DEVO agora me dedicar a passar a vida da forma como I supposed to be, relegando esses objetivos outros à categorias das "coisas que eu não tenho tempo pra fazer", fazendo-as só assim de vez em quando como quando a gente junta uma graninha nas férias pra ir pra praia.

E disso, dessa condição, eu preciso, Preciso, PRECISO me livrar. Sério. Eu não quero viver de um trabalho corporativo corporativamente corporativizado. Eu quero ser, sei lá, como o Ricardo Freire do Sua Viagem (da Band News), que tem uma coluna sobre viagem e seu trabalho é basicamente viajar observando tudo pra depois relatar em suas colunas quando alguém perguntar. Eu quero viver de alguma coisa que eu realmente goste de fazer, mesmo que ninguém, nem mesmo eu, acredite que eu seja capaz de fazer. E eu gosto de tantas coisas que eu posso até não ser bom em 4 ou 5 delas, mas em alguma delas eu certamente tenho talento. E quanto a isso pode minha mãe, minha professora, minha namorada e até minha própria consciência dizer que eu sou um retardado, um louco por fazer essa busca instável, mas é a única coisa que eu acho que suporto fazer.

... Bom, acho que vou parando por aqui porque tenho que dormir para amanhã voltar à vida corporativizanha... até porque vieram gritar à minha volta e eu não consigo raciocinar pra escrever nada mais aqui assim ¬¬

Paztejamos