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22.4.13

Porque quase não falo mais sobre igreja e religião

Há tempos me proponho a me justificar aqui sobre os motivos pelos quais quase não discuto igreja mais nesse blog e eis que hoje, ao abrir por acaso o blogger e dar de cara com um texto no Genizah (que aliás quase não acesso também mais) sobre a morte de um tal Brennan Manning, me inspirei a me explicar.

Os fatos são vários. 1) Estou burocraticamente "desviado", ou seja, não estou vinculado a igreja nenhuma, porque me excluíram da minha (um processo meio que bizarro, mas ok, que seja). E, talvez por isso, quase não tenho contato com coisas de igreja, tradições, questões eclesiásticas e etc. Aí nem penso em falar muito sobre isso;

2) E também porque, ao longo desse período mais "libertário", tenho conhecido gente de todas as crenças e tomei um respeito razoável por cada uma de uma forma que as vezes me sinto estranho em criticar alguém, dadas as minhas falhas. O leitor eventual não deve entender isso mal: não acho que as coisas não devem ser criticadas, discutidas, 'alumiadas' (não mudei de ideia depois de criticar o mundo inteiro); mas não me sinto disposto a fazê-lo.

Um exemplo disso são os Hare Krishna que eu conheci na rua. [Na real, Hare Krishna é uma designação informal, do mesmo modo que usamos "crente" pra chamar os "cristãos evangélicos". O correto é Vaishnavas ou coisa parecida. Enfim.] Os caras tinham uma instrução legal e era interessante e produtivo conversar com eles sobre Deus, porque apesar de eles terem pontos de vista teológicos diferentes do meu, nós, em respeito mútuo, íamos expondo nossos pontos de vista e vendo como eles são construídos igual ou diferente. Eu considero isso até uma forma de evangelização, porque os Vaishnavas tinham uma série de conhecimentos distorcidos sobre a Bíblia que eu tive a oportunidade de explicar.

Mesma coisa é também as igrejas doutrinariamente menos profundas. Só como exemplo, a igreja que eu estou frequentando mais agora, a Betel, tem costumes que ficam entre a Assembléia de Deus e a Batista. Lá as pessoas se vestem como querem (o que é ótimo), mas o estudo Bíblico não tem tanta profundidade quanto na Assembléia. Ouquei. Mas, mesmo sem tanto conhecimento doutrinário, e com uma série de distorções clássicas (proibição de bebida/cigarro, graça apoiada nas obras), as pessoas são sinceras quando servem a Deus assim. E eu não posso ir contra essa sinceridade. Posso no máximo perguntar se elas se consideram coerentes assim. E criticar não parece mais o caminho disso. Me parece que eu tenho que viver dessa minha forma cristã desvinculada e demonstrar que há um jeito de viver pra Deus sem viver pra igreja.

Porque aliás é isso que eu tenho feito. Eu frequento a igreja porque a igreja é um lugar legal. E eu gosto de ir no culto e eu quero principalmente ouvir pensamentos e conhecer pessoas lá (principalmente se os pensamentos são contrários aos meus e as pessoas não concordam comigo). Mas eu quero viver pra fora.

Não é beeeem assim, e talvez eu não saiba me expressar direito quando digo isso. Mas é que não dá pra ficar inteiramente sem frequentar uma igreja. Não dá pra ficar simplesmente sem ir. A gente tem que ir, e ter amigos lá, pra ter conversas cristãs, e se sentir estimulado à leitura da Bíblia, e discutindo coisas de crente. O que eu me refiro sobre "viver pra fora" é que não dá pra ter uma vida voltada pra dentro da igreja. Não dá pra frequentar a igreja num ritmo tão acentuado que quando a gente falte dê remorso, ou os outros estejam tão acostumados com a nossa presença no culto que perguntem onde a gente andava. Tem que ter um equilíbrio aceitável. Tem que conseguir conciliar, ir na igreja mas poder ir também em festa, casamento, noivado, barzinho... porque a vida não é plena se a gente não for livre.

Só que esse meu pensamento, essa forma de ver as coisas, quando enunciado, traz um 'furor' incômodo aos crentes. E eu tenho aprendido na Bíblia mesmo que sábio que é sábio fala pouco e cuida o que fala. E é por conhecer a sinceridade das pessoas ao não cortar o cabelo, ao não assistir televisão, ao achar que a Santa Ceia é uma vez por mês, ao não se depilar, ao fazer a barba, ao não beber e não fumar, enfim, ao "não um monte de coisas", além, é claro,dos que dão uma grana preta pra igreja (mudando um pouco o foco das tradicionais pras neopentecostais); é por conhecer a sinceridade das pessoas nessas condições todas em servir a Deus é que eu me detenho de criticar e tento só viver um cristianismo mais sincero e tranquilo, que alguns vão criticar achando que estou 'na carne' ou sei lá, mas isso só porque não me conformo com os costumes gerais.

Aliás, aqui um porém: nada contra falar mal dessas situações genericamente. Não sou contra o que critica os "não" que as igrejas pentecostais em geral impõem, assim como não sou contra as críticas ao neopentecostalismo que pede dinheiro a torto e a direito. Sou contra a menção à pessoas XYZ que fazem isso, porque vai saber a intenção de cada um, e vai saber se não são sinceros. Sei lá se faz sentido o que estou escrevendo, agora no fim pensando... mas enfim...

[uma revisão final indica: esse texto deixa em aberto uma série de questões. A principal é sobre se a "sinceridade" basta pra Deus. Eu não quero dizer isso imediatamente, mas acho que Deus é legal o suficiente pra aceitar primeiro nossa sinceridade e depois ir nos moldando na direção que Ele deseja... então, sim, a sinceridade basta pra Deus, pelo menos em questões que Ele não respondeu direito na Bíblia. Pelo menos é o que eu acho :) Outras coisas também ficaram em aberto, mas... dane-se]

paztejeis

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