Pesquisa neste blog =D

12.3.13

Hombridade

Há tempos que eu já ouvi e concordo plenamente: esse ocidentalismo do nosso tempo tem por consequência certa extinguir o conceito de masculinidade. Isso porque homem não consome, homem produz, e consumismo - característica intrinsecamente feminina - é o fundamento mais claro desse sistema.

Mas também há tempos eu já noto um outro movimento, meio que de resistência, de organização masculina sadia, animal mesmo, que prega as essências do homem, que não tem frescura, é objetivo, prático, focado em determinada meta útil, protetor... de fato, macho mesmo. Não custa dar uma olhada no mainstream da masculinidade internetística: Papo de Homem e Testosterona. Por mais que eu não concorde que tudo que tem lá é necessário, reflete bem uma ideia de homem que eu considero no mínimo saudável (mesmo considerando o fato de que não é necessário ser imoral pra ser masculino).

E isso, esse agregamento, é uma coisa que eu sinto falta. Durante o último semestre eu tive, uma vez por semana (ou no máximo semana sim semana não), religiosamente às quintas de noite, encontros no DAFA, tomando cerveja com alguns amigos e compartilhando os eventos da minha vida, alinhando meus conceitos com os desses amigos, conversando sobre essas coisas que a gente não fala por exemplo com amigos de igreja: álcool, sexo, mulheres, pornografia, tecnologias, filosofias abertas, meios de vida, relacionamentos, etc.

[Na real, eu sinto até que poderia tratar de alguns (ALGUNS!) desses assuntos com certos amigos da igreja, mas creio que sempre cortados em parcelas, por causa do pudor puritano típico do evangélico (pudor que inclusive eu tenho, mas que abro exceções quando preciso abrir a alma).]

Depois que acabou o semestre tive poucos contatos com somente amigos, e nada de namorada. Não que a presença da namorada seja ruim, mas tenho reconhecido há algum tempo que talvez seja necessário que ela não esteja pra que eu possa reclamar dela também. E não é nada de ruim reclamar da namorada: as vezes o que fica entalado pra dizer pra ela, a gente desabafa com outros que, tendo a mente "oxigenada" pelo álcool, podem fazer comentários que tornem a situação no mínimo mais cômica ou razoável.

Parte das minhas considerações sobre essas questões de gênero (que alguma feminista hardcore ainda vai chamar de machista) é justamente isso: que um homem precisa de amigos pra ser homem. Amigos que me refiro é aquele grupo de pessoas com quem a gente tem conversas produtivas sobre assuntos supérfluos (por mais contraditório que isso seja, pra mim essa é uma definição ótima), conversas que não saem dali e que fazem a gente repensar certas atitudes da vida.

Quando eu tinha meu facebook, pelo fato de usar o facebook como uma lixeira onde eu depositava toda a merda que eu via pela internet ou que vinha à minha cabeça, achava que estava com amigos, pelo fato de estar sempre comentando ou sendo comentado por determinadas pessoas. Mas o facebook é um amigo abstrato de que não se pode tirar muito proveito. Ver um grupo de pessoas pessoalmente é que torna os diálogos reais.

Agora que saí da Matrix, tenho mais tempo, inclusive pra postar aqui, e consequentemente penso mais. Nisso, ter amigos por perto dá uma visão "de cima" das reflexões. Nada taxativo, do tipo 100% condenatório, nem nada "lambe lambe", que apoia todas as ideias. Conversas francas que dão norte, fazem focar. E é isso que, como homens, sempre precisamos.

Preciso intensificar minhas relações interpessoais úteis, reforçar o foco nos objetivos determinados, assumir o controle total da minha vida e ser firme pra que as coisas funcionem. Porque isso que de fato é atitude de homem, o resto é coisa de guri.

Paztejamos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Dá um apoio moral pro blogueiro aqui.
Comenta aí ó: