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4.3.13

ReverberAÇÃO

Não tem a ver com nada social. Ou tem. Mas não agora. Não hoje, não é o momento. Ou é... sei lá.
Desde que desfiz meu facebook, careço do meu "megafone". É o momento de voltar a atividade. Refletir pra escrever é mais difícil que escrever pra refletir. E mais útil. Não é simples impulso quando eu posto aqui. Os textos são mais compridos e eu passo o dia pensando... e também que só venho aqui abrir a boca "quando tenho certeza" (ou não). Quer dizer, nem metade do que eu penso cai aqui.

Mas não importa, não é esse o assunto. O ponto é: estar sem fazer nada, existindo dia após dia, vivendo "passivamente", sem construir algo de "extracurricular", é meio que deprimente.

Tá certo, o dia tem 24 horas, 6 delas eu passo dormindo, 8 delas trabalhando, duas viajando de ônibus, uma e meia no horário de almoço... já são 17 horas e meia. Aí tira duas horas de Muai Thay ou, quando começarem as aulas mais quatro e fechou o dia. O resto que sobra são o "erro", porque nada do que a gente faz é cronometrado e a gente sempre tem um ou outro imprevisto, além do que conversar fiado e namorar não são coisas de que se possa estipular tempos fechados.

Mas mesmo assim. Tem uma série de avanços que eu quero tomar. Eu planejo e planejo e planejo mentalmente e sempre que eu venho aqui reforço esses planejamentos e a única coisa que constato no fim é o tempo que faz que eu planejo sem efetivamente conseguir alcançar o planejado. Meus planos parece que passam paralelos à minha realidade, como se estivessem lá a todo momento ao meu alcance, mas eu nunca tivesse tempo pra pegá-los. "Não é a hora, preciso fazer XYZ outras coisas", é o que tudo a minha volta comunica.

Esse fim de semana estive num culto em que o pregador foi daquele tipo bem "crente" e "pentecostal" (estão entre aspas pra denotar uma certa ironia) que repete uma mesma frase de maneiras ligeiramente diferentes ao longo de 45 minutos sem, no fim das contas, conseguir transmitir uma única mensagem clara. Mas a certa altura ele perguntou, e eu dei sorte de estar atento no momento, por dois tipos de pessoa: 1) quem já recebeu promessas de Deus em sua vida e 2) quem está esperando por tais promessas. Tá, o leitor, se for cristão, deve estar com ar cético agora, pensando "ah, grandes coisa, já escutei dúzias de pregadores fazendo essa pergunta", mas essa pergunta me levou à reflexão (apesar de a pregação não proporcionar tal ambiente): eu certamente me enquadro no segundo tipo de pessoa, esperando ansiosamente o dia em que vão se cumprir os eventos que, eu creio, são mais do que meras ideias mirabolantes à lá Jean. Só que essa espera, como me consome... não sei nem como descrever.

Voltando à primeira frase: não tem nada a ver com o social. Tem a ver com o quanto eu posso fazer em contraste com o quanto eu faço hoje. Eu queria saber cozinhar, morar sozinho, andar de skate, disponibilizar um conteúdo atrativo na internet, dar aulas dos assuntos que eu entendo pra aqueles que tenham interesse, tocar gaita de boca, saber me vestir bem... isso tudo sem cair nas armadilhas que consomem meu tempo a todo tempo. Só que hoje o máximo que eu consigo é praticar muai thay, estudar e namorar. Alcançar o resto significa desistir de algo que eu já tenho e, convenhamos, tirando o muai thay, largar os estudos ou a namorada não são escolhas muito razoáveis.

Enfim, o que eu digo em resumo é que parece que eu já estou velho pra alcançar tudo isso que eu listei antes. Quer dizer, quando a gente tem 15 anos, dá pra aprender a andar de skate, cozinhar, blogar, tocar gaita ou trombone ou aprender o conceito prático de "beleza" (altamente discutível e, pra mim, difícil de "conhecer") e tudo isso com ajuda e apoio da família, amigos e sociedade. Mas quando a gente tem 22 anos (e, sério, digo com a mais clara impressão de estar velho), a sociedade expõe suas face mais indiferente no sentido de que essas coisas agora são hobbies e eu DEVO agora me dedicar a passar a vida da forma como I supposed to be, relegando esses objetivos outros à categorias das "coisas que eu não tenho tempo pra fazer", fazendo-as só assim de vez em quando como quando a gente junta uma graninha nas férias pra ir pra praia.

E disso, dessa condição, eu preciso, Preciso, PRECISO me livrar. Sério. Eu não quero viver de um trabalho corporativo corporativamente corporativizado. Eu quero ser, sei lá, como o Ricardo Freire do Sua Viagem (da Band News), que tem uma coluna sobre viagem e seu trabalho é basicamente viajar observando tudo pra depois relatar em suas colunas quando alguém perguntar. Eu quero viver de alguma coisa que eu realmente goste de fazer, mesmo que ninguém, nem mesmo eu, acredite que eu seja capaz de fazer. E eu gosto de tantas coisas que eu posso até não ser bom em 4 ou 5 delas, mas em alguma delas eu certamente tenho talento. E quanto a isso pode minha mãe, minha professora, minha namorada e até minha própria consciência dizer que eu sou um retardado, um louco por fazer essa busca instável, mas é a única coisa que eu acho que suporto fazer.

... Bom, acho que vou parando por aqui porque tenho que dormir para amanhã voltar à vida corporativizanha... até porque vieram gritar à minha volta e eu não consigo raciocinar pra escrever nada mais aqui assim ¬¬

Paztejamos

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