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31.7.13

Um sentido a menos, um sentido a mais, e porque não sou tão cético

Dos sentidos, o que mais me intriga certamente é o olfato. A visão, o tato e a audição são facilmente descritíveis, são físicos; a gente sente até sem notar. Mas o olfato... parece que fica num nível superior. O paladar é o único que ainda dá pra comparar. Só que o paladar ainda é real. A gente descreve com um pouco de dificuldade, mas ainda descreve: é doce, azedo, amargo, mais intenso, mais fraco. O olfato é mais surreal. Tem que fazer analogia. E é nisso que a gente se pega dizendo "um cheiro mais 'verde'", "um aroma mais 'docinho'", "um perfume 'forte', 'de homem'".

Os mecanismos dos sentidos mais inferiores (esses que eu falei que são físicos) são muito relativos à luz, à mecânica, às ondas sonoras. Até por isso que eu chamei de físicos. Os mecanismos do paladar e do olfato são aparentemente mais complexos. O paladar precisa da língua que sabe-se lá como interpreta os sabores. E os sabores, além de depender do estímulo da substâncias que caem na língua, ainda variam conforme a consistência, o que é incrível, vamos combinar. Só que indiscutivelmente o olfato é muito mais incrível, porque é um sentido que sai aparentemente do nada.

O "nada" aqui provavelmente é um gás. Tá certo, eu não sou entendido do assunto e não posso afirmar com certeza, mas ao que me consta é bem provável que o olfato interprete só gases. Só que gases não se vêem, não se notam, não se apalpam. São 'espirituais', são vento, fumaça, que a gente só pode 'sentir' e nada mais.

Agora sobre o "ceticismo". As vezes conheço alguém que se diz "cético". Em geral, ele não usa essa palavra, ele prefere "ateu", sempre em referência à negação da existência de Deus. Mas não é só Deus que ele nega, são as coisas não físicas, ou que a gente não percebe, ou que ficaram fora dos nossos sentidos. O que o tal cético nega são aquelas 'intuições', 'sextos sentidos', 'maus estares', e etc. Ele chama isso tudo de superstição. Inclusive Deus: uma superstição como outra. Ok, nada contra, quer dizer, cada um acredita no que se propõe a acreditar.

Só que eu andei exercitando um raciocínio interessante, relativo justamente aos sentidos. Imagina que as pessoas todas tivessem apenas quatro sentidos. Pode ser os três inferiores mais o paladar. Mas não importa qual a gente descarte; estou descartando o olfato porque ele é mais 'espiritual', como eu disse, mas descartando a visão por exemplo o raciocínio ainda seria o mesmo.

Nessa hipótese, todo mundo viveria bem, sei lá, mais ou menos como vive hoje. Não acho que o olfato faça tanta falta. Talvez no caso de um incêndio ou na hora de saber que a comida tá pronta, mas tirando isso, todo mundo saberia se virar igual.

Mas agora, imagina que uma pessoa, só ela, pudesse sentir cheiro. Ela teria um 'quinto sentido' especial, mágico, que a permitiria sentir mais do que a maioria, saber que a comida tá pronta antes de ver, prever um incêndio sem tê-lo visto, etc. Provavelmente, quando ela contasse sobre esse tal sentido, haveriam céticos de todo tipo que negariam essa capacidade dela. E também não faria sentido (sem trocadilhos) quando ela dissesse que sentiu uma "boa vibração" ou uma "energia diferente" ao se deparar com alguma situação em que seu olfato fosse estimulado. Lembrando: ela não ia dizer que sentiu um 'cheiro', porque se ninguém sentisse cheiro, não haveria uma palavra pra isso. Ela teria que recorrer justamente a esse tipo de expressão engraçada e 'mística'. Enfim.

Agora voltamos pra nossa realidade em cinco sentidos. Eu não estou dizendo - e, sério, eu realmente não acreditaria se alguém me dissesse - que existem pessoas com um "sexto sentido". Só que o que eu nego enfaticamente é que a nossa realidade seja só o que a gente consegue sentir. Fala sério, 4 dimensões e 5 sentidos são muito pouco pra essa realidade extremamente complexa. Só o mundo que a gente chama de físico não é suficiente pra agregar toda a informação desse universo. Se o que a gente percebe com cinco sentidos já é incrível, imagina o que se passa pela gente sem a gente saber o tempo todo, TODA HORA!

E é aí que Deus se encaixa. Deus está ao nosso lado, nos cercando, nos iluminando ou nos dando forças, e a gente não pode vê-Lo, ouvi-Lo ou senti-lo. Só que Ele está. Ele é. Eu posso não acreditar que as pessoas tenham 'sextos sentidos', 'maus estares', 'intuições'; mas eu acredito que Deus possa atravessar os sentidos e nos dar eventualmente a oportunidade de "sentir além dos sentidos" e conceber a realidade além daquilo que estamos acostumados.

Se todos tivéssemos 6 sentidos, sentir o sexto sentido seria trivial; haveria mais informação pra estudar. Se todos tivéssemos 7 sentidos, o mesmo. E me parece que talvez hajam muitos mais sentidos que nos faltam e que as vezes um ou outro animal parece ter. Se todo mundo sentisse a presença de Deus, Deus seria trivialmente constatado, como um árvore na praça. Mas Deus parece não estar em nenhum sentido, ou estar em todos. Parece que Deus tem uma lança com a qual atravessa os sentidos e nos causa diferentes sensações... e posso dizer, inclusive no olfato.

E é por isso que não sou tão "cético". Respondendo ao título, não sou cético porque a existência, a realidade é muito grandiosa e sinistra e assustadoramente complexa, e eu me nego a acreditar que ela esteja fechada só naquilo que conseguimos perceber. Ou seja, eu que sou cético, não os "céticos". Os "céticos" estão presos na física, presos na afirmação daquilo que percebem. Os "céticos" assumem a existência física como única realidade. Eu não. Eu acredito que existe muito mais além do que a gente vê, e que eu nunca vou alcançar. Eu sim acredito que a realidade não pode ser alcançada. Pelo menos não nesse mundo. Não sozinho.

Paztejamos

Um comentário:

  1. Gostei muito do seu texto, me ajudou. Parabens!

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